Nada melhor que este artigo para resumir o que penso sobre o “caso Relvas”. Muito mais do que um caso isolado de falta de ética ou de trauliteirismo político, esta história é uma consequência natural da forma como evoluiu o nosso sistema democrático. Pedir a demissão de Relvas ou fazer auditorias às Universidades é pensar que se cura um cancro com chás de cebola e algum exercício físico.
Como resultado, alguns ficarão revoltados. Juram a si mesmos não mais acreditar na política e nunca mais meter os pés numa assembleia de voto. Ou então libertam a sua raiva ao sabor de umas Super Bocks e papagueiam a quem quiser ouvir que isto é tudo uma cambada de gatunos e que a única solução é pegar em armas.
A raiz é da questão é bem mais profunda. Está nas juventudes partidárias (não todas, é certo, e há excepções). Está nas associações de estudantes e na forma como sobem na hierarquia os seus dirigentes. Está na falta de cultura política do nosso povo e na desmoralização e desmotivação da sociedade que assiste a todos estes fenómenos com um passivo fatalismo. Como se tivesse de ser assim. Como se não houvesse nada a fazer.
Enquanto não se atacar estas causas o Relvismo continuará a dominar o país, seja neste governo ou noutro qualquer.
Padrinhos-e-Puros de José Reis Santos
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