Custos de Contexto

27 Dez

Em cada português há um treinador de bancada, um economista, meio fadista e um resmungão completo. Sejamos todavia justos: a malta tem razões para se queixar. Se não fosse por conta do governo, seria por conta do tempo, da chuva, do frio, do calor a mais, qualquer coisa. Haverá estudos que demonstram esta fatalidade. Sobre o assunto, existe já uma entrada devidamente informada neste blogue. Deixem-me, ainda assim, ser um pseudo economista por uns minutos.

Várias vezes somos remetidos para os chamados custos de contexto. Estes constam de elementos que prejudicam a atividade das empresas e que não são responsabilidade do investidor, não podendo ser imputáveis ao seu negócio e à sua organização. Falamos, por isso, de ações não razoáveis ou atos desproporcionadas, de opções políticas anticompetitivas, ou até de condições relativas à fase de desenvolvimento (!) da economia portuguesa. Porque é que eu gosto deste conceito? Meus amigos: cabe todo um país aqui dentro, é o nosso espelho, caramba!

Vejamos. Parte prática. Alguém que quer abrir um negócio e espera eternamente por um licenciamento – custo de contexto! É do que se trata. Mas há mais. A um nível mais alargado: alguém reconhece a existência de um mercado em Portugal? Concorrência? Quem já ouviu falar de entidades reguladoras? E quem já ouviu falar de viver à sombra do Estado? Seguindo a definição, isso é contexto, contexto para o qual alguns operadores, digamos, estarão mais aptos, sendo que ainda não há como fugir. A partir do clientelismo, do compadrio, pela promiscuidade entre público e privado, também se aumenta o endividamento do Estado, tem sido essa parte da receita do desastre e o “Zé” fica com menos no bolso a cada mês. Nalguns setores, como está documentado, estes custos de contexto são aberrantes (e.g. energia).

Qual o ponto? Além da redução destes custos, que de uma forma ou de outra acabam por ser suportados pelo “Zé”, já que naturalmente as empresas transferem-nos, deverá ser feita uma adaptação deste próprio conceito para cidadãos individuais e não apenas sociedades comerciais. Sim, cada um de nós depara-se com inúmeros custos de contexto na sua atividade habitual. E sim, está a ficar caríssimo viver em Portugal, é um luxo cada vez mais difícil de suportar. Sim, os cidadãos portugueses andam a viver acima das suas possibilidades, já que sustentam um Estado sem fim e sem emenda. Coisas de contexto portanto. Já agora, para avaliação da qualidade da nossa governação, veja-se o que já foi conseguido em termos de redução de custos de contexto – é uma deixa. Boas festas!

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