São as Eurobonds estúpido!

21 Out

Cartoon: Mike Mosedale

É óbvio que rigor nas contas públicas nunca fez mal a ninguém, e que a total rebaldaria que se foi verificando na Grécia ao longo de décadas só poderia levar ao descalabro. Existe no entanto uma grande diferença entre estar sempre muito perto do precipício, e, ser empurrado por aqueles que supostamente te ofereceram ajuda.

A Europa é desde há vários anos governada por um núcleo duro de direita que envergonhará muito certamente alguns célebres conservadores como Robert Schuman e Helmut Kohl. É uma direita velha, gasta, preconceituosa, de vistas curtas e profundamente eleitoralista, provinciana e demagógica. É a direita que provavelmente acabará com a própria União Europeia, ou que deixará tudo reduzido a cacos. Esta atitude Franco – Alemã terá consequências para a Europa quase tão profundas como aquelas que resultariam de um conflito bélico a nível Europeu. Senão vejamos: Um estado Europeu prestes a declarar falência com o povo a fazer sacrifícios que há muito já passaram o limite do razoável; outro que se precipita pelo mesmo caminho, onde o salário mínimo de 485 euros deverá dar para comprar, num futuro bem próximo, apenas adubos e sementes; uma escalada de repercussões que levarão quase todos os países do Euro a sucumbirem perante a crise da divida publica.

E tudo isto porquê? Para quê?

Para ensinar uma lição a esses indivíduos do sul que só querem praia o dia todo!

Para contentar as grandes massas eleitorais da Alemanha profunda!

A esquerda Europeia tinha-o dito bem antes deste eminente descalabro: Apenas mais austeridade levará a um aprofundamento dos problemas financeiros actuais.

A direita nem respondeu, porque toda a gente sabe que a malta de esquerda não sabe fazer contas e que o gene da mestria económica só se desenvolve em indivíduos que portem também o gene conservador.

A esquerda Europeia tinha já dito em 2008 que socorrer o sistema financeiro sem tomar fortíssimas medidas de fiscalização e regulação, seria como convidar a que futuras crises florescessem.

A direita respondeu com o clássico chavão de que o sistema é complexo demais para que se possa encontrar um mecanismo de controlo e fiscalização simples. Em 2008 paguei pelo descalabro do Fortis, a semana passada foi a vez do Dexia.

A esquerda Europeia insiste nas Eurobonds.

O nosso Passos acompanhado pela sua Ângela, disse-nos em livestream que a única solução era que cada um fosse responsável pelas suas próprias contas e que Portugal não encarava as Euro-Obrigações como solução. É óbvio que os Alemães não esquecerão tão cedo esta fanfarronice, e quando estivermos no lugar que a Grécia ocupa agora, tenho a impressão que estas declarações serão estampadas vezes e vezes sem conta.

Finalizo deixando a pergunta, que terá de ser feita de um ponto de vista macroeconómico e com alguma assertividade (caso contrario a plateia conservadora não pode levar a questão a serio): O que é que fica mais barato, subscrever as promiscuas Eurobonds pagando de facto juros ligeiramente mais elevados para se financiar, mas acabando de vez com este circo, ou continuar a injectar dinheiro em Países em risco de incumprimento sendo que o mais certo é que esse dinheiro nunca mais será reavido?

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: