Há quem queira tudo

5 Dez

1) Há quem queira tudo. A Feira Popular voltou tímida a Lisboa, ao tradicional descampado de Entrecampos. Sim senhor, muito bem, mas queríamos isto maior, dizia um, e todo o ano, dizia outro, e como dantes, acrescentava um terceiro. Pois que todos gostaríamos de tudo isso. Mas como não podemos ter tudo em Lisboa, há que pelo menos apreciar um IMI mais baixo, um IVA que vai ser devolvido em parte às famílias alfacinhas e uma Derrama mais favorável para as empresas. Mas claro que o um o outro e o terceiro queriam era a Feira Popular o ano inteiro. E já agora que voltassem à Rotunda do Marquês de Pombal como era, com mais poluição e carros e percurso de porta a porta, ele que se calhar mora no Saldanha e trabalha nas Amoreiras. Mas ai Jesus se não pode levar o pópó e que chato é o António Costa que dificultou o trânsito no Marquês. Se calhar até convém que este um, outro e o terceiro soubessem que um relatório publicado este semana indica que Lisboa desceu na lista das cidades com melhor qualidade de vida exactamente por causa do excessivo congestionamento de trânsito.

2) Há quem queira tudo. Estávamos num centro comercial em Lisboa, à espera do elevador. Chegou, mas como ia a subir e nós queríamos descer, optámos por aguardar pelo próximo. Chegam duas senhoras e esbaforidas perdem o elevador por microssegundos. Uma delas queixa-se que hoje já ninguém se respeita nem espera pelos outros. Alguém sugere então que tomem as escadas rolantes. A que se queixou abre o casaco e mostra uma barriga redondinha, de poucos meses, num corpo bem torneado, e diz sarcástica: ‘É que eu estou grávida e tudo me custa’. Vivemos nos tempos em que tudo nos custa, queremos tudo, e em que gravidez é doença e incapacidade.

3)  São apenas dois exemplos do dia a dia, bem corriqueiros e comuns, do facilitismo que é mandar vir por tudo e por nada. Muitos de nós temos razão ao bater o pé ao assalto fiscal que nos aguarda. À maquilhagem da organização do trabalho, com cortes de feriados mas tolerâncias de ponto, com aumento das horas de trabalho do soldado raso sem perceber que é no topo que está o erro. Com cortes cegos a torto e a direito, sem estudar de forma sustentada. Com o atirar de barro à parede com várias propostas para a mesma questão para ver qual é que cola, o que só mostra que quem manda não sabe mesmo o que anda a fazer. Para evitar que nesta casa onde há cada vez menos pão todos ralhem sem razão, porque não movimentos de cidadãos independentes na Assembleia da República? A ideia pode não ser nova mas está aqui:

Movimento Independente para a Representatividade Eleitoral

Vamos a isso?

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