Para bom entendedor meia palavra basta. Assim podemos interpretar a forte oposição de Cavaco e Bruxelas a uma auditoria à divida. Quanto a Bruxelas não tenhamos ilusões, o resgate a Portugal e a outros países em difuculdades não é caridade, o pagamento dos juros desse empréstimo é um grande negócio. Já a (in)compreensível nega de Cavaco deixa imaginar o que podem esconder essas contas.
No passado dia 15 um grupo de cidadãos, avançou com uma iniciativa inédita em Portugal e já experimentada no Equador e Brasil com bons resultados: a auditoria cidadã à dívida. Este é o único instrumento que permite escrutinar a dívida contraída por Portugal em determinado período de tempo. Podemos determinar quando foi feita, os factores que a fizeram crescer, a origem dessa dívida, quem dela beneficiou, onde foram dispendidos os recursos e se alguma parcela foi contraída ilegalmente.
Não espero que estendam uma passadeira vermelha a esta iniciativa, será atacada, menosprezada e acusada de ser uma forma encontrada pela esquerda radical para não pagar a dívida, tudo isso será dito e talvez mais. Que não se tenha o reconhecimento de instâncias políticas para a auditoria também é expectável, já da sociedade civil a conversa é outra. Apoiar a auditoria à divida não tem cor partidária ou ideologia, não é de esquerda ou de direita, é uma questão de transparência e honestidade, para com aqueles que hoje em dia são atirados para o estado de sobrevivência, em nome da austeridade para pagar uma dívida que não sabemos de onde veio. Apoiar esta iniciativa não só permite fazer o julgamento público dos responsáveis da dívida, mas também, devolveria um pouco da soberania que ainda julgamos ter.
quem não deve, não deveria temer!
Talvez o maior problema da auditoria seja muita gente a temer. Não esqueçamos que para se fazer uma auditoria, é preciso que haja autorizações para se aceder a muitas informações e dados.