Se o futebol fosse um jogo justo, estaria triste como estou, mas poderia estar um pouco menos do que o que efectivamente acontece.
O Benfica, o Glorioso, perdeu 0-1 com o Chelsea na primeira mão dos ‘quartos’ da Champions. O todo poderoso Chelsea, representante da toda poderosa Inglaterra, com os todos poderosos rublos/dólares provenientes do petróleo e outras riquezas minerais da Rússia do todo poderoso Abramovich. O Benfica, remediado, para não dizer pobrezinho, de um país coxo, em regime de intervenção pelo FMI, sem jogadores portugueses em campo, visto como patinho feio do futebol europeu há quase duas décadas, desde a última final na então Taça dos Campeões Europeus em 1990.
Perdemos, com um golo contra a corrente do jogo, já que o Benfica estava com sinal mais, fraquinho, mas positivo. Aliás o resultado final que encaixava melhor era um zero a zero, e a haver vencedor, seria o Benfica, por margem mínima. Mas não. O árbitro, cabeleireiro de profissão, resolveu dar umas tesouradas no Benfica, daquelas que não matam mas moem, e a pastilha elástica de Jorge Jesus lá levou umas valentes ferroadas.
Nesta Europa do futebol, nas fases mais avançadas, o dinheiro parece contar muito. Não interessa ter um clube de um país falido a vencer outro de um país dominante. Claro que podem alegar que o APOEL do Chipre também chegou aqui e até venceu os franceses do Olympique de Lyon, mas até tem uma certa graça um colorido étnico.
Se o Benfica tivesse sido pior e tivesse merecido perder, hands down, já que não sou daqueles adeptos que acha que o seu clube jogou sempre melhor que o adversário. Mas até nos desenrascámos bem, muito provavelmente devido à posição provinciana do ‘vem lá o bicho-papão’, ‘um colosso da Europa’! É verdade que o Jesus fez duas substituições que mataram o Benfica, deram o golo ao Chelsea e se calhar resolveram a eliminatória. É verdade que o Emerson não tem qualidade para jogar na Luz. É verdade que os adeptos não ajudaram ao claramente apontarem ainda mais as fraquezas do brasileiro. Mas jogámos bem! Por isso perder assim custa mais, dói mais, até porque o dia foi difícil.
Visto isto, carrega Benfica! Vamos acreditar que é possível dar a volta daqui a uma semana. Não vamos perder a esperança, vamos ter razão e vamos ter coração. Vamos ignorar a dança da galinha do Drogba e os comentários jocosos de sportinguistas e portistas, deliciados com a derrota do Benfica.
Somos Benfica, somos Paixão. Somos a Glória, a Voz mais Alta de uma Nação!
O jogo foi mais do mesmo. As equipas portuguesas jogam e as inglesas marcam. Nada de novo. E com isto o Benfica arrisca-se a levar paulada da grossa em Inglaterra!