Costa Concordia 2

23 Jan

O nosso supremo comandante é mal pago e tal estará a ter efeitos no seu desempenho, temos de melhorar o rancho e aumentar a mesada. O nosso De Falco pareceu até desanimado com a situação. Lembram-se de De Falco, aquele que foi capaz de ordenar algo na noite do acidente recente com o Costa Concordia? Lembram-se do homem que foi capaz de dizer que quem estava no comando a partir de determinado momento era ele e que ordenava que Schettino regressa-se imediatamente a bordo? Personagem curioso, em terra a tentar resolver uma situação, desde logo com a preocupação expressa de se proteger, no imediato, os mais vulneráveis. O comandante do navio não regressou a bordo, mas essa é outra história, por sorte tivemos acesso a tão rico diálogo.

Por cá, o nosso comandante dos comandantes comemora precisamente hoje 6 anos de presidência. Há um reparo a fazer: novamente a comunicação social foi ardilosa, o sentido da intervenção do nosso guardião eram outro que não choramingar quando há dias teve o tal deslise. Houve aliás um mote para tal. Lembram-se da argolada do presidente do grupo Jerónimo Martins e do seu “linchamento” público? Pois, passados poucos dias e já depois de devidamente aconselhado pelos seus marketeers, nova intervenção pública para dizer que este modelo de salários baixos era mau e que, de facto, a generalidade dos trabalhadores portugueses não terá grandes incentivos a fazer mais e melhor dado o parco retorno obtido no final de cada mês. Maior verdade não haverá.

O presidente aproveitou a deixa, deu conta da sua insatisfação e da falta de incentivos com que se depara. À semelhança da realidade vivenciada pela grande maioria dos trabalhadores portugueses, também neste caso deveremos promover um esforço conjunto e melhorar os seus honorários. Repare-se que, à semelhança de tantos concidadãos, estamos perante mais um sénior que precisa de continuar a trabalhar para sobreviver. De outra forma e se nada fizermos, continuará a mesma dança das recomendações, sugestões, dúvidas, promoção de diálogos vários, pedidos de explicações e taxa zero de mudança. Temos de garantir-lhe melhores condições. Já houve momentos de perda de cabeça e grande balbúrdia, mas por motivos questionáveis: leia-se Açores. Também todo o trabalhador tem o seu desvario e insulta alguém publicamente, algo nada menos que compreensível. Portanto, vários paralelos podem ser estabelecidos.

Agora, voltando ao ponto de partida e sobretudo pensando em como deveriam ser as coisas, será que não é possível termos o nosso próprio De Falco, alguém que estrebuche, que dê um murro na mesa, que seja minimamente colérico ao ponto de, veja-se lá, tomar decisões, mudar o curso das coisas e, pasme-se, correr o risco de estar enganado? Será que o Presidente da República tem mesmo de ser mesmo um político de quem os vários poderes se riem?

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