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Alberto Enriquecimento João Ilícito Jardim

23 Set

O País esta em choque com a descoberta da divida oculta da Madeira. Talvez não todo o País , apenas aqueles que estiveram em coma nos últimos 20 anos e só agora despertaram para um Portugal a braços com um grave problema de dívida soberana, governado via wi-fi directamente de Berlim. Quem cá esteve a ansiolíticos nos últimos tempos já há muito que desconfiava que aquilo lá na madeira não era só carnaval em trajes menores.

Não só a malta já desconfiava, como havia quem já tivesse muitas certezas acerca disso. Quem ouviu António Costa esta semana na “Quadratura do Circulo” (um programa onde Pacheco Pereira discursa em desacordo com o novo acordo ortográfico), ouviu um dos maiores actores da vida política portuguesa a acusar outros políticos – neste caso os da madeira – de claro enriquecimento ilícito. Ora, este mesmo António Costa faz parte de um partido (by the way chamado socialista) que hoje mesmo votou contra a nova lei do enriquecimento ilícito, usando o mesmo argumento que fora já usado no período socrático para chumbar uma outra proposta do género vinda da esquerda parlamentar. Esse argumento, a chamada inversão do ónus da prova, era segundo os socialistas uma coisa muito muito grave, perversa até, que iria perseguir uma serie de pobres coitados, e que iria conduzir a uma caça as bruxas.

Ora, meus caros como falar de ónus, ainda para mais em noite de clássico não ajuda nada à digestão eu passo a explicar nesta minha forma saloiaomasoquista o que isto significa: O ministério publico desconfiando que algum detentor de cargo público tem vindo a enriquecer de forma anormal, pode a qualquer momento intima-lo a explicar a origem de tal riqueza. O arguido terá então que se defender, comprovando que a origem das receitas é ilícita ou não Ora, isto é a inversão do ónus da prova. O que acontece hoje em dia, é que o Ministério Público para acusar alguém tem que constituir provas muito concretas. Acontece que sem acesso a documentos essenciais nunca poderá provar nada – o que por acaso tem acontecido sempre nos últimos anos.

Esta atitude do PS e em especial do António Costa, faz-me lembrar aquele célebre sketch dos “Gato Fedorento” acerca da posição de Marcelo Rebelo de Sousa no referendo sobre a despenalização do aborto. Diz o António que há enriquecimento ilícito na Madeira, que isso é crime, mas que não se pode acusar Alberto João e os seus comparsas, porque isso é inverter o ónus da prova, e que isso é errado…

Pois bem Alberto, como podes reparar o título do meu texto é uma acusação pura e dura perante a tua pessoa… Convido-te a provar o contrário .

Vou ler o sermão do Padre António Vieira aos peixes…

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Berlusconi, Israel e Passos Coelho

2 Set

retirada do cartoon movement

“Vou-me embora deste País de Merda! “. A frase é de Berlusconi e foi retirada de uma das muitas escutas que incidiram sobre ele. Publicar, e acima de tudo escrever acerca de escutas, é o mesmo que vasculhar no lixo, no entanto exponho-me a tal pela efeméride que esta declaração encerra em si mesma. O indivíduo que mais contribuiu para deixar a Itália na merda, ameaça abandonar a obra-prima. Sempre me chocou caminhar pelas ruas de Florença onde a herança cultural é tão forte e tão concentrada que nos faz parecer demasiado pequenos em contraponto com o espectáculo decadente e funerário a que assistia de cada vez que ligava a televisão – a primeira grande herança pornográfica deixada por si ao País. Berlusconi, ou a “coisa”, como Saramago o apelidou, cavou fundo como nenhum outro havia feito, o buraco onde jaz agora tudo aquilo que os grandes mestres italianos deixaram ao mundo. Prostituiu o País ao sabor dos seus interesses cobrindo de ridículo a memória dos seus antepassados. Deixo-vos com a totalidade da “porcaria” transcrita, desculpando-me deste já pela falta de responsabilidade higiénica, mas penso que se eu próprio quisesse fazer um hino à ironia, não encontraria melhor prefácio:

“Sou transparente, tão limpo com os meus assuntos, que não há nada que me possa perturbar. Não fiz nada que possa ser considerado um delito. Daqui a uns meses, vou-me ocupar dos meus negócios e vou-me embora deste país de merda que me dá vontade de vomitar”.

Silvio “a coisa” Berlusconi.

Ficou prometido para hoje a publicação de um relatório da ONU acerca do massacre perpetrado por Israel em 2010 à “flotilha” oriunda da Turquia que visava romper o bloqueio a Gaza. Pelos vistos são 105 páginas que repreendem a acção do Governo Judaico.

Trocado por miúdos, em 2010 Israel matou indivíduos inocentes (mas isto já não é surpresa para ninguém), e a ONU reage em 2011 com um relatório cheio de reprimendas. Estou já a imaginar o primeiro-ministro Israelita cheio de medo, trancado a sete-chaves no seu gabinete, desfolhando em pânico todas aquelas 105 páginas.

Mas vá lá, vamos pelo menos esperar que no futuro a ONU mantenha o carácter de regulador a nível mundial de toda a política geoestratégica… Excepto quando os Estados Unidos estiverem envolvidos… Ou Israel. Ou mesmo o Irão. Ou a Venezuela… Ou até Cuba… Ou qualquer um outro que ouse desafiar todas aquelas fortes represálias em voga pela ONU, isto é, relatórios com mais de 100 páginas.

Retirado do Cartoon Movement

Ainda em relação à recusa do governo Português em taxar os grandes capitais – cuja carga fiscal no nosso País é metade quando comparada com a carga fiscal incidente sobre os rendimentos do trabalho, Passos Coelho disse o seguinte “se Portugal adoptar medidas fiscais “muito mais agressivas”, os capitais fugiriam para outros países”

Como pelos vistos não basta o que acerca disto escreveu um dos maiores liberais mundiais e que recordei aqui a semana passada, queria deixar apenas uma pequena reflexão. Há uns anos atrás uns gurus defendiam que a grande aposta da economia Portuguesa deveria ser a atracção de investimento baseado na oferta de mão-de-obra barata. Que caso se apostasse no reforço do valor do trabalho e na consequente especialização dos trabalhadores, que os capitais fugiriam de Portugal. A economia cresceu baseada num pressuposto errado – os trabalhadores em geral ganhavam pouco, mas havia muita oferta de trabalho. Produzíamos metade da média europeia, mas todos tinham a possibilidade de produzir. Depois apareceram todas essas mecas do trabalho barato, da Europa de Leste à China, passando pela América do Sul. Estas estavam para esses investimentos estrangeiros, como as offshore estão para o capital.
Desses tempos “áureos”

ficaram apenas de herança os salários baixos, e uma taxa de desemprego brutal.
Caro Passos Coelho, os grandes capitais não vão desertar mesmo que as taxas subam. Quem quer evitar impostos põe o seu dinheiro em offshores. Quem quer investir, olha essencialmente à capacidade da mão-de-obra, aos empecilhos legais e à capacidade da classe política em governar através de períodos de grande dificuldade. Passos, se fosse suficientemente corajoso, respondia de imediato a esta terceira premissa, sendo que as outras duas precisam de algum tempo para serem solucionadas, visto que se tratam de problemas verdadeiramente estruturais do País.

Uma Buffett(ada) de luva branca, e quem pagou essa mochila fui eu!

19 Ago

“Stop Coddling the Super-Rich” publicado dia 14 no New York Times, é um interessante artigo de opinião do multimilionário Warren Buffett. Dos mais esquerdistas que o detestam, ao maiores gurus liberais que o  idolatram, este investidor extremamente bem-sucedido, e pelos vistos um tipo simpático, veio dizer aquilo que comunistas, bloquistas e outros istas mais à esquerda, têm dito desde que existe alta finança – que é escandaloso a forma como os mais abastados são tratados face à restante população, especialmente em épocas de crise em que muitos sacrifícios são pedidos. Dito assim parece até simplista, mas vamos aos factos.
Buffett, diz que enquanto a classe média vai pagando a factura da crise, a malta em Washington continua extremamente empenhada em não chatear os mais mais ricos – (a.k.a os mais poderosos). Isto porque se baseiam no mito de que, se mais sacrifícios fossem pedidos aos mais endinheirados, estes deixariam de investir no País. Ora, Buffett diz-nos que isso é uma grande história da carochinha (a.k.a. uma treta do caraças), porque mesmo antes da massiva desregulação de mercado iniciada por Clinton, num período em que os impostos para as grandes fortunas eram muito mais elevados do que agora, Warren e outros milionários não deixaram de investir, antes pelo contrario! Não sou eu que o digo, é ele.
Mas o mais interessante, é a constatação de que o lucro obtido através do trabalho é muito mais taxado do que o lucro obtido através de especulação financeira. Imaginemos que o meu caro leitor é um comum cidadão americano. Ora, o lucro que obter nas oito horas de trabalho diário, apesar de pouco significativo, será muito mais taxado do que o lucro obtido por um indivíduo que no início de uma manhã compra uns milhares de acções de uma empresa em queda no mercado, e que depois as vende na parte da tarde quando estas já estão a subir, fazendo um encaixe significativo sem sequer levantar o rabo do sofá. Basta-lhe apenas um laptop e uns milhares para investir. Se o próprio Warren Buffett acha isto extremamente injusto, ele que é um dos maiores investidores mundiais, que hei-de eu pensar, que não tenho uns milhares para investir e que não me deixam trabalhar a partir de casa, confortavelmente sentado o meu sofá!
Ora, Buffet diz também que nem todos os “super-ricos” se opõem a um aumento de impostos, e que essa deveria ser uma medida adoptada de forma a aliviar um pouco o fardo sobre os que mais contribuem para pagar uma crise que eles próprios não criaram (a.k.a. a classe media). Diz-nos também que em geral muitos destes mega-hiper-ricos são essencialmente pessoas decentes – eu, ao contrario de Francisco Louça, também sempre pensei o mesmo. A ideia de que quem é rico é um pérfido vilão e de que quem é pobre é um santo sofredor, faz tanto sentido quanto a doutrina por estes dias propalada a respeito da violência em Londres, e que nos diz que o que assistimos terá tido origem no descontentamento dos mais pobres! Pobre, meus amigos, é quem trabalhou toda uma vida e que nunca conseguiu viver condignamente e sem necessidades. Os únicos pobres que participaram nos saques que todos vimos em directo, foram apenas os pobres… de espírito

Esta semana temos também vindo a assistir em directo de Madrid a uma serie de pequenos episódios, que mostram como é ridícula a intolerância quando se extremam posições. Que o Papa tenha ido a Madrid, isso é lá com ele. Que muita malta jovem tenha trocado o descanso de umas boas férias, pela participação numa série de missas repletas de alguma histeria, e, muitas canções ao som de guitarras acústicas balanceadas pelo abanar de muitos lencinhos coloridos, isso é-me totalmente estranho e indiferente. Que o governo de Espanha tenha financiado isto, como financia normalmente qualquer outra festividade, parece-me também absolutamente normal. O que me parece juliapinheiresco são os argumentos das manifestações Anti-Papa! Ontem estes indignados laicos gritavam para a malta dos lencinhos e bonés coloridos “essa mochila (uma mochila oferecida aos participantes com material a ser usado durante as missas e afins) fui eu que a paguei!”. E isto é tão mesquinho e tão ridículo, que eu vejo-me na necessidade de fazer uma conta tão simples: O governo espanhol vai gastar 5 milhões para organizar este evento onde são esperados cerca de um milhão de participantes (a malta colorida e outros tantos que irão assistir). Ora, se cada uma destas pessoas gastar nem que seja uma vez 5 euros, o investimento tem desde logo o seu retorno assegurado.
Estou desde já a imaginar no próximo S. João uma manifestação protagonizada por todos aqueles que não gostam de festas, onde se ouvirão gritos de revolta em direcção a todos aqueles que tragam o martelinho na mão: “Esse fogo de artifício, fui eu que o paguei”.
Esta malta está a fazer tanto pela causa laica quanto o Fernando Nobre fez nos últimos tempos pelos movimentos de cidadania!

 

Razões para um sub-desenvolvimento – A Cunha

22 Jul

Não o Cunha que é um gajo porreiro, mas sim a Cunha. Com letras maiúsculas correspondentes ao nível de atraso que esta forma de actuar provoca ao País. A cunha é um círculo vicioso que resulta no pagamento de favores através de outros favores. Ora, como cada um de nós já foi pelo menos uma vez na vida agraciado por esta forma de estar, de agir, almofadámos a nossa consciência e olhámos para ao lado quando este assunto é posto em cima da mesa. Diferente da corrupção activa, a cunha não deixa de ser também uma forma corruptiva, uma vez que favorece de uma forma desigual alguém, perante os seus iguais. Somos tão céleres a criticar os chamados “jobs for the boys” tão inerentes à nossa classe política, mas todos nós já fomos um boy que se calou e agradeceu muito por um qualquer tipo de job que lhe foi arranjado.

Como somos no fundo todos culpados, ou porque já beneficiamos, ou porque providenciamos para que alguém beneficiasse, ou mesmo porque nos calamos quando vemos alguém a beneficiar indevidamente (record nacional para o maior uso da palavra beneficiar numa frase) tolerámos facilmente este estado de coisas. O resultado está à vista.

Empregos atribuídos a indivíduos com capacidades inferiores a outros pretendentes ao mesmo local de trabalho, promoções de carreiras assentes em critérios como “amizade”, “antiguidade” e outros por vezes até mais obscuros que ficam ao critério da imaginação de cada um. Ora estes “critérios” são tão ridículos e obsoletos que podem ser facilmente desmontados com o seguinte exemplo: Imagine que está na mesa de operações pronto a ser operado. Aquele cirurgião de talento reconhecido e créditos firmados que o ia operar decide no derradeiro momento não o fazer mas dá-lhe alternativas. “Bem sei que a sua operação é de extremo risco, mas eu tenho onde estar às oito da noite, de forma que não me dá muito jeito operar hoje de tarde…. mas não se preocupe que no meu lugar fica o Dr.F. Não se preocupe ele é muito meu amigo… garantias? Bem tal como lhe disse, já o conheço desde os meus 10 anos! Ah… compreendo… bem nesse caso tenho outra solução, fica cá o Dr. T. Se ele já fez muitas operações de risco? Isso não sei, mas ele já é médico há mais de cinquenta anos…” Quando as questões são de vida ou de morte, a competência passa a ser um facto incontornável, certo? Errado, pois não deveria ser apenas em situações extremas, mas sim no dia-a-dia, em todos os momentos em que um ser humano é chamado a desempenhar uma tarefa.

A tolerância relativamente a este cancro que nos vai consumindo lentamente, minando as nossas instituições e as nossas empresas com quilos e quilos de incompetentes que não só comprometem o seu trabalho, como também o trabalho dos colegas, é no fundo a tolerância face à catástrofe que vemos a chegar bem lá ao fundo, mas que na verdade pensamos que nunca nos chegará a atingir.

Esta torpe dormência é um atentado contra todos aqueles que sempre pautaram a sua acção pelo profissionalismo, ao mesmo tempo que vai afastando os mais competentes para outras paragens menos tolerantes à cunha e ao pequeno favor.

Esta revolução de mentalidades não pode ser inscrita em nenhum programa de governo, pois começa e acaba em cada um de nós.

P.S.1: Nogueira Leite, confesso apoiante de Pedro Passos Coelho, foi nomeado pelo novo governo para o conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos.

P.S.2: Alguns autarcas socialistas enviaram cartas aos militantes do próprio concelho onde se pedia o voto explícito em António José Seguro.

P.S.3: Algures neste momento alguém beneficiou de uma cunha para arranjar emprego, ou para progredir na profissão. Do outro lado da barricada, alguém tenta perceber porque não conseguiu o emprego para o qual era o mais qualificado.

Razões para um sub-desenvolvimento – A Mentalidade

15 Jul

Queria começar aqui uma série de reflexões em torno de todas as razões que nos fazem continuar com patamares de desenvolvimento quase em tudo inferiores aos nossos restantes vizinhos europeus. Não pretendo fazer diagnósticos exaustivos, nem fazer sermões aos peixes. Pretendo apenas que cada desgraçado que opte por ler isto, ainda por cima em plenos dias de férias e com um sol extraordinário lá fora, faça apenas uma pequena reflexão individual e uma espécie de auto-análise.

A mentalidade. Por norma temos uma atitude de desculpabilização face ao nefasto destino que parece estar sempre associado a Portugal. Quando confrontados por alguém que não viva no nosso País acerca das razões para esta profunda crise, que dura já desde, digamos por exemplo 2001 (e estou a ser generoso), começamos imediatamente por dizer que a culpa é dos nossos políticos, que são muito maus. Ora meus caros, esse argumento não colhe, porque em geral os políticos são maus. Perguntem a um Finlandês, ou a um Sueco o que é que eles pensam acerca da sua classe política, e a resposta será a mesma que a de um Italiano ou a de um Grego. Quero eu dizer que não são os políticos na sua totalidade que condicionam o desenvolvimento de um país. É o povo que faz o País. Se um povo não produz o suficiente, se se deixa engendrar por interesses corporativistas de algumas classes profissionais, se os patrões em geral são menos qualificados que os empregados e têm uma visão estratégica e de expansão de negócio igual à de um fabricante de piscinas em pleno deserto, não se pode esperar que o milagre do crescimento económico aconteça. Tragamos o ministro da educação Finlandês, o ministro Sueco das obras públicas ou o ministro da economia Japonês, e não mudemos a nossa mentalidade face ao rigor, à pequena corrupção, à tolerância do mercado negro de trabalho, e vejamos que reformas poderiam ser levadas a cabo… ZERO!
Continuemos a tolerar a delapidação dos recursos públicos pelos corporativismos do ensino, da justiça, da construção e da saúde, e quem sabe um dia deixaremos de fazer sacrifícios para salvar o País, pois este provavelmente deixará de existir.

Está na hora de deixar de fazer vista grossa à pequena corrupção que nos rodeia, à cunha e a esse círculo vicioso de favores como pagamento de outros favores.

Está na hora de deixarmos de ter orgulho na nossa capacidade de “desenrascanço”, que mais não é que um sinónimo de atraso, próprio de quem não tem a capacidade de organizar o próprio trabalho e consequentemente a própria vida. “Desenrascar” significa fazer algo mais-ou-menos bem num curto espaço de tempo, que poderia ter sido feito melhor, com mais tempo se “organização” não fosse apenas um termo estranho que se encontra no dicionário.

No fundo, ou mudamos de mentalidade, ou qualquer governo ou troika do futuro, não será nada mais do que um prestador de cuidados paliativos.

P.S: António José Seguro, com os seus discursos altamente demagógicos e a sua prestação no debate, conseguiu aos meus olhos uma coisa extraordinária e que eu nunca pensei ser possível: transformar Francisco Assis num candidato de valor à liderança do PS!

Continua assim em aberto a luta pelo cargo oficial de futuro-prospector-de-água-no-deserto de Portugal

I’m not in a good moody’s…

8 Jul

O corte abrupto e escandaloso do rating da dívida Portuguesa por parte da Moody’s, numa altura em que o País toma medidas absolutamente drásticas para a redução da despesa, só me leva a crer que nos aqui na Europa já andamos a ser gozados há muito, muito tempo!
Senão veja-se: Há um País com altos níveis de endividamento e com um défice excessivo e cujo produto irá crescer este ano entre 2,5% e 2,7%, muito abaixo do que todos esperariam. Esse Pais é o campeão mundial do endividamento externo:

Apesar disso esse País continua muito bem cotado pelas agências de rating:

Não, não estou a falar de Portugal ou da Grécia.
Ora, os nossos amigos do outro lado do oceano têm um tecto de endividamento que será ultrapassado em Agosto, e que se mantendo legislativamente, os impedirá de pagar as suas dívidas. O curioso, é que os mesmos analistas de mercado que chamam Portugueses e Gregos de incompetentes porque nunca souberam regular as suas contas públicas, são os mesmos que pedem para que o Congresso Americano aprove o alargamento deste tecto legal, para que os Estados Unidos continuem a aumentar a sua, desde já astronómica, divida externa.
E o argumento, se bem que economicamente muito bem explicadinho por muitos gurus da economia, resume-se em grandes traços a um apelo a que os Estados Unidos continuem a gastar mais para que o mundo não entre em recessão. Um pouco diferente da nossa receita, que deveremos continuar a gastar cada vez menos.

Por tudo isto não sei que mais escrever acerca desta vergonha a nível mundial, deste circo em que os mercados financeiros se tornaram. Esta gente esta a fazer mais pelo colapso do capitalismo tal como o conhecemos, do que toda a extrema-esquerda espalhada por esse mundo inteiro.

Para terminar, e depois de umas boas gargalhadas proporcionadas pelo relatório da Moody’s , e que aconselho vivamente a leitura, queria apenas referir o facto de que a Moodys pelos vistos conhece muito bem a realidade Portuguesa. De tal forma que devia andar ocupada a analisar as economias europeias, no momento do “quase” colapso da economia mundial resultante da falência de alguns dos bancos de investimento, por sinal cotados com AAA.

Fernando Nobre, Rui Tavares e Francisco Assis. O que vale é que as férias já estão mesmo aí..

24 Jun

Fernando Nobre, ao aproximar-se do PSD, mesmo como independente, cometeu um perfeito Seppuku Politico. E tudo isto porque após as Presidenciais, não pôs em prática uma coisa que normalmente se apelida de distanciamento político. É uma espécie de coup de théâtre que os intervenientes políticos põem em prática de cada vez que perdem eleições, e que consiste em fazer de conta que se está afastado da vida política activa, para depois voltar num momento de necessidade (normalmente do partido, quase nunca do Pais). Nobre expôs-se demais num jogo perigoso, dominado muitas vezes por rufias e que ele claramente não sabe jogar. Mas o que me deixou mais perplexo em toda esta embrulhada, nem foram as trapalhadas de Fernando Nobre, nem mesmo a sucessão quase surreal de todos estes episódios. São estes contínuos julgamentos de carácter a que tenho vindo a assistir, ainda para mais vindos de indivíduos cuja passagem pela terra poucas marcas deixará, e que me fazem ter vergonha deste estado de espírito mesquinho e recalcado que sinto ser ainda abundante em Portugal. A vontade de criar mitos e de os destruir à pedrada na praça publica, parece ser a contribuição que muito boa gente quer deixar em legado aos seus concidadãos, quase como um convite a abrir bem os pulmões no meio de uma lixeira.

Outro julgamento de carácter foi aquele a que assistimos também esta semana lá para os lados do BE. Mais um célebre diz-que-diz-que, com jornalistas pelo meio, que levou um líder partidário a lançar suspeitas na praça pública, sem consultar previamente os intervenientes de tal imbróglio Francisco Louça continuara de buraco em buraco, até ao dia em que o Bloco se reduzir apenas aos 4 iniciais.
Quanto a todo este episódio e à saída de Rui Tavares do Bloco, que muita celeuma tem vindo a causar, mais uma vez pergunto: alguém gosta de respirar bem fundo, numa lixeira a céu aberto?

E como não podia deixar de ser, no final de uma semana marcada pela crispação política em torno não de ideias, mas sim de ideias preconcebidas que temos de outros, não faltou o outro ingrediente tão comum no nosso quadro político actual – a Demagogia.

Gostei muito de ouvir Francisco de Assis a falar na abertura dos partidos à cidadania. A ideia de que o cidadão comum poderá votar nas primárias para eleger os candidatos do PS às próximas eleições autárquicas ou mesmo legislativas, parece-me excelente, mas absolutamente demagógica no quadro actual. Primeiro porque vem de alguém que será candidato à liderança do seu partido sem ter passado por qualquer espécie de quórum popular; Segundo porque advém de um partido que se lembra da cidadania após obter uma derrota estrondosa, e que durante anos foi o exemplo máximo de clientelismo político; Terceiro porque se há uma coisa em que Assis sempre se destacou foi pela fidelidade inequívoca ao partido e aos seus líderes. Eu pessoalmente duvido que alguém, assim tão partidariamente escolarizado possa comandar essa revolução, que assumo, será mais tarde ou mais cedo necessária

“Portugueses que plantaram pepinos no ‘Farmville’ querem apoios do Estado”

17 Jun

Quem comprou o Público de hoje, sabe bem a que me refiro. Mas a principal razão pela qual faço referência ao texto do Inimigo Público, prende-se com o facto de que hoje é sexta-feira, e o Sporting acabou de contratar dois Holandeses que me vão dar uma carga de trabalho a pronunciar os nomes, caso joguem regularmente.
Ora, tudo isto leva-me ao assunto principal deste post, e sobre o qual tenho reflectido bastante nos últimos tempos, principalmente a partir do momento em que soube que José Sócrates se ia dedicar à Filosofia. Ora, a questão que me assalta a mente é a mesma que provavelmente o futuro filósofo ex-primeiro ministro já não coloca a si próprio: Qual o futuro do PS?
Com alinhamento em Capricórnio será seguramente diferente do que com alinhamento em Saturno. Mas deixo isso para os experts.
Se o futuro do PS não parecia muito prometedor após as primeiras divulgações de resultados na noite eleitoral, pelo menos houve um momento em que as coisas não ficaram piores. Não, não foi a derrota estrondosa do BE, ou a subida tímida de Portas que a certa altura chegou a pensar que concorria a primeiro-ministro. O momento mágico foi precisamente aquele que ocorreu com José Sócrates durante o seu discurso de aceitação Ghandiana da derrota e de contemplação platónica da vida pós-política, quiçá um reflexo do filósofo que já existia dentro de si. Houve nessa epopeia um instante que poderia ter mudado tudo, que foi quando o primeiro-ministro derrotado anunciou que tinha apresentado a sua demissão do cargo de secretário-geral do PS. Durante 2 tímidos segundos ouviram-se umas vozes pouco precisas que gritaram “não”, “não”, “não”!!!

A magia veio quando Sócrates, para grande alívio meu e calculo também de muitos portugueses, disse gravemente e decidido que não voltaria atrás com a sua decisão. “Porra”, pensei, “queres ver que o gajo ainda me dá aqui uma volta e continua na política activa! Afinal não foi este indivíduo que disse que nunca governaria com o FMI, e depois se recandidatou a primeiro-ministro!!!”.Pois bem, esta foi uma grande vitória do PS, que para muitos passou incógnita, mas que eu acho que deve ser referida tal a importância futura desta, para a saúde mental de muitos portugueses, entre os quais destacaria Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, e o próprio Sócrates (o verdadeiro, o filósofo, aquele que morreu há vários séculos e que se tem retorcido no purgatório – na secção dos pensadores antes de Cristo – de cada vez que vê o seu nome estampado pelas piores razões nos jornais).
Depois que o perigo foi afastado, veio a confirmação de que agora as coisas iam ser más e muito chatas para o Partido Socialista. Quem o veio dizer nas entrelinhas foi o futuro futuro líder do PS que sucederá ao agora futuro líder. Quando António Costa veio dizer que não trocaria a Câmara de Lisboa pela liderança do partido, porque se mantinha fiel aos compromissos, bleu bleu bleu pardais ao ninho, o que ele queria dizer na verdade, e directamente do seu gabinete no Intendente, era: “Dass, eu não quero ser o futuro Ferro Rodrigues!”.

Pois bem, e o que fez a seguir! Empurrou o pobre coitado do Francisco Assis para gerir em duodécimos o PS, até ao momento em que as coisas pareçam de novo bem encaminhadas para o PS, ou seja quando Portas “roer a corda”, mais coisa, menos coisa.
Como este post está a ficar cada vez mais refinado com linguagem própria de quem não escreve no público ou comenta na quadratura do círculo, gostava de referir apenas alguns pequenos pontos em jeito de conclusão fast food:

Primeiro: Não é tão evidente que António José Seguro será um líder tão apático e tão vazio quanto muito comentador gourmet têm vindo a reforçar;

Segundo: é o lugar em que em prevejo que acabe Francisco de Assis na corrida à liderança do PS;

Terceiro: é a posição na qual não quero voltar a ver o Sporting num futuro mais próximo;

Quarto: bastou um e de hotel, para tramar um dos “socialistas” mais influentes do mundo;

P.S: Nuno Gomes também concorre para a liderança do PS

A Culpa da Esquerda

10 Jun

Domingo passado fica marcado como um dos maiores desastres eleitorais de sempre da esquerda em Portugal. E os responsáveis são 2: o descaracterizado Partido “Socialista” de José Sócrates e o “não-sei-bem-já-como-o-caracterize” Bloco de Esquerda.
Imagino o quanto angustiante tenha sido esta campanha para qualquer socialista com um Q.I. superior a 65. Ver o candidato do seu partido, que uma vez disse que nunca governaria com o FMI, concorrer a umas eleições que serviriam apenas para escolher quem iria pôr em prática o compromisso assinado com a Troika, deve ter sido difícil. Como se isso não bastasse, teve ainda que bater palmas aos discursos deste mesmo líder, validando assim toda uma teoria Kubrickiana de que se não fora a crise mundial tudo estaria perfeito, e de que o principal partido da oposição (por sinal sociais-democratas) iria privatizar tudo desde a saúde, o ensino, passando pelo ar que respiramos. Não via argumentos de tanta substância desde aquela velha história de que os Comunistas comiam criancinhas…
Lunático, não encontro outra palavra para classificar José Sócrates e os seus assessores. Respiremos por agora um pouco, e lembremo-nos deste jovem político, como o brilhante estadista, nada agarrado ao poder, fluente em Inglês e Espanhol, que nos levaria a um futuro brilhante, não fosse aquilo que já todos sabemos de cor, que começa por “c”, acaba num “e” e tem “ris” lá pelo meio. Descansemos por enquanto, porque ele vai voltar para as Presidenciais, daqui a 10 anos…
Focando novamente a atenção naquele militante Socialista, o tal com mais de 65 de Q.I., está na hora de lhe dizer que já pode voltar a sair de casa, ver os telejornais, ler a imprensa escrita e já pode mesmo resgatar o cartão de militante, o tal que ficou escondido naquela velha arca no sótão Não que a governação do PS tenha sido um acumular de erros, houve momentos positivos. Graves, foram os dois últimos anos, a ausência de ideias, soluções e até mesmo de algum pudor. A falta de diálogo entre o Governo e os partidos à sua esquerda, e a inocência na presunção de que o maior partido da oposição iria continuar a fazer vista grossa a todos os PEC’s que foram sendo sucessivamente apresentados, a ideia de que se a coisa levasse o selo de “interesse nacional” nunca iria ser chumbado, era digamos, qualquer coisa para lá do Naïve…
Defendi na altura que a trapalhada em torno da apresentação e aprovação do último PEC, só poderia ser propositada. Que ninguém era tão politicamente inocente ao fazer as coisas daquela forma, ainda para mais para um calculista tão agarrado ao poder quanto José Sócrates. Disse-o e escrevi que o intuito era a vitimização perante uma situação que supostamente a oposição havia criado (pena que hoje em dia haja tantas estatísticas, e que não é só o Paulo Portas que tem acesso a gráficos). Esta floribelização ou calimerização era a última oportunidade para se manter no poder alguém, que em 2 anos destruiu toda a confiança possível em si para ocupar esse mesmo… Poder.

O Bloco de Esquerda acordou segunda-feira para uma nova realidade: a pura e simples sobrevivência. A estrada agora passa por uma redefinição total do seu campo de acção, ou seja, por uma profunda refundação: ou o Bloco se assume como uma esquerda que possa e queira governar, ou então desce de divisão, futebolisticamente falando.
Um dos grandes azares do Bloco, foi o facto de que à medida que ia ganhando mais deputados eleição após eleição, mais gente começou a ler os seus programas eleitorais. Nacionalização da EDP e da GALP, subjugação da Banca aos interesses do Estado (qualquer coisa como transformar a banca privada em várias Caixas Gerais de Depósitos) entre outros, não assusta apenas banqueiros e grandes capitalistas, assusta-me a mim e a muitos milhares de Portugueses.
Outro factor de desgaste do Bloco, foi a repetição exaustiva daquela ideia de que o Bloco era a “Esquerda”. De um momento para o outro, eu, que sempre me bati pelo sim no referendo ao aborto, defendi o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que sou a favor da escola e de um sistema de saúde públicos, passei a ser de direita, se tivermos em conta a equação: se não és Comunista ou do Bloco, então não és de Esquerda. Muitos destes descriminados revoltaram-se no domingo passado nas urnas!
Vejo agora muitos bloquistas a defenderem que o apoio a Manuel Alegre foi um desastre, que a moção de censura não teve nenhuma lógica de acção ou substância, que a recusa em falar com Troika foi um erro… Eu oiço e leio esta gente e pergunto-me onde é que eles estiveram nos últimos 2 anos, é que toda esta clarividência face ao próprio partido, passou-me ao lado!
É sério o momento para o Bloco. Agora que a verdadeira matriz ideológica foi chegando ao conhecimento do cidadão comum, desde a tasca do bairro ao táxi mais próximo, mesmo apesar dos seus programas eleitorais passarem a ser mais pequeninos e muito discretos, já não foi possível passar por entre as gotas de chuva. Acredito que muita gente no Bloco chegou mesmo a pensar que face aos brilhantes resultados eleitorais passados, Portugal estava cheio de Trotskistas, Marxistas, Maoístas eoutros istas! Não foram precisos 2 anos para demonstrar o contrário.
Cada vez mais me parece que quem anda nas máquinas partidárias se deixa facilmente embriagar com resultados eleitorais, subjugando muitas vezes o próprio pensamento ao chicote disciplinador do partido!
Muito mais poderia escrever acerca do Bloco, mas vou deixar isso a todos aqueles bloquistas que têm vindo a despertar nos últimos dias.

“Whenever you think you are facing a contradiction, check your premises. You will find that one of them is wrong.”

27 Maio

Podemos ser de esquerda e pensar que a renegociação da dívida trará mais problemas do que soluções?

Podemos ser de direita e achar errado que Angela Merkel governe a Europa como se governasse a Alemanha?

Podemos ser de esquerda e achar que o memorando da Troika, apesar de muito penalizador para a economia Portuguesa, surgiu como uma resposta realista a uma crise que nós, sozinhos, não somos capazes de enfrentar?

Podemos ser de direita e desconfiar que as agências de rating têm uma agenda obscura que gira em torno dos interesses dos grandes grupos económicos?

Podemos ser de esquerda, e aceitar que o mau momento que vivemos não é apenas consequência da ganância do “grande capital”, mas também da nossa própria incapacidade de ter uma economia saudável?

Podemos ser de direita e achar que o combate ao défice não é Tudo?

Podemos ser de esquerda e duvidar dos efeitos práticos da nacionalização da banca?

E ser de direita e apoiar incondicionalmente a forte regulação dos mercados?

Faz sentido ser de esquerda e acreditar que a direita também se preocupa com os pobres, os desempregados e os desprotegidos?

Podemos ser de direita e apoiar os protestos do movimento M19 em Espanha?

Podemos ser de esquerda e achar que os de direita não são todos um bando de conservadores, preconceituosos, sexualmente frustrados e aduladores de grandes tiranos fascistas?

Podemos ser de direita e aceitar que os de esquerda não são todos um aglomerado de anarquistas drogados, promíscuos, com sérios problemas de higiene e bajuladores de grandes tiranos comunistas?

Podemos ser de esquerda e admirar Churchil?

Ou então ser de direita e ter um poster do Che Guevara?

Acho que a grande reflexão hoje em dia não é se devemos ser de esquerda ou de direita. A questão é se precisamos mesmo de o ser?

N.B: A Frase é da Ayn Rand;

N.B.2: Eu tinha verdadeiramente a intenção de escrever uma brilhante dissertação sobre a dicotomia esquerda/direita. Como não fui capaz, e como apesar de tudo estamos em plena campanha eleitoral, acabei por escrever uma série de banalidades, que apesar de tudo não destoam da falta de conteúdo que se vem observando neste período;