Costa Concordia

21 Jan

Que fique claro: sou terminantemente contra aquele ponto da convenção criada pela Organização Marítima Mundial que refere que o comandante só abandonará o navio em ultíssimo recurso e certificando-se que é mesmo o último a fazê-lo. Não só deve poder abandonar em momento útil, como em certos casos deverá ser convidado a não embarcar, passando a pasta à tripulação, normalmente escolhida cuidadosamente e com base em critérios de confiança.

Passo a explicar. Porque é que não deve ser o comandante o último a sair? Simples: é uma empresa demasiado arriscada. Recentemente tivemos um comandante que não queria, de forma alguma, abandonar o barco e teve de ser empurrado antes que se chegasse ao fundo. Alguns dos tiques desse comandante não se diferenciavam muitos daqueles de Schettino, a começar por uma certa crendice na tecnologia. Entretanto, saiu borda fora, mas não foi numa balsa qualquer. Consta que agora é “auditeur libre” em França num curso de filosofia e não compareceu a um único exame no 1º semestre. A história repete-se, portanto, apenas com a diferença que os exames por lá são agendados para durante a semana.

Mais tarde, vem nova tripulação, só que o novo comandante traz muitos amigos que é preciso encaixar. Nada de novo, uma maçada. Parece que o problema não está resolvido, a competência continua por demonstrar, continuamos a afundar e vamos todos, menos aqueles que fugiram já em bom momento. Se muitos ficaram, não foi por falta de convites para mudarem de barco. Ainda no porto, antes da largada, dizia-se que agora é que ia ser, que seria diferente, que seria melhor. Não será melhor enfiá-lo numa balsa, com um colete salva-vidas e um pato de borracha?

Este comandante diz que não abandona o navio de forma alguma, é um timoneiro. Já disse “n” coisas que não cumpriu, há essa esperança. Explicaram-lhe entretanto que as suas decisões provavelmente conduzirão a um afundamento, mas ele acredita que está a navegar em mar aberto, sem rochas por perto. Qual lobo-do-mar, qual homem do leme, adivinha-se o desfecho. Bem, sucede que existem agravantes: Portugal não é um paquete de luxo, antes uma barcola já com vários rombos no casco. Depois, certamente os seguros não estarão em dia, por falta de pagamento. Assim como assim, que a banda nunca pare de tocar…

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4 Respostas to “Costa Concordia”

  1. Mário Pinto 23 de Janeiro de 2012 às 3:16 PM #

    Brilhante, Quico! Não te conhecia a veia.
    Quantos jornaleiros ‘estipendiados’ (como diz o BB) pela seita do Relvas gostaria de produzir uma reflexão deste cariz em vez das vergonhas que, como ‘voz do dono’ parem dia a dia. Abraço.

    • Francisco Freitas 23 de Janeiro de 2012 às 10:00 PM #

      Como já não existem ardinas, este é o único meio disponível para me inserir nos complicados meandros da comunicação. Muito me honra, de qualquer forma, o incentivo, para mais provindo de um especialista… Um abraço!

    • Frederico Brandão 23 de Janeiro de 2012 às 11:39 PM #

      de alto nível sem dúvida! embora a veia não seja surpresa pois sempre foi um consegrado aqui da casa!!

  2. Mário Pinto 23 de Janeiro de 2012 às 3:18 PM #

    Brilhante, Quico! Não te conhecia esta ‘veia’.
    Quantos jornaleiros ao serviço da dupla Relvas/Obama de Massamá desejaria produzir uma reflexão deste pendor.
    Abraço

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