«Se se verificar uma incapacidade acima de 60 por cento aí o utente pode BENEFICIAR da isenção das taxas moderadoras», dizia uma sorridente dirigente hospitalar numa reportagem da RTP na semana passada, depois de enquadrar um caso de cancro sujeito a tratamentos de radioterapia e quimioterapia (e que podia, ou não, BENEFICIAR de isenção de taxas moderadoras, conforme o grau de incapacidade). E, sublinho, com um sorriso na cara, se calhar porque estava a aparecer na televisão.
Como juntar na mesma frase incapacidade física, benefício e ainda um sorriso? Foi a este estado que chegou e com estas pessoas que está o Serviço Nacional de Saúde? Uma cambada de insensíveis que olham para o lucro, para o número e para a forma como exigir mais dinheiro a quem está debilitado? Parece que passámos do 8 ao 80, num esfregar de olhos, entregue a um ministro, no mínimo, desconhecedor dos corredores de hospitais que não a CUF, os Lusíadas ou Luz.
Com isto não quer dizer que Portugal não tenha estado mal habituado. Os utentes fazem exames (caros) a mais, por tudo e por nada. Estão sempre no médico e nas urgências. Estão encharcados em comprimidos e remédios. Exigem tudo do SNS e não estão dispostos a dar nada.
E este Governo (será que não posso mesmo escrever com minúscula?), qual medida simplista, decide que se acabam, para todos, as benesses. É dador de sangue? Obrigadinho, pode passar para o fim da fila. É bombeiro voluntário e tem ajudado a salvar florestas? Agradecidos, pode sentar-se aí. Está desempregado? Pois, é chato, junte-se aí ao dador de sangue e ao bombeiro voluntário.
E assim vamos, cantando e rindo, de mal a pior.
PS: Mitt Romney venceu ontem a segunda primária republicana consecutiva, no New Hampshire, e ganha alento. Barack Obama que tenha cuidado…
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