Espaço Sideral

27 Set

A torrente informativa é dramática e todos estamos fartos da crise. A cultura do medo (cf. Frank Furedi) está aí e promete estar para durar. Existe até já matéria de facto para se afirmar, com segurança que, nos próximos doze meses, a estrutura económica vai ruir – ver aqui. A parte que já se sabia é que muitos sonham com a desgraça, numa razão diária até. Também já não é novidade a ideia de que os Estados mandam pouco ou mandam muito menos que há alguns anos atrás. A alucinação será tal que já não se distingue realidade da ficção.

Posto isto, apetece perguntar se não haverá nada mais em que pensar. Ou seja, dado que somos constantemente bombardeados com números na ordem dos milhões ou percentagens em valores extremos, penso que faltará algo que traga algum alheamento à generalidade das mentes. Sabemos, porém, que o alheamento está ainda mais dificultado porque, para lá deste choque mediático, há ainda a economia real, os aumentos de tudo menos dos salários e pensões.

A década de 70 do século passado não foi um período sem turbulência, pelo contrário. Porém, havia algo para distrair. Refiro-me à conquista do espaço, que teve momentos altos sobretudo a partir dos finais de 60. Pelo menos, era possível desafiar a imaginação, com a ideia de um mundo novo e não faltam documentos na cinematografia ou música que dão conta desse movimento. Foi, também, uma época de descoberta de uma série de novas substâncias que colocaram nas nuvens muitos músicos e com isso houve mais inspiração. Deixo, desta forma, duas peças que são fruto desse contexto, um contexto que alterou a vida das pessoas e as fez pensar para lá do óbvio. Haverá um equivalente mais moderno? Duvido. Que se oferece hoje ao grande público?

Com o advento da técnica, pode até levar-se o saudosismo a um momento histórico que nem foi vivido. Contudo, admite-se que também hoje faça sentido pensar-se em cápsulas, vácuo, capacetes, torres de controlo, naves, se existe vida em Marte, assim como não haverá grandes dúvidas que o tempo presente terá bastante de freakiest show. Arranjem-nos p.f. outra conquista do espaço, sem Guerra Fria acoplada, para que deixemos de pensar em crises.

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