Até para o ano camaradas!

30 Dez

Já o devo ter dito por aqui algures mas posso repetir. A minha época do ano favorita é aquela que começa uns dias antes do 25 de Abril e termina pouco depois do 1 de Maio. Os motivos são óbvios: a televisão passa documentários da revolução, escuta-se mais Zeca Afonso e outros cantores de protesto e há um certo espírito de festa, de esperança e de combate no ar. Vamos a festas em associações, andamos de cravo na mão, na lapela ou noutro lado qualquer e participamos na manifestações que se realizam. A lágrima está sempre pronta a cair, basta haver um momento mais intenso que o normal, seja no cantar da Grândola à meia noite de 24 seja numa passagem mais romântica de qualquer documentário sobre a revolução. Em Portugal passa-se melhor, mas noutros sítios também não se passa mal. Há sempre comunidades portuguesas, associações culturais ou em último caso a internet.

A minha segunda época favorita do ano é aquela que começa pouco depois do Natal e termina pouco após a passagem de ano. O Natal pouco ou nada me diz, mas a passagem de ano e os dias que a antecedem têm o seu quê. O regresso a casa para quem está fora propicia reencontros que só acontecem nesta época. Cruzam-se temporariamente caminhos que a vida teima em separar. Partilham-se sonhos e projectos mas também tristezas e desilusões. Faz-se o balanço do ano, seja no capítulo pessoal seja no plano comum e coloca-se tudo em perspectiva. Como resultado de todo este processo surgem as resoluções para o ano seguinte.

O balanço de 2011 já começou aqui pela mão do Diogo Gaivoto. Mais virão provavelmente seja pela pena mordaz do Orlando Lopes de Sá, pelo rigor analítico do Francisco Freitas ou pelo espírito de missão do Carlos Alberto Videira. Também se espera muito da prosa profissional do Pedro Vaz Marques e da Joana Tadeu assim como da visão estético-política da Joana Ferraz e do olhar atento do Diogo Silva. Há muito que se aguardam também os regressos da Teresa Ferraz pela sua combatividade e da Beatriz Guimarães pelo seu toque científico. Da minha parte deixo algumas notas sobre o ano que está prestes a acabar.

Sou obrigado a concordar com a revista Time relativamente à escolha do activista anónimo como personalidade do ano. 2011 foi um ano onde as ruas se encheram com muita dinâmica. No mundo árabe caíram ditadores (incluindo Berlusconi) e no mundo ocidental colocou-se em causa a lógica do sistema económico. Na música, Parva que sou foi sem dúvida a canção do ano, quer pelo significado que teve quer pelo que originou a seguir. Na música, vai também uma menção honrosa para os Homens da Luta e um grande bem haja para a Cesária Évora. No cinema não consigo destacar nenhum nome bem acima dos restantes. Tivemos bons filmes do Woody Allen, do Almodóvar e do Nanni Moretti, mas o que mais gostei foi o do Robert Guédiguian. Em literatura foi um ano fraco para mim, li muito pouco e como tal não tenho nada de grande relevo a destacar.

2011 foi também um ano onde se observou em grande escala a subjugação do poder político face ao económico. De cima a baixo todas as figuras políticas demonstraram incapacidade para liderar em tempos difíceis. Desde Barack Obama que criou expectativas inimagináveis, a Angela Merkel, Durão Barroso ou Sarkozy que nunca criaram expectativa alguma, pouca coisa de bom há para salientar. Menção (des)honrosa vai para Fernando Nobre pelos motivos mais do que explorados neste blog. No futebol apenas uma referência: André Villas Boas. Se Nobre já nos tinha mostrado como é possível descer do céu ao inferno em meia dúzia de meses, Villas Boas provou que o estatuto de lenda ficará apenas reservado a José Mourinho.

Desejo um óptimo 2012 a todos. Certamente será um ano cheio de mudanças. Esperemos que seja para melhor!

PS: Que Andy Schleck ganhe finalmente o Tour.

PS2: Que o Porto seja campeão mas que despeça o Vitor Pereira e arranje um treinador a sério.

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