2011, o ano da tragédia europeia

29 Dez

Chegados à recta final de 2011, é altura de fazer o balanço e arrumar a casa (se é que existe arrumação possível). Começámos com umas presidenciais, que a posteriori, se viu passarem ao lado do ano político. Em Janeiro poucos eram os que previam a encruzilhada em que a Europa se haveria de meter.

Vimos a democracia nascer com a primavera árabe, e o clube dos ditadores a cair como um castelo de cartas. Nunca o cliché “a união faz a força” se demonstrou tão verdadeiro. Ainda no médio oriente, a morte de Bin Laden deixa momentaneamente os EUA a rir, mas veremos se é um riso definitivo.

Já no ocidente o ano é marcado pela crise económica e financeira. Neoliberalismo, agências de notação financeira, ausência de uma politica económica para a zona euro, falta de capacidade de liderança e submissão constante aos mercados financeiros, arrastam a Europa para o que até à pouco era impensável: a sua extinção tal como a conhecemos hoje. O projecto político mais bonito alguma vez realizado no mundo, tornou o velho continente num local de paz, prosperidade, liberdade, e coesão social, que agora se arrisca a desaparecer, perante a falta de respostas políticas que regulem os mercados e devolvam a autoridade à política.

A Europa deixou de ser um projecto a 27, para ser uma entidade bicéfala, onde a austeridade impera, atirando milhões de Europeus para a pobreza. Governos eleitos democraticamente, caem e são substituídos por tecnocratas sem qualquer legitimidade popular para impor todas as medidas para estancar a dívida e corrigir o défice, não olhando a meios para o fazer. Tudo isto sob o perigosíssimo e falacioso discurso da fatalidade e inevitabilidade destas medidas.

Em Portugal o cenário não foi diferente, a crise e o pedido de ajuda financeira à troika marcaram o ano. Com um governo minoritário, uma boa dose de má governação e especulação financeira, fomos atirados para novas eleições, como aliás havia vaticinado Freitas do Amaral, quando invocou a história para dizer que nenhum governo minoritário chegou ao final da legislatura. Novo governo suportado na maioria parlamentar PSD/CDS, trouxeram o que os mais calejados esperariam: rompimento das mais bonitas promessas eleitorais e implementação de austeridade até ao limite. Ainda se lembram do que foi a campanha eleitoral, quando se justificava a não necessidade de subir impostos com o corte nas “gorduras do estado”? Mas o que lá vai, lá vai…

Factos! A população empobreceu, os pedidos de ajuda à Cáritas, Banco Alimentar, e muitas outras instituições aumentou exponencialmente e ameaça não ser suficiente para a necessidade dos que procuram esta ajuda. A saúde é hoje mais cara. O mercado de trabalho, incapaz de acolher os milhares de jovens à procura de uma oportunidade, tornou-se a selva do salve-se quem puder. Mas nem tudo é mau, o Fado é Património da humanidade e vimos em Portugal o surgimento de um movimento social activo que até então parecia adormecido. A cidadania activa acordou e está a fazer-se ouvir: tivemos o 12 de Março, o 15 de Outubro e 2012 promete ser um ano de mais acção cidadã.

 É absolutamente necessário que 2012 seja um ano de viragem no rumo da Europa. Mudar radicalmente o paradigma económico, colocando a economia ao serviço do desenvolvimento social, é um imperativo para que a sociedade, do homem explorado pelo homem, seja apenas uma página negra da nossa história.

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