É muito simples

27 Jun

‘Qual o papel da Alemanha para aumentar as exportações desses países?’

Logo que estes produtos se tornem mais baratos, a Alemanha compra.  É muito simples.

 

Esta singela resposta pertence a Roland Berger, presidente honorário da Roland Berger Strategy Consultants e antigo conselheiro do anterior chanceler alemão, Gerhard Schröder, numa entrevista a Nicolau Santos, publicada no caderno de Economia do expresso do passado Sábado. O que Berger diz pode desconcertar mas é a mais pura das verdades. Esta Alemanha comandada por Angela Merkel não está na União Europeia pelo lado solidário da comunidade. O que conta é o dinheiro e as vantagens que um mercado aberto pode garantir, como se o mais barato, qual produto da Indonésia ou da China, não significasse mão-de-obra a preços de saldo e em condições pouco dignas.

Angela Merkel parece esquecer-se que a solidariedade foi uma das fortes vertentes que presidiu à constituição da então Comunidade Económica Europeia em 1957, numa perspectiva até de ajuda e estender de mãos a uma Alemanha devastada pela guerra e humilhada pelos julgamentos de Nuremberga. Mas a actual chanceler, austera luterana, parece acreditar que o metal conta mais que o espírito de união e que a mesquinhez do dinheiro lucrado é superior ao sentimento de ajuda partilhada. Há até quem diga que Merkel está enganada e que não é a Grécia a dever a Alemanha mas sim o contrário, devido a dívidas da II Guerra Mundial, quando os nazis ocuparam Atenas. Mas isso são contas de outro rosário.

Roland Berger diz também que não acha que ‘este países (em dificuldades) precisem de mais dinheiro. Do que podem precisar é de crescimento económico. Os países que precisam de recuperar a sua competitividade devem fazer estas reformas, o que significa uma desvalorização interna, reduzindo os custos, porque estavam a crescer excessivamente nos últimos dez anos em comparação com a Alemanha.’ Será que Berger quer dizer que nenhum país pode crescer mais que a Alemanha na União Europeia? Depois de Ave Caesar temos Ave Merkel?

Num aspecto Berger tem toda a razão. Relata a certa altura o consultor que ‘estive de férias na Grécia e paguei tanto como em Tóquio. Estes tipos são loucos. Posso dizer-lhe que a filial grega da Deutsche Telekom paga mais aos seus empregados de escritório do que em Bona. Enquanto existirem estas disparidades óbvias entre a realidade e, neste caso, salários e preços, isto não funciona.’ Pois não funciona não senhor. Há que reequilibrar o que está torto. Mas que não se pense que é apertando ao máximo o nó que estava desfeito que o trapezista vai andar na corda sem cair. Afinal não é assim tão simples.

 

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