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Provavelmente, a campanha publicitária do ano

16 Nov

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A Fundação ‘Unhate’, criada pela marca italiana de vestuário United Colors of Benetton, lançou uma campanha publicitária de génio. Num momento em que o mundo está suspenso à espera que rebente o próximo conflito armado devido à crise política e financeira internacional, a agência de comunicação da Benetton, Fabrica, re-inventa a pólvora.

Conseguem pôr líderes mundiais, políticos e religiosos, de países com comportamentos políticos opostos e relações complicadas, aos beijos numa campanha contra o ódio. Barack Obama, Angela Merkel e o Papa Bento XVI surgem nesta acção que pretende, segundo a organização, promover a tolerância e lutar contra a “cultura do ódio”.

“Embora o amor mundial continue a ser uma utopia, o convite a não odiar para combater a cultura do ódio é um objectivo realista”, justificou Alessandro Benetton, Chairman executivo da marca que quer promover a “aproximação entre pessoas, fés, cultura e o entendimento pacífico das motivações do outro”.

Isso, não sei se consegue, mas com as fotografias, as iniciativas em lugares simbólicos de Tel Aviv, Nova Iorque, Roma, Milão e Paris e o filme do realizador francês Laurent Chanez, só hoje (que eu tenha encontrado) a marca conseguiu ser publicitada em 286 websites de agências, jornais, revistas, rádios e televisões dos EUA, Reino Unido, América Latina, Índia e Portugal à borla.

Pelo menos no Expresso, no Sol, no DN, no Jornal de Negócios, no Público, no i, no CM, no Económico, na Visão, na Sábado, na TSF, na RTP, na Reuters, na Associated Press, em 28 jornais brasileiros, no IndiaTimes, no Huffington Post, na ABCNews, no Bloomberg, na CNN, no Wall Street Journal e no Washington Post. Fora os milhares de blogs (incluindo este…), os jornais regionais, as empresas de marketing e publicidade e as visualizações do vídeo no YouTube.

A Igreja Católica ainda veio dar uma ajuda à campanha e levantou logo a polémica: “O grupo italiano Benetton anunciou nesta quarta-feira a decisão de retirar de circulação uma campanha publicitária mostrando o Papa beijando na boca o imã sunita da universidade de Al-Azhar, no Cairo, Ahmed el Tayeb, dizendo-se ‘desolado com o fato de a utilização da imagem ter chocado tanto a sensibilidade dos fiéis'”, escreve a AFP.

Só na RTP, em apenas 20 minutos, o artigo passou a ser o mais lido do site e o link publicado no Facebook ‘RTP notícias’ foi partilhado, também nos primeiros 20 minutos, 280 vezes. Diria que os jornalistas caíram na armadilha e nem deram por isso. Não é novidade: isto da internet e das redes sociais veio mudar o paradigma da comunicação e as regras do jornalismo vão ter que se ajustar. Como?

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Descubra as diferenças

10 Nov

«Falta cumprir Portugal»

28 Set

“O senhor doutor já teve ocasião de ver que espécie de gente é o povo deste país, e mais estamos na capital do império, quando no outro dia passou à porta do Século, aquela multidão à espera do bodo, e se quiser ver mais e melhor vá por esses bairros, por essas paróquias e freguesias, veja com os seus olhos a distribuição de sopa, a campanha de auxílio aos pobres no inverno, iniciativa de tão singular beleza, como escreveu no telegrama o presidente da Câmara do Porto, de boa lembrança, e diga-me se não valia mais deixá-los morrer, poupava-se o vergonhoso espectáculo do nosso mundo, sentam-se na berma dos passeios a comer a bucha de pão e a rapar o tacho, nem a luz eléctrica merecem, a eles basta-lhes o caminho que vai do prato à boca, e esse até às escuras se encontra.”

Não é Portugal, 2011, com um Governo cego nos cortes, de mão estendida à Europa de Merkel e Sarkozy, que por sua vez a estendem aos especuladores. Mas podia ser. Trata-se de um excerto de um livro publicado em 1984, retratando uma situação passada em 1936, de seu nome «O Ano da Morte de Ricardo Reis», de José Saramago. Os anos, séculos passam, mas tudo se mantém. «Falta cumprir Portugal».