Soltas

29 Fev

«Devemo-nos concentrar no pagamento daquilo a que nos comprometemos. Quanto mais depressa pagarmos a dívida que temos, mais depressa mais podemos reclamar a parcela exacta da nossa soberania, que nos dá credibilidade e nos afirma de corpo inteiro na Europa». Palavras de Nuno Melo depois da audiência de preparação do Conselho Europeu desta semana com Passos Coelho.

Parece-me que a palavra-chave é soberania. Afinal há um assumir de posição que de facto estamos a ser governados por outrém e que não somos soberanos. Ao menos isso, e Nuno Melo não tem meias palavras. Quem manda é Merkel, Thomsen ou o novo lacaio, Abebe Selassie, curiosamente um especialista em economia… africana. Ou seja, das três uma, ou a troika acredita que Portugal não tem solução e envia quem estava mais à mão, ou a troika tem fé que Portugal está no bom caminho e pode aliviar a supervisão, ou a troika já considera Portugal como fazendo parte de África.

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«As chances da Grécia de se restabelecer e se tornar mais competitiva são certamente maiores fora da união monetária do que se permanecer na zona do euro (…) Não estou a dizer que a Grécia deveria ser expulsa, mas que sejam criados incentivos aos quais ela não possa dizer ‘não’». Quem o diz é Hans-Peter Friedrich, ministro alemão do Interior. A frase em si representa um sentimento que muitos já expressam à boca pequena e em surdina mas que pela primeira vez um político com responsabilidades vem assumir. Ouvi a notícia na TSF. O mais grave, e a declaração é gravíssima, foi o remate da jornalista, que referiu que a eventual saída da Grécia da zona euro seria uma catástrofe para a Alemanha, para o euro e para a União Europeia. Será que se esqueceu de pensar nas consequências que teria para a Grécia? É verdade que qualquer uma das hipóteses parece um desastre, a manutenção do euro em Atenas ou o regresso ao dracma, mas o que assusta sobretudo é a frieza e a desfaçatez com que se trata o país helénico.

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A título pessoal, como português e como trabalhador (em pausa é verdade) da área, chocam-me cada vez mais os oráculos, os tickers e demais gráficos com palavras das televisões portuguesas. São erros clamorosos de sintaxe, de concordância, de sentido ou simplesmente de omissão de palavras. ‘O negócio eSpandiu-se’, ‘O Sporting joga (esta?) noite em Varsóvia’, ‘Os passageiros (vão?) chegar às Seychelles’ são apenas alguns exemplos. O aperto nas redacções e o estrangulamento de recursos começa a ser demasiado óbvio e coloca em causa o (bom) trabalho de muitos.

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Uma resposta to “Soltas”

  1. voza0db 29 de Fevereiro de 2012 às 8:07 PM #

    Deixamos de ser soberanos no dia em que entregamos o controlo da emissão de moeda a uma entidade privada! Desde esse dia para cá, tudo aconteceu como os nossos donos entenderam 😎

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