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Pérolas a portugueses

19 Out

Na semana passada o jornal Público avançou que o Governo estava a pensar taxar com portagens troços junto a Lisboa e Porto que sempre foram de utilização universal. Como exemplos, os lanços Sacavém-Alverca da A1, Ponte 25 de Abril-Fogueteiro na A2 e vários ao redor da Invicta. Se a esta intenção (que se transpirou para os jornais é porque é para ser concretizada) juntarmos os preços exorbitantes dos combustíveis, é de facto um luxo, mas daqueles mesmo caros, andar de automóvel nos dias que correm. Quanto a gasolinas e gasóleos, já é tarde mas não demasiado para finalmente apostarmos a sério nas energias renováveis, sejam as viaturas eléctricas, sejam as movidas a sol, seja o que fôr. Petróleo é que não e parece que não aprendemos, nenhum de nós, a lição.
Já no que diz respeito às auto-estradas, mas afinal quem é que pediu para ter um via desde género a ligar Alguidares de Cima a Alguidares de Baixo? Porque é que tudo o que é estrada nova tem que ser construída com perfil de auto-estrada? O resultado é óbvio e em alternativa ao novo riquismo do betão com portagens (sim senhor, é justo pagar pelo topo de gama), temos uma via de terceira categoria, cheia de semáforos e buracos, com curvas perigosas, que obviamente vai ser a escolha daqueles que, mesmo que quisessem, não as pode pagar diariamente. Vamos passar a ter as nacionais (ainda mais) a abarrotar, enquanto nas auto-estradas não vai passar nem uma mosca.

Uma pequena nota para mais uma ideia brilhante da dupla Passos/Portas (embora me cheire que esta seja mais do primeiro do que do segundo): mais meia hora de trabalho para os trabalhadores do privado. Pois sim senhor, como diria Guterres, é fazer as contas. 30 minutos vezes cinco dias por semana dá 2.30h a mais para cada trabalhador. Juntando três, dá 7.30h. Resultado óbvio? Deixa cá ver? Ah! Três trabalhadores fazem as mesmas horas que quatro! É isso! E querem ainda melhor? Afinal já não temos de contratar ninguém, mesmo que o volume de trabalho esteja a rebentar pelas costuras! É isso! Tudo no melhor dos mundos. Estímulo ao emprego? Give me a break.

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A culpa dos outros

5 Out

Gostamos de nos queixar. Sobre tudo. Sobre nada. Somos portugueses. Somos permanentemente insatisfeitos. É giro criticar. É engraçado dizer mal. É fácil apontar defeitos. É quase demagógico fazê-lo.

Desde que António Costa chegou à Câmara de Lisboa, em 2007, que a direita, derrotada por maioria absoluta na pessoa da sua estrela pop Pedro Santana Lopes, nunca perdoou o dislate e persegue sem mais não o autarca socialista. Que António Costa não fez e não faz nada. Que a cidade está parada. Que a cidade está suja. Que Lisboa está a morrer e ninguém a ampara. Que não há rasgos de modernidade. Enfim, que António Costa estar ou não estar é a mesma coisa. Na semana passada, Manuel Falcão, que foi o número um da lista do PSD à Assembleia Municipal de Lisboa em 2009, aproveitou o seu espaço de opinião no jornal Metro e acusou os vereadores Sá Fernandes e Manuel Salgado de estarem parados no tempo. Falcão acredita que o que a equipa de António Costa quer é transformar Lisboa num museu, sem pessoas, sem carros, sem nada, enfim, uma cidade cristalizada no tempo. Claro que o que Manuel Falcão deverá querer é uma obra de Frank Gehry em cada esquina. Baixa sem carros? Castelo de São Jorge? Jerónimos? Nah! Para quê? Mamarrachos é que sim, quanto mais pós-modernistas (não confundir com pós-modernos) melhor.

Queixas há também dos cidadãos. Novamente que a cidade está suja. Que os transportes não resposta. Que o ar está poluído. Que não há iniciativas culturais. Pois bem, estes são os mesmo que adoram deitar beatas para o chão; que colocam sacos de lixo junto aos contentores ou aos ponto de reciclagem e não os distribuem pelos recipientes adequados; que nos transportes ficam a fazer barreira à entrada dos autocarros e não ocupam as últimas filas, se calhar com medo de não estarem ao lado da porta; que abre o vidro do automóvel e deita a porcaria pela janela; que deixam os carros parados em segunda e terceira fila, mesmo que seja uma linha de eléctrico; que insistem em andar de carro quando há metro ou autocarro; que preferem ir ao Colombo ou ao Vasco da Gama, ao invés de passear pela Baixa ou pela Avenida de Roma; que ignoram as ciclovias. And so on.

Fora de Lisboa… é este mesmo povo queixoso mas culpado de muitas situações que provocam as queixas que vai votar no Domingo na Madeira e dar mais uma maioria absoluta ao senhor Jardim (espero enganar-me profundamente e engolir estas palavras).

«Falta cumprir Portugal»

28 Set

“O senhor doutor já teve ocasião de ver que espécie de gente é o povo deste país, e mais estamos na capital do império, quando no outro dia passou à porta do Século, aquela multidão à espera do bodo, e se quiser ver mais e melhor vá por esses bairros, por essas paróquias e freguesias, veja com os seus olhos a distribuição de sopa, a campanha de auxílio aos pobres no inverno, iniciativa de tão singular beleza, como escreveu no telegrama o presidente da Câmara do Porto, de boa lembrança, e diga-me se não valia mais deixá-los morrer, poupava-se o vergonhoso espectáculo do nosso mundo, sentam-se na berma dos passeios a comer a bucha de pão e a rapar o tacho, nem a luz eléctrica merecem, a eles basta-lhes o caminho que vai do prato à boca, e esse até às escuras se encontra.”

Não é Portugal, 2011, com um Governo cego nos cortes, de mão estendida à Europa de Merkel e Sarkozy, que por sua vez a estendem aos especuladores. Mas podia ser. Trata-se de um excerto de um livro publicado em 1984, retratando uma situação passada em 1936, de seu nome «O Ano da Morte de Ricardo Reis», de José Saramago. Os anos, séculos passam, mas tudo se mantém. «Falta cumprir Portugal».

Angelita e sus muchachos

21 Set

A história é já da semana passada mas por nada perde actualidade. Numa folga do trabalho dei um salto à praia e encontrei uns amigos, que por sua vez estavam acompanhados de uns colegas espanhóis. Irmãos também na crise e nos problemas, logo me explicaram que só na semana passada dois amigos perderam o emprego. Tradicionalmente sempre alta, a mais elevada da União Europeia, a taxa de desemprego em Espanha está acima dos 21 por cento. Menos mal está Portugal, mesmo assim com uns astronómicos 12 por cento, enquanto a Grécia já vai nos 16,3.

À saída da praia, um grupo de estrangeiros pediu-me boleia, provavelmente confiante que neste país à beira mar plantado ainda há pacóvios e gente humilde do antigamente para atitude tão de outros tempos. Boleia dada, lá fomos na conversa até Lisboa. Três alemães e um austríaco, por Portugal durante uma semana para um congresso da diabetes. Confirma-se que Lisboa se anda a vender como capital dos congressos, e muito bem. As opiniões de estrangeiros depois de um dia de praia em Lisboa não são muito originais e claramente falou-se do clima, do sol, das areias finas, dos mergulhos, da vida abençoada a poucos quilómetros de uma cidade capital europeia. “At least we have that!”, disse eu, preparando já a conversa para os senhores que se seguiram na conversa, a senhora Merkel e o senhor Sarkozy. “Os alemães não são tão rudes como parecem”, sustentou um deles, alegando que a chanceler está a fazer um bom trabalho na Alemanha e que o país até está a crescer. Mas a verdade é que Angela anda a perder eleições regionais como ninguém e tudo indica que os dias à frente da Alemanha, e consequentemente da União Europeia, devem estar contados. “O dinheiro não dura para sempre”, insistiu outro dos alemães, “e está quase a acabar”. E não lhes tirei da ideia que o castigo que estão a aplicar a Portugal, a asfixia que nos vai tolhendo, não é o caminho que nos vai ajudar.

Lá que a boleia lhes soube bem de facto soube, “and Lisbon is such a blessed city”, comentaram à passagem da Ponte 25 de Abril. Quanto ao resto, soframos, porque Angela assim o quer.

Jardim não rima com liberdade

7 Set

9 de Outubro. A acreditar nas palavras de Alberto João Jardim, que diz que só governa de novo a Madeira com maioria absoluta, este pode ser um dia histórico no arquipélago e em todo o país. As eleições regionais madeirenses podem de facto trazer surpresas, há muito ansiadas.

Muito se tem falado do buraco da dívida da Madeira, no valor de 500 milhões de euros. Alberto João já o confirmou, dizendo que ascende “perto do valor de um orçamento regional”, embora o seu secretário regional do Plano e Finanças, José Ventura Garcês, venha dizer que não. “Não são situações novas. Não é nenhum buraco. Trata-se de consolidar à dívida pública regional uma empresa regional e a extinção de uma Parceria Pública Privada, que acabou e o Governo teve de assumir a dívida”, disse.

Carlos Abreu Amorim, novel eminência parda do “pê ésse dismo”, acha estranho que se fale do assunto em vésperas de eleições no arquipélago. De facto, para que falar do buraco? E para quê fazê-lo em véspera da decisão da continuação ou não nas ilhas da mesma onda que causou o desvio nas últimas quase quatro décadas? Haja decedência.

O PS parte unido em redor de Maximiano Martins, algo que já não acontecia no reino da rosa há muitos anos.

Já o CDS, unido ao PSD a nível nacional, parece madar essa coligação às malvas quando se trata da Madeira. José Manuel Rodrigues está à espreita e não é por acaso que o aniversário do partido e as jornadas parlamentares têm os domínios de Jardim como palco.

Na casa da laranja, Miguel Albuquerque, presidente da Câmara do Funchal, mantém um estranho comportamento, ora tido como advesário interno de Jardim e participando em acções do CDS, ora reafirmando que o seu partido é o PSD e que disso não haja dúvidas.

A verdade é que as eleições na Madeira, dadas como ganhas aos pontos por Jardim desde que se candidatou há muitos, muitos anos, podem desta vez não ser favas contadas. Os sinais estão lá todos, nomeadamente num artigo publicado no Expresso, da autoria de Duarte Caires, demolidor para Alberto João. “33 anos de Jardim. Eis o calvário?”, começa por perguntar o jornalista. E termina a questionar se depois de 9 de Outubro “os madeirenses fizeram alguma coisa ou ficaram parados a olhar”.

Mais tarde saberemos, mais uma coisa parece certa. Duarte Caires vai perder o emprego, se depender do caríssimo Alberto João.

Já não há heróis como King

31 Ago

Paradigma. A palavra da moda e que não sai de moda em ciências sociais, da sociologia à comunicação, passando pela filosofia e outras sofias. Vem isto a propósito de outra palavra do momento, lançada já não se sabe bem por quem e recuperada dos tempos bafientos de Salazar: o assistencialismo. Vem isto a propósito do novo programa “Plano de Emergência Social” do ministro Pedro Mota Soares, que até já li no Facebook ser “o melhor ministro da Segurança Social que Portugal já teve” (e viva a estreiteza de vistas e de perspectiva histórica).

Os críticos da coligação, que são cada vez mais, acusam a ideia do ministro, uma das pedras de toque propaladas pelo então candidato Fernando Nobre antes da campanha eleitoral, de cheirar a mofo e de ser uma caridadezinha cristã para com os pobrezinhos deste país. E por falar na Igreja, o padre Vítor Melícias, o tal que tem uma pensão de mais de sete mil euros, veio logo dizer: “Não podemos dar restos aos pobres; os restos dos medicamentos, por exemplo”.

A verdade é que algo tem que ser feito. O país está em desequilíbrio gritante, há muitos anos, e continuam a ser os mais pobres a pagar a balança que pende apenas para um lado. São de novo esses que vão sofrer mais com o aumento do gás, da electricidade, dos transportes, da água quando for privatizada, dos correios quando seguirem o mesmo caminho (começando pelo IVA que agora vai passar a ser cobrado). Tal como na Idade Média, em que o objectivo era manter os escravos vivos, com força para trabalhar, e apenas e só isso.

O tão chamado ataque à classe média, que a coloca em perigo de extinção, prende-se com uma determinada pose e estilo de vida que passa por ter LCD’s, férias no Brasil, Blackberry’s e BMW’s. A esses, que agora se queixam de dificuldades, não me parece que seja devida qualquer compreensão ou razão.

Este estilo novo-rico está também nas mentalidades. Parece que agora o governo decidiu que todos os exames médicos passam a existir apenas em formato informático. Sim senhor, muito bem, excelente ideia, somos os maiores e mais uma vez lideramos o mundo na inovação. Agora gostava de ver como explicar a tantos e tantos velhotes perdidos nas aldeias de Portugal, e mesmo em aldeias paradas no tempo no centro de Lisboa ou Porto, gostava de ver explicado a esses cidadãos que de repente já não podem ver o estado da sua saúde, simplesmente porque uns senhores sentados à secretária, nados e criados no mundos das novas tecnologias, decidiram que sim. Que vamos poupar dinheiro? Vamos sim. Que vamos desrespeitar muitos cidadãos? Vamos sim senhor.

Mas honra seja feita a este governo. Voluntarismo há muito, por exemplo em Assunção Cristas, que no entanto, candidamente numa entrevista ao Expresso, reconhece que “caíu de pára-quedas” e que “felizmente” tem secretários de Estado que percebem do assunto.

Na ordem do dia está também o imposto sobre grandes fortunas, que Vítor Gaspar parece estar a levar a sério. A ideia não é dele, veio de Warren Buffet e de milionários franceses, mas é bom que Gaspar comece a interiorizar uma medida que é lógica.

Uma palavra final para um político a sério, que a sério mudou mentalidades e que a sério lutou por um mundo melhor. A 28 de Agosto de 1963, Martin Luther King disse ter um sonho e não se coibiu de dizê-lo alto e bom som. Pagou com a vida tal ousadia mas as coisas agitaram-se. O racismo ainda existe e é uma doença provavelmente sem cura mas a verdade é que Barack Obama inaugurou um memorial em honra de King no passado Domingo no National Mall, a gigantesca esplanada a sul da Casa Branca, em Washigton, o primeiro não dedicado a um antigo presidente ou a uma guerra. Já não há heróis como King.

“Básica é a senhora e tem que beber mais chá para deixar de ser básica”

27 Jul

Mais uma semana, mais uma peixeirada entre Alfredo Barroso e Teresa Caeiro. O nível de debate (?) entre ambos no Frente-a-Frente da SIC Notícias tem tido episódios bastante truculentos, mas nunca como nesta semana. Teresa Caeiro esteve muito mal, Alfredo Barroso mal esteve, Mário Crespo pior que os dois. “A si custa-lhe ter um debate com elevação e sem tentar arrastar toda a gente para um lamaçal, que é onde o senhor gosta de se mover”, por Teresa Caeiro. “O senhor tem um discurso básico”, novamente Teggy. “Básica é a senhora e tem que beber mais chá para deixar de ser básica”, desta vez Alfredo Barroso. E Mário Crespo sem mão (ou sem vontade) de pôr termo a este decadente espectáculo.

Teresa Caeiro é deputada, vice-presidente da Assembleia da República, antiga secretária de Estado da Cultura. Alfredo Barroso é fundador do PS, antigo secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e antigo Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Mário Crespo, um dos principais rostos da SIC Notícias, único jornalista português credenciado junto das presidências de George H. Bush e Bill Clinto. Não estamos a falar de zés-ninguéns sem responsabilidades ou sem currículo, e mesmo a esses a falta de educação e de nível seria censurável.

Tal como o programa está desenhado, os dois protagonistas representam a esquerda e a direita em Portugal, ou alguma esquerda e alguma direita, e não podem apresentar um chorrilho de disparates como aconteceu. Mário Crespo representará (e aqui o condicional não é ilusório) uma certa nata do jornalismo. Não pode embarcar, mais uma vez, em sectarismos e opções políticas, legítimas é certo, mas noutras esferas.

É por estas e por outras que o português comum (e o mais seleccionado, já agora) não se inibe e já chama à boca cheia de palhaços, chulos, energúmenos e outros bonitos apelidos quem nos governa. E também quem põe a falar quem nos governa. Repare-se na blague da SIC Notícias sobre a interpretação do novel ministro das Finanças, Vítor “primo de Francisco Louçã” Gaspar do composto de palavras “desvio colossal”.

Palavras para quê, parece que já não é (terá sido alguma vez?) para levar a sério.

Voltando à Teresa e ao Alfredo, bom, quem sabe não é tudo sintoma de quem precisa de ir de férias urgentemente. Mas não vão, porque o Orçamento Rectificativo já está aí à porta.

Quanto ao povo? É tudo uma questão de interpretação. Pá!

A4? A8? Ba2?

20 Jul

Nesta estreia, já agendada há duas semanas mas entretanto retardada é verdade, são várias as pontas, soltas ou não, que pretendo aqui inscrever. Pensamentos, impressões e sentimentos da última vintena de dias, até a escrita encarrilar e as palavras encontrarem o seu curso natural.

Estive em Paris no início do mês. Um fim-de-semana prolongado, de trabalho é certo, mas as obrigações não nos tornam invisíveis e insensíveis ao que nos rodeia. França parou com a libertação de DSK. Nas televisões, em directo de manhã à noite, com reportagens, notícias, debates, análises e opiniões. Nos jornais, todos dedicavam várias páginas ao assunto, ou affair, com presença obrigatória nos editoriais.

Por cá, discutia-se a morte de Angélico, com o mesmo formato tablóide. Autofagia do jornalismo, direi eu. Usar, gastar até à exaustão, enjoar, repetir até não haver nada mais para dizer. E ignorar o resto.

Dirão que os franceses querem mesmo saber se DSK forçou a tal funcionária do hotel ou se o sexo foi consentido. Ou que os portugueses pelam-se por esclarecer se Angélico levava o cinto posto ou não. Aceito que sim, mas não é preciso elevar as duas situações a quase assunto de Estado. Porque com o destaque que é dado, as audiências quase se vêem na obrigação de saberem, também elas, tudo o que se passa, e entramos num processo de pura bisbilhotice.

Não digo que nos cinjamos apenas a debater a crise, a mil e uma reportagens iguais sobre como poupar no supermercado, a notícias bombásticas (?) sobre gastos em combustíveis em carros do Estado e secretárias e férias e etc. e tal. Mas é preciso perceber que estamos numa crise muito grave e não podemos tentar disfarçá-la com assuntos do coração, para afastar as atenções do que (não) anda a ser feito. A começar por nós, que facilmente deixamos que nos coloquem a pata em cima. E que aceitamos isso mesmo como natural.

Com papas e bolos se enganam os tolos. A pão e circo. Dispenso papas. Dispenso bolos. Dispenso pão. Dispenso circo. Exijo apenas respeito. Porque não vou trocar um Audi A8 por um Audi A4 para combater a crise, tal como o iluminado arquitecto Saraiva sugeriu no seu iluminado editorial no Sol.