O SPORTING CP é o retrato do nosso País

31 Out

Sinceramente por várias pensei escrever sobre o estado a que chegou o Sporting, mas sempre o evitei fazer porque tinha a convicção que qualquer crítica seria sempre entendida como uma pavloviana resposta aos maus resultados, típica de um adepto que gosta do seu clube. E assim me mantive, guardando na gaveta os factos – aqueles que muitos Sportinguistas já conhecem, mas que à maioria parecem insignificantes.

No entanto, o que me faz escrever, não são nem os factos – evidentes de má gestão desportiva – nem os resultados. Passo então a explicar.

No dia do jogo Porto – Sporting, Godinho Lopes ao visitar um núcleo Sportinguista no norte do País, foi assobiado por uma série de adeptos. A sua escolta (constituída em parte por elementos de uma determinada claque), decidiu ameaçar esses mesmos usurpadores (afinal não existem razões para assobiar, o clube tem sido magnanimamente gerido). Mais tarde, em pleno estádio, alguns destes indivíduos que ousaram contestar Godinho Lopes foram ameaçados e em alguns casos, mesmo agredidos por elementos da claque.

Perante isto, não basta apenas denunciar este caso, como muitos Sportinguistas o têm feito. Perante isto é preciso acordar.

Para alguns, 100 milhões de prejuízo em dois anos perpetrados por uma equipa de supostos gestores profissionais e bem pagos, não é suficiente.

Para alguns, 3 treinadores – e respectivas folhas salariais – em menos de uma época e meia, não é preocupante.

A alguns, o facto de a Academia – o nosso maior tesouro – e o Estádio terem sido passados para a SAD e já não pertencerem ao clube, não os faz dormir pior, e a ameaça futura que paira sobre nós de cada vez que o passivo aumenta, são apenas fait-divers dos jornais.

Para alguns, a SAD é o Sporting.

Mas a SAD não é o Sporting. A SAD é o BES e todos aqueles que nos emprestaram dinheiro, e cujo único interesse é reaver esse mesmo investimento.

Para alguns, o facto de sermos governados hà mais de 15 anos por uma espécie de máfia organizada que vendeu o clube a privados e o depena a cada dia que passa da relevância que sempre teve a nível nacional, é apenas algo normal, assim como normal é sermos sempre governados neste País pelos mesmos 3 partidos.

É pois normal que todos os que se seguiram a Roquette, Roquettes o são. Cada presidente é escolhido a dedo pelo clã e imposto aos Sportinguistas como única alternativa viável. Todos eles, pessoas de enorme valia e acima de tudo respeitados pela banca (em nome da SAD, do Ricciardi e do Espírito Santo, Ámen!)

Para alguns, a fraude das últimas eleições é apenas conversa de café e maledicência.

Para alguns, ouvir Rui Oliveira e Costa fazer constantemente apologia de uma direcção que envergonha e arruína desportiva e financeiramente o clube, não causa nenhuma estranheza, assim como tê-lo ouvido a fazer campanha por Godinho Lopes nas últimas eleições, em horário nobre com a conivência da RTP, não levanta qualquer tipo de objecção moral.

Para a maioria, o que ficou das últimas eleições não foi nem a vergonha, nem a afinação levada a cabo por alguns indivíduos nas mesas eleitorais. Foi o Futre, e o sócio, e o concentradissimo!

Para alguns, o enorme contingente de estrangeiros que chegaram nos últimos dois anos, tirando lugar aos nossos jovens, é apenas a consequência de um modelo que se tinha de adoptar para se poder voltar a rivalizar com os outros grandes. Se bem que algumas mais valias foram adicionadas, pergunto para que serviram as contratacções de Bojinov, Rodriguez, Luís Aguiar. Talvez os agentes e os intermediários possam responder a esta pergunta.

Alguns riram-se quando Godinho, em plena campanha falou nos 100 milhões. Pois aqui está a prova viva – 100 milhões, mas de prejuízo. De qualquer das formas já conseguimos rivalizar com o Braga, o que me parece que sempre foi o objectivo inicial do seu triénio.

Para a maioria, não causa estranheza que os rostos do nosso clube sejam sempre os mesmos, descendentes de uma velha aristocracia balofa que prosperou num País onde ainda há 30 anos atrás a maior parte da população era iletrada.

O Sporting Clube de Portugal, é um triste retrato deste mesmo País. O nosso passivo é tal e qual o nosso défice. A nossa SAD, nada mais do que uma grande Parceria Público – Privada, e o nosso glorioso passado é cada vez mais irrelevante, pois cada vez menos temos o poder para desenhar o nosso próprio futuro. A classe que dirige o nosso clube, é tão qualificada quanto aquela que arrastou o País para a ruína em apenas 30 anos.

Parece quase irónico que o único clube de relevo em Portugal que ostenta no seu nome a referência ao País, seja o retrato e a caricatura do mesmo.

 

 

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: