A semana na Europa começou agitada, com dois incidentes pouco habituais no Velho Continente. Primeiro chegaram notícias de Liége, na Bélgica, onde Nordine Amrani abriu fogo sobre a multidão e depois lançou granadas na principal praça da cidade. Morreram pelo menos quatro pessoas. Mais a sul, em Florença, Itália, um extremista de direita de nacionalidade italiana matou dois vendedores ambulantes senegaleses e feriu gravemente outros três, em dois mercados. Ambos os atiradores suicidaram-se em seguida.
Grande choque e incredulidade iniciais, mas depois algum alívio por não se tratarem de ataques terroristas. O mesmo aconteceu com os ataques de Anders Behring Breivik, na Noruega, no Verão. Com certeza que é um mal menor não ser de novo um ataque terrorista em larga escala (como o 11-M em Madrid ou o 7/7 em Londres), mas não deixa de ser assustador que tal tenha acontecido. Morreram pessoas. Loucos andaram à solta. E aqui ao nosso lado, nas ruas de cidades europeias, ditas evoluídas.
Talvez por acaso, ou não, em países, especula-se, que vão ser os próximos alvos de ajuda financeira do FMI, Bélgica e Itália. Temos vivido, na Europa, na calmaria e no descanso que nada de muito grave vai acontecer, que os ricos hão-de ser sempre muito ricos e os pobres hão-de ser sempre muito pobres. Que os europeus, manso povo, não iam importar-se se as desigualdades aumentassem, se a classe média sofresse perdas, se as dificuldades aumentassem, se os direitos adquiridos desaparecessem, enfim, ninguém pensou que o medo de empobrecer e de viver muito pior do que a que se estava habituado, de voltar a níveis que se imaginavam vencidos para sempre, ninguém ponderou que a coisa pudesse rebentar.
Será que estes indícios já são suficientes?
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