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O vereador que paga dívida por bilhetes do Benfica

16 Fev

Na política vai-se vendo de tudo um pouco. Corrupção, soundbites infelizes, debates inflamados, pieguices, até mesmo casos (poucos) que são levados à justiça. De tudo vai aparecendo, mas daí a ver um vereador a solucionar uma dívida com bilhetes para o Benfica… Aqui vos deixo a notícia retirada de um jornal regional de Santarém:

“Divida por bilhetes do Benfica

O vereador da protecção civil da Câmara de Santarém, António Valente, já encontrou forma de resolver os problemas das três corporações de bombeiros do concelho. Em lugar de pagar as dívidas da Câmara aos bombeiros, correspondentes ao protocolo de transferência de competências, António Valente decidiu oferecer aos voluntários bilhetes para o jogo do Benfica com o Nacional da Madeira. “Com direito a estacionamento gratuito”, acrescenta o vereador Valente. Recorde-se que a Câmara de Santarém decidiu aplicar cortes de 30 por cento das verbas previstas nos protocolos que a autarquia mantem com os bombeiros voluntários do concelho. A autarquia tem sido alvo de queixas dos bombeiros por nem sequer terem pago o que deve aos bombeiros desde maio de 2010.”

Arranjem um buraco para o deputado Duarte Marques

19 Jan

 

É bom que o dia de hoje fique gravado na memória do jovem deputado e líder da JSD Duarte Marques, antes de uma próxima, em que se lembre de usar da palavra no parlamento. Numa intervenção em jeito de elogio ao novo acordo de concertação social, Duarte Marques, além de vir com a velha cantiga de que vivemos acima das nossas possibilidades, acusou as gerações mais velhas de terem penhorado o futuro dos jovens. Não merecia outra resposta senão a que podem ver, dada por Ana Drago. Se tiverem oportunidade vejam também a do Pedro Alves que nada fica atrás e que infelizmente não encontrei para postar aqui.

O disparate não mata. Mas envergonha, e muito!

2011, o ano da tragédia europeia

29 Dez

Chegados à recta final de 2011, é altura de fazer o balanço e arrumar a casa (se é que existe arrumação possível). Começámos com umas presidenciais, que a posteriori, se viu passarem ao lado do ano político. Em Janeiro poucos eram os que previam a encruzilhada em que a Europa se haveria de meter.

Vimos a democracia nascer com a primavera árabe, e o clube dos ditadores a cair como um castelo de cartas. Nunca o cliché “a união faz a força” se demonstrou tão verdadeiro. Ainda no médio oriente, a morte de Bin Laden deixa momentaneamente os EUA a rir, mas veremos se é um riso definitivo.

Já no ocidente o ano é marcado pela crise económica e financeira. Neoliberalismo, agências de notação financeira, ausência de uma politica económica para a zona euro, falta de capacidade de liderança e submissão constante aos mercados financeiros, arrastam a Europa para o que até à pouco era impensável: a sua extinção tal como a conhecemos hoje. O projecto político mais bonito alguma vez realizado no mundo, tornou o velho continente num local de paz, prosperidade, liberdade, e coesão social, que agora se arrisca a desaparecer, perante a falta de respostas políticas que regulem os mercados e devolvam a autoridade à política.

A Europa deixou de ser um projecto a 27, para ser uma entidade bicéfala, onde a austeridade impera, atirando milhões de Europeus para a pobreza. Governos eleitos democraticamente, caem e são substituídos por tecnocratas sem qualquer legitimidade popular para impor todas as medidas para estancar a dívida e corrigir o défice, não olhando a meios para o fazer. Tudo isto sob o perigosíssimo e falacioso discurso da fatalidade e inevitabilidade destas medidas.

Em Portugal o cenário não foi diferente, a crise e o pedido de ajuda financeira à troika marcaram o ano. Com um governo minoritário, uma boa dose de má governação e especulação financeira, fomos atirados para novas eleições, como aliás havia vaticinado Freitas do Amaral, quando invocou a história para dizer que nenhum governo minoritário chegou ao final da legislatura. Novo governo suportado na maioria parlamentar PSD/CDS, trouxeram o que os mais calejados esperariam: rompimento das mais bonitas promessas eleitorais e implementação de austeridade até ao limite. Ainda se lembram do que foi a campanha eleitoral, quando se justificava a não necessidade de subir impostos com o corte nas “gorduras do estado”? Mas o que lá vai, lá vai…

Factos! A população empobreceu, os pedidos de ajuda à Cáritas, Banco Alimentar, e muitas outras instituições aumentou exponencialmente e ameaça não ser suficiente para a necessidade dos que procuram esta ajuda. A saúde é hoje mais cara. O mercado de trabalho, incapaz de acolher os milhares de jovens à procura de uma oportunidade, tornou-se a selva do salve-se quem puder. Mas nem tudo é mau, o Fado é Património da humanidade e vimos em Portugal o surgimento de um movimento social activo que até então parecia adormecido. A cidadania activa acordou e está a fazer-se ouvir: tivemos o 12 de Março, o 15 de Outubro e 2012 promete ser um ano de mais acção cidadã.

 É absolutamente necessário que 2012 seja um ano de viragem no rumo da Europa. Mudar radicalmente o paradigma económico, colocando a economia ao serviço do desenvolvimento social, é um imperativo para que a sociedade, do homem explorado pelo homem, seja apenas uma página negra da nossa história.

63 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

8 Dez

Tecnocratas + comunicação = desastre

1 Dez

Tal como muitos, tento ser uma pessoa informada, leio os semanários, vejo os habituais programas de debate televisivo e tento fazer a minha opinião. Vejo sempre os mesmos comentadores, sempre os mesmos tecnocratas com as mesmas opiniões, com os mesmos olhos gordos de ambição de mais e mais dinheiro, mais e mais riqueza. Tudo me leva a perguntar, onde iremos nós parar?

Perguntem-se se lembram, nos habituais programas, de algum comentador que tenha defendido uma receita diferente da habitual? Será esta consonância de opiniões de certa forma premeditada? Sinceramente não sei. Não costumava acreditar em teorias da conspiração até há uns meses, mas crenças a parte, a verdade é que tudo isto produz um conformismo social bastante oportuno.

As pessoas, estão fartas dos políticos, cansadas de mentiras e campanhas eleitorais cheias de promessas que vão e vêm como a maré. O discurso volta-se contra estes e abre espaço para os tecnocratas, na esperança de, estes sim, saberem o que fazem. Nada mais errado! Tecnocrata: Estadista, ou alto funcionário, cuja autoridade se baseia em conhecimentos teóricos dos mecanismos económicos, os quais nem sempre levam em conta os fatores humanos e sociais. A própria definição é a razão pela qual estes não podem governar. Um país é muito mais do que números.

Vamos partir do exemplo do conceituadíssimo João Duque – a mais perfeita definição de tecnocrata. Foi comentador permanente do programa Plano Inclinado e a pessoa escolhida para coordenar a equipa que definiu o conceito de serviço público de televisão. As conclusões do relatório, penso que ainda foram piores do que se esperava, o que talvez explique as demissões durante a execução do parecer. Mas mais triste foi conhecer o que pensa João Duque dos idosos. Pode-se ler numa entrevista à revista do DN. À pergunta do jornalista: “Está a ver os velhinhos e as velhinhas, que são maioritariamente o público da RTP Memória, de iPad na mão ou na Internet a ver os conteúdos do canal que o grupo de trabalho acha que deve ser descontinuado?”, João duque responde: “Oiça, os velhinhos e as velhinhas vão falecer, infelizmente. É a lei da vida. E a rapaziada que está aí hoje vê muitíssimo mais televisão no computador do que na televisão.” No mínimo perturbante saber que pessoas destas podem influenciar a politica de um governo.

Partindo do pressuposto deste pensamento, nem valeria a pena gastar dinheiro em cuidados de saúde com aqueles que se encontram no fio da navalha. Afinal para quê gastar dinheiro com uma pessoa em vias de morrer? Mas vale Prof. João Duque, vale a pena…     E a ideia de que a “rapaziada que aí está hoje” vê mais televisão no computador do que na televisão parece um pouco empírica, ainda para mais, numa pessoa que tanto se sustenta em números. Além disso, revela um tanto de ignorância acerca de realidade de Portugal. Talvez o Prof. João Duque esteja habituado a ver os jornalistas (aqueles não precários e que ganham bem) e os seus colegas comentadores, a andar pelas redacções dos canais televisivos onde comenta, de tablet na mão, mas experimente sair um pouco de Lisboa e ver se aqueles que trabalh(r)am na DELPHI, QIMONDA, YAZAKI, GROUNDFORCE, ROHDE, ou na fábrica da OPEL, e os seus filhos, também vêm televisão no computador.

Todos os dias somos levados a acreditar que estamos perante o inevitável, porque todos os dias ouvimos os mesmos profetas da desgraça. Mas existem pessoas com outras soluções para a crise, quem pense de forma diferente, se indigne com a injustiça, queira redistribuir melhor a riqueza e repudie fatalismos e soluções únicas. Não têm o mesmo espaço mediático é certo, mas enquanto não o tiverem, não comamos tudo o que nos querem fazer crer.

Greve!

24 Nov

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Auditoria cidadã à dívida

17 Nov

Para bom entendedor meia palavra basta. Assim podemos interpretar a forte oposição de Cavaco e Bruxelas a uma auditoria à divida. Quanto a Bruxelas não tenhamos ilusões, o resgate a Portugal e a outros países em difuculdades não é caridade, o pagamento dos juros desse empréstimo é um grande negócio. Já a (in)compreensível nega de Cavaco deixa imaginar o que podem esconder essas contas.

No passado dia 15 um grupo de cidadãos, avançou com uma iniciativa inédita em Portugal e já experimentada no Equador e Brasil com bons resultados: a auditoria cidadã à dívida. Este é o único instrumento que permite escrutinar a dívida contraída por Portugal em determinado período de tempo. Podemos determinar quando foi feita, os factores que a fizeram crescer, a origem dessa dívida, quem dela beneficiou, onde foram dispendidos os recursos e se alguma parcela foi contraída ilegalmente.

Não espero que estendam uma passadeira vermelha a esta iniciativa, será atacada, menosprezada e acusada de ser uma forma encontrada pela esquerda radical para não pagar a dívida, tudo isso será dito e talvez mais. Que não se tenha o reconhecimento de instâncias políticas para a auditoria também é expectável, já da sociedade civil a conversa é outra. Apoiar a auditoria à divida não tem cor partidária ou ideologia, não é de esquerda ou de direita, é uma questão de transparência e honestidade, para com aqueles que hoje em dia são atirados para o estado de sobrevivência, em nome da austeridade para pagar uma dívida que não sabemos de onde veio. Apoiar esta iniciativa não só permite fazer o julgamento público dos responsáveis da dívida, mas também, devolveria um pouco da soberania que ainda julgamos ter.

Uma Saúde sem enfermeiros

13 Out

Cortes na despesa é que mais se tem ouvido nos últimos meses. Na saúde, a fama do bom trabalho do ex director-geral dos impostos, agora Ministro da saúde, deixa adivinhar vida difícil para os milhares de idosos e pobres que por infelicidade divina, tanta vez recorrem ao SNS. É um facto, Paulo Macedo é um excelente tecnocrata dos números, se é um bom político, e mais, um bom ministro da saúde o tempo o dirá. A comichão inicial pela escolha recair numa pessoa, que da área da saúde apenas tem no curriculum ter sido administrador da Medis, parece ter passado. Mas compreenda-se o cepticismo causado, afinal também não imaginamos um médico à frente da pasta das finanças ou da justiça. Isto tudo para dizer que o povo precisa de sentir que o passado e a formação das pessoas, legitima a escolha de cargos políticos.

Mas nem só de ministro se faz a política de saúde e uma vez que falámos de legitimidade, olhemos para a comissão parlamentar de saúde. Dos 23 deputados efectivos encontramos, cinco médicos, cinco juristas, dois professores, dois advogados, um estudante de direito, um engenheiro, uma gerente bancária, uma administradora, um psicólogo, um dentista, um sociólogo, uma consultora jurídica, e uma química tecnológica. Com tanta representatividade, eu pergunto onde é que estão os enfermeiros nesta comissão? Actualmente existem cerca de 60 mil enfermeiros, dos quais 40 mil no SNS. Será possível que a classe profissional mais numerosa no SNS não tenha representatividade na comissão de saúde? Pelos vistos sim. Aliás o único enfermeiro na actual legislatura é o deputado João Ramos, que nem sequer é suplente desta comissão.

É uma triste realidade, um mau serviço prestado à saúde e um péssimo prenuncio para a classe, mas quando procuramos os responsáveis por isto, não podemos pôr as culpas em cima das costas largas da oligarquia partidária. Antes disso, caros colegas recém-licenciados e futuros licenciados, é preciso parar o culto da indiferença e da não cidadania, e como disse Saramago, “fazer de cada cidadão um político”.

Moita Flores paga o que deves!

8 Set

Não escondo a revolta que me leva a escrever este texto, até porque devo ser uma das muitas vítimas da situação!
De facto a ela se deve a minha motivação para escrever sobre o assunto.

Vi a publicidade à final das 7 maravilhas da gastronomia a realizar-se em Santarém no próximo dia 10 de Setembro,
no entanto, o evento esconde algo de muito pouco maravilhoso. A minha
indignação não é de todo com o evento, é precisamente com as condições que a
câmara municipal de Santarém teve que satisfazer para ser anfitriã do espectáculo televisivo.

A imprensa local avança com o valor de 120 mil euros que a câmara desembolsou para receber a final do
concurso. De oportunidade, falam os vereadores do partido do poder para
justificar o desembolsar da verba. Mas então o que dizer, dos trabalhadores que
ingenuamente tendo o azar da sua empresa ser credora da CMS, não verem o seu
ordenado e consequentemente não poderem cumprir com as suas obrigações?

Como é que o presidente Moita Flores e os seus amigos de partido justificam, ter de ficar a dever aos seus
credores, sendo que disponibilizaram 120 mil euros para receber a final do concurso em causa?

Já o povo o diz e aproveitando a sua sabedoria aqui deixo: quem não tem dinheiro, não tem vícios!

Vandalismo ou Protesto?

11 Ago

Confesso que não tenho acompanhado com atenção os acontecimentos em Inglaterra. Mas o vídeo difundido na internet nas últimas horas, em que alguns jovens manifestantes estão a ajudar um outro com ferimentos, acabando posteriormente por roubá-lo, é revoltante. Além do sentimento de revolta que desperta a quem o vê, castra completamente a justificação dos confrontos como forma de contestação das actuais políticas. Contestação que a meu ver nada é comparável ao que se assistiu no médio oriente, como comparou o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon. Comparar os recentes incidentes com a revolta do povo sírio, líbio ou egípcio não é sério. Os povos do médio oriente tinham um objectivo definido, tinham união, esperança e militância inabaláveis pela causa. A praça Tahrir disso era exemplo.

Tudo o que não se tem visto nos mais recentes incidentes, apenas se vê violência, destruição e pilhagem ao estilo black bloc. E depois quando procuramos algumas razões para estes actos de vandalismo, vemos nos canais noticiosos, os sociólogos, psicólogos e comentadores a esforçarem-se para encontrar as motivações para tais actos atirando um pouco para todas as direcções: desemprego, falta de esperança, incerteza no futuro..etc etc…

O video do jovem a ser roubado pode ter sido o bom-bom para o governo de David Cameron. Tem agora a opinião pública do seu lado, e os jovens com a imagem (se não a tinham já) de delinquentes que apenas procuram violência gratuita e destruição desprovidas de um mínimo de fundamento político ou ideológico. De agora em diante será tolerância zero.