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Tacheles – Berlim: Contra o Academismo e os lugares comuns!

5 Maio

Tacheles Berlim - Foto: OLS


Tacheles, Berlim - Foto: OLS

Tacheles, Berlim - Foto: OLS

Inauguro a secção “Arte” para falar de algo que provavelmente faz mais pela promoção da arte do que qualquer governo no mundo inteiro: Tacheles.
Em Berlim, situa-se um edifício, parcialmente demolido em 1980, que serve de casa a uma série de artistas cujo único objectivo é viver para a Arte.
O edifício pode ser reconhecido no excelente “Adeus Lenine”, onde a certa altura se vê o protagonista sentado sobre sobre uma parte do edificio parcialmente demolido.
Em 1990, pouco antes da sua demolição final o grupo Künstlerinitative Tacheles ocupou o edifício, e criou uma associação sem fins lucrativos que visa promover a Arte, e apenas a Arte. Cada artista residente em Tacheles vive para a Arte!
E existe uma grande diferença quando se vive “para” algo, em vez de se viver “de” algo. O Francisco explica-o bastante bem aqui neste texto.
Ora eu, que tenho sérias dificuldades em coabitar com mais de 20 artistas numa mesma sala, vi em Tacheles algo que já não via há muito numa sala de exposições: diversos tipos de desprendimento.
Desprendimento face à sociedade: face aquele tipo de artista que diz que vive aparte do seu mundo, mas que busca constantemente aprovação entre os seus.
Desprendimento face ao dinheiro: face aquele tipo de artista que diz que o dinheiro não interessa mas que passa a vida a expor para os grandes coleccionadores capitalistas, que coleccionam arte, como quem colecciona carros, e que percebem tanto de arte quanto o Cristiano Ronaldo de literatura.
Desprendimento face ao Status Quo: todos os que se encontram em Tacheles compreenderam que tanto hoje como há 100 anos, só se pode lutar contra o Academismo se se estiver totalmente aparte dele. Que os Museus são muitas vezes lugares onde o compadrio e a cunha também se fazem sentir, onde é praticamente obrigatório ter um manager para se poder expor numa grande galeria.

Apesar de não ser nem Anticapitalista, nem Anarquista; é bom saber que em Tacheles há quem viva 100% de acordo com aquilo que professa. Que os slogans não são apenas bonitos para mostrar em manifestações, mas que podem ser aplicados no dia-a-dia.
E essa coerência é praticamente difícil de encontrar na nossa sociedade. Por isso para eles, o meu respeito e a minha admiração.
Para vocês meus caros, apenas o conselho de que, se forem a Berlim, visitem obrigatoriamente “Tacheles”.

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