Com um sorriso no fim do caminho

21 Nov

Numa época do bota-abaixo e do dizer mal por dizer (coisa tão lusitana, ou se calhar tão humana mesmo, sem fronteiras), gosto de me armar em advogado do Diabo e colocar-me do outro lado da barreira. Aliás é uma tendência de sempre, de educação ou de génio, a de me colocar na pele do outro.

Isto porque nos últimos dias entrevistei duas pessoas, uma deputada e um estudioso do Teatro, que me despertaram para mais uma dimensão (esta é a parte boa do jornalismo, a de nos levar a navegar por várias águas, a de fugir à agenda e à ditadura da notícia pura e dura, escola americana, serviço de telex).

Ora dizia-me a deputada, Anabela Freitas, que desde Segunda-feira está no parlamento em representação do distrito de Santarém, em substituição de João Galamba, que goza um mês de licença de paternidade, que reconhece que chegou a São Bento numa altura conturbada. Ainda está fresco na memória o lamentável episódio no largo em frente à Assembleia da República há uma semana, e quando se adivinham mais horas difíceis quando o Orçamento do Estado para 2013 for votado na Terça-feira. Mas mais que isso, e quando lhe perguntei porque é que achava que os políticos e o povo andavam de costas voltadas, Anabela Freitas começou por dizer que as pessoas andavam nervosas e com muita razão. Mas que também os políticos tinham culpa, e até mais que os portugueses, porque muitas vezes não sabem como chegar às populações, como descer dos gabinetes e como chegar às pessoas. Quem vem das estruturas locais, como é o caso da nova deputada, que é de Tomar, parece-me ter uma maior ligação ao povo, considera-se um deles, e não se isola na bolha dourada e marmórea que é um gabinete de um cargo de poder. A ver vamos se esta crise que é também ética e moral (ou sobretudo isso) não serve também para uma melhoria da relação eleitor/eleito (e escolho escrever eleitores e não portugueses porque sabemos que a disparidade numérica entre uns e outros, essa sim, é colossal).

Já Tiago Bartolomeu Costa, crítico de teatro, estudioso da área, enfim, especialista dos palcos (e não gosto da palavra especialista, que foi banalizada e já não distingue quem é de facto especialista em algo, o que é de facto o caso), que por estes dias é comissário de um debate no Teatro São Luiz sobre Cultura e Economia, reconhece também ele que quem exerce o poder está muitas vezes alheado da realidade, fechado na gaiola protectora do gabinete. No caso da Cultura, e foi isso que entrevistei Tiago Bartolomeu Costa, é preciso entender que não vai haver mais dinheiro, diz o visado, e que o que importa é seguir por um diálogo construtivo, de perceber onde podem ser aplicadas as verbas. Porque quem manda pode estar no alto da torre, até insensível a quem é mandado, mas se quando coloca o nariz de fora e pede opiniões e ajuda apenas se depara com protestos, bota-abaixo e exigências, sem alternativas ou soluções, a coisa é capaz de não correr bem (a última leitura é minha e não de Tiago Bartolomeu Costa).

Em resumo, não basta dizer o que está mal. Isso é fácil até para uma criança de oito anos. Sejamos construtivos. Em todos os momentos da vida. Em todas as situações do percurso. A União faz a Força, já diz o povo e muito bem, e o Povo Unido jamais será vencido.

Ou então…

 

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