O Pedro Passos Coelho, deixou-me ontem uma cartinha na minha caixa de correio, onde me ensina como votar por correspondência, e em última análise onde colocar a cruz no PSD. Eu fico contente por ele se ter lembrado de mim, porque eu andava com sérias dúvidas se o papel se dobrava em dois ou em quatro – afinal é em quatro. E se tinha de usar cola para selar o envelope ou se saliva bastava – aqui ainda não obtive resposta.
O Pedro diz na sua carta à comunidade na Diáspora que está na hora de MUDAR. O que ele parece não ter percebido, é que a malta que vive no estrangeiro já há muito que mudou… de País! A malta que vive governada por outros políticos que não os Portugueses, sabe e bem que o grande problema político dos Portugueses é que estes, desde a instauração da Democracia em Portugal, não mudam o seu sentido de voto!
Vamos fazer um pouco de ficção. Imagine que viveu sempre governada(o) por apenas dois partidos, que foram alternando entre si o exercício do poder. Imagine agora que durante esses anos todos estes dois partidos levaram o País a um estado tal que apenas em 37 anos tivemos de pedir ajuda externa duas vezes de forma a evitarmos a bancarrota! Imagine agora (e esta parte é verdadeiramente ficção, pois parece de todo irrealista) que estes dois partidos concorreriam às eleições…
Imagine agora, que por exemplo, um primeiro-ministro teria governado entre 2005 e 2011 um País, que as suas políticas teriam levado o País quase à bancarrota, e que o seu calculismo eleitoral o teria levado a fazer um grande número de ficção, escondendo sempre a grave situação económica, esperando demasiado para formular um pedido de ajuda externa, incitando os partidos com pretensões a governar que o derrubassem, para que no final, pudesse ressurgisse como vítima de uma coligação negativa dos outros lideres partidários, mas como o salvador da Pátria. Imagine que um individuo assim se recandidataria a Primeiro-ministro novamente….
Vamos então a coisas mais sérias. Para mim a final da Liga Europa será extremamente táctica e as únicas hipóteses do Braga conseguir realmente a vitória estão dependentes do facto de marcar primeiro. Caso isso acontece, o Braga poderá jogar o seu jogo habitual. Caso o Porto marque primeiro, prevejo uma vitória azul e branca por 3-0.
Acho que tinha ainda que escrever acerca de mais qualquer coisa… Não é sobre a descida do preço dos iogurtes no Lidl, porque já falei disso na reunião do clube de caça, pesca e berlinde espanhol; nem sobre a vida sexual do macaco Pigmeu, porque acho que o Professor Marcelo também já falou acerca disso num programa, estabelecendo ao mesmo tempo uma correlação entre a as filhoses e os banhos matinais que ele dá no oceano… ah lembro-me agora: a carta do Pedro!
Passos Coelho disse-me na carta que escreveu que os meninos do PS foram maus com toda a malta que não vive em Portugal Continental. Que aqueles mauzões “desqualificaram” os postos consolares, que “ignoraram” o crescimento da emigração portuguesa, que “falharam” na reforma do Ensino do Português no Estrangeiro. Mas ele, e os seus amigos não nos vão abandonar também. E o Pedro apresenta tantas soluções que no final, a única coisa que nos lembramos ainda é de como dobrar correctamente o boletim de voto.
E é por isso que eu não percebo como uma pessoa tão simpática como o Pedro vem descendo tanto nas sondagens!
Mas o que importa afinal! Portugal passará a ser governado via WIFI a partir de Berlim, porque convenhamos, nos somos peritos em ficção cientifica ou dramas intemporais, os nossos “actores” são de serie C e os nossos “argumentos” fazem os do David Lynch parecer contos infantis. Com uma indústria “cinematográfica” deste nível, não admira que nem os Finlandeses se tenham emocionado com a nossa ultima obra-prima criativa: um filme em que lhes explicamos que eles nos devem emprestar dinheiro porque tivemos um passado grandioso e fizemos coisas verdadeiramente extraordinárias!
Este vídeo só me fez lembrar de uma anedota que alguém uma vez me contou, e em que um aluno pergunta ao professor de historia, porque é que nos chegamos a este estado, sendo nos descendentes de todos aqueles que partiram à descoberta do mundo, dando a conhecer novos mundos ao mundo! O professor apenas lhe respondeu que nos não somos descendentes dos que partiram, somos descendentes dos que ficaram!
