Feriados? Qual quê, seus comunas!

7 Dez

Nem por acaso a estória da anulação de feriados volta em Dezembro, um mês cheio deles, o 1º de Dezembro, o dia 8 e o Natal. Uns indignam-se com o corte de mais este privilégio, outros, que também podemos chamar de germanófilos, acham que é bem feito para esta cambada de povo composta por preguiçosos e intrujões.

Nem uma coisa nem outra. Se por um lado é verdade que a comemoração dos feriados perdeu grande parte do simbolismo e é aproveitado como uma altura de descanso, a alegada perda de produtividade, argumento de quem acha que estes dias são para os avessos ao trabalho, não se prende com estas 24 horas. Prende-se sim com o nosso ritmo, em que num dia normal, seja segunda-feira seja sexta-feira, gostamos de chegar tarde, ir beber um café, fumar um cigarro, ver as novidades no Facebook, dar uma vista de olhos no mail pessoal e só depois ver o que há para fazer a nível profissional. Quando se aproxima a hora de almoço, saímos 10 minutos mais cedo, porque achamos que não faz diferença, voltamos 10 minutos mais tarde pela mesma razão e a tarde decorre da mesma forma. Quanto à hora do regresso a casa, vai ser meia hora antes porque o dia foi cansativo (?) e amanhã há mais! Será que os nossos iluminados Vítor Gaspar, ministro Álvaro, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas acham mesmo que são os feriados que contribuem para o nosso atraso estatístico? E vá lá de cortar quatro dias, dois civis e dois religiosos? Como diriam muitas pessoas, a medida é, acima de tudo RIDÍCULA. Tal como RIDÍCULO é o dia-a-dia de um trabalhador, que muito esprimidinho faz pouco ou quase nada (salvo honrosas excepções).

Há quem diga que o mais grave são os feriados religiosos, aos quais ninguém liga nenhuma. São visões de quem vive nos meios urbanos e não percebe que o Portugal rural e mais conservador dá muita importância aos dias dedicados à Religião. São grandes festas e procissões, missas e acções de solidariedade que circulam pelas vilas e aldeias deste país em dias como o 15 de Agosto ou 8 de Dezembro (os feriados religiosos em risco).

São estas cabeças iluminadas (e luminárias), que não conhecem o país e vivem afastados da realidade, que acham que sim, que vamos cortar e cortando em tudo, até não sobrar nada. Celebrar o 25 de Abril? Qual quê, seus comunas! 1º de Maio? Seus extremistas adoradores de Estaline! Descansar? Cambada de preguiçosos que acham que têm direitos! Deviam era estar na labuta seis dias por semana, 14 horas por dia, para aprenderem!

Claro que por outro lado são os milhões de portugueses que adoram o seu cafézinho e o seu cigarrinho a meio da manhã, a meio da tarde (e a meio de tudo) que deram o flanco para quem quer acabar com os feriados. Mais uma vez é preciso é mudar mentalidades, como é bonito e politicamente correcto dizer-se, mas a paciência e a fé, que não religiosa como no dia de amanhã, já vão faltando.

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