Angelita e sus muchachos

21 Set

A história é já da semana passada mas por nada perde actualidade. Numa folga do trabalho dei um salto à praia e encontrei uns amigos, que por sua vez estavam acompanhados de uns colegas espanhóis. Irmãos também na crise e nos problemas, logo me explicaram que só na semana passada dois amigos perderam o emprego. Tradicionalmente sempre alta, a mais elevada da União Europeia, a taxa de desemprego em Espanha está acima dos 21 por cento. Menos mal está Portugal, mesmo assim com uns astronómicos 12 por cento, enquanto a Grécia já vai nos 16,3.

À saída da praia, um grupo de estrangeiros pediu-me boleia, provavelmente confiante que neste país à beira mar plantado ainda há pacóvios e gente humilde do antigamente para atitude tão de outros tempos. Boleia dada, lá fomos na conversa até Lisboa. Três alemães e um austríaco, por Portugal durante uma semana para um congresso da diabetes. Confirma-se que Lisboa se anda a vender como capital dos congressos, e muito bem. As opiniões de estrangeiros depois de um dia de praia em Lisboa não são muito originais e claramente falou-se do clima, do sol, das areias finas, dos mergulhos, da vida abençoada a poucos quilómetros de uma cidade capital europeia. “At least we have that!”, disse eu, preparando já a conversa para os senhores que se seguiram na conversa, a senhora Merkel e o senhor Sarkozy. “Os alemães não são tão rudes como parecem”, sustentou um deles, alegando que a chanceler está a fazer um bom trabalho na Alemanha e que o país até está a crescer. Mas a verdade é que Angela anda a perder eleições regionais como ninguém e tudo indica que os dias à frente da Alemanha, e consequentemente da União Europeia, devem estar contados. “O dinheiro não dura para sempre”, insistiu outro dos alemães, “e está quase a acabar”. E não lhes tirei da ideia que o castigo que estão a aplicar a Portugal, a asfixia que nos vai tolhendo, não é o caminho que nos vai ajudar.

Lá que a boleia lhes soube bem de facto soube, “and Lisbon is such a blessed city”, comentaram à passagem da Ponte 25 de Abril. Quanto ao resto, soframos, porque Angela assim o quer.

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