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Sobre a greve geral

14 Nov

Dizem os mais críticos que a greve é uma regalia de poucos. Que apenas quem tem emprego certo e para a vida é que se pode dar ao luxo de fazer greve. Todos os restantes: desempregados, precários, pequenos empresários, agricultores, assalariados-em-risco-de-serem-convidados-a-sair, etc, vão hoje trabalhar como em qualquer outro dia.

Talvez estes críticos tenham razão. De facto, não é qualquer um que pode fazer greve neste momento. Mais, quem se der ao trabalho de analisar as estatísticas, certamente chegará à conclusão que a greve tende a ser mais forte em locais onde os direitos dos trabalhadores estão mais garantidos. Faz sentido? Não muito de facto, mas são as coisas tal como elas são.

Duas pequenas notas sobre esta greve. Em primeiro lugar é importante realçar o carácter europeu deste protesto. Nunca se viu em tempo algum uma greve ter lugar ao mesmo tempo em vários países. Este aspecto é para mim o mais importante. Pouco se faz ou se pode fazer a nível nacional. É necessário que também na oposição haja uma procura de coordenação a nível europeu. Em segundo lugar, penso que a eficácia deste tipo de greves é quase nula. Tudo se resumirá a uma guerra de números ao final do dia entre a CGTP e o Governo. Os primeiros dirão 90% e os segundos dirão 20%. Como estaremos amanhã? Provavelmente na mesma.

Adenda: Cheguei a casa depois depois do jantar e só agora tive conhecimento dos desacatos em frente à Assembleia. Afinal parece que me enganei. Em vez de se andar a discutir números de adesão, a história desta greve se resumirá às provocações dos manifestantes e à carga policial. É lamentavel e não leva a lado nenhum.

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Quem ganha com o aumento da violência? A polícia? O governo? Os media?

30 Nov

Esta pergunta dá pano para muita manga mas a sua resposta poderá ajudar a perceber o que realmente está em causa. Os incidentes que decorreram durante a greve geral de 24 de Novembro têm sido amplamente difundidos e discutidos pela blogosfera. Exigem-se mais esclarecimentos, há que peça a cabeça de Miguel Macedo e de Guedes da Silva (Director da PSP) e difundem-se fotos de alegados agentes policiais infiltrados na manifestação responsáveis por desencadear confusão (algumas neste texto). Veja-se por exemplo aqui, aqui, aqui ou aqui.

A confirmar-se que de facto a polícia infiltrou agentes para desencadear distúrbios no seio da manifestação há responsabilidades que terão de ser assumidas.

Mas voltando à questão inicial, quem ganha com isto? A polícia que justifica assim ao poder político a necessidade de um orçamento mais generoso de forma a fazer face ao aumento da violência? O Governo que descredibiliza assim os manifestantes junto da opinião pública e ganha mais espaço para aplicar o seu programa? Os jornalistas mainstream que parecem adolescentes excitados em busca de uma pinga de sangue? Ou todos eles? 

Greve!

24 Nov