Uma década depois, sabemos como prevalecer!

10 Set

Assinala-se amanhã o décimo aniversário dos atentados de 11 de Setembro de 2001. Nos últimos dias, os jornais e as televisões têm dado muita atenção a este tema, num exercício exaustivo, mas compreensível, de forma a perceber o modo como olhamos para aquele dia e o que ele mudou nas nossas vidas.

O 11 de Setembro foi provavelmente, até hoje, o dia que mais marcou o século em que vivemos. Devem ser poucos aqueles que não se recordam do que estavam a fazer nesse dia ou com quem estavam. As imagens a que assistimos nas televisões eram chocantes.

O refrão da música “Fragile” que Sting posteriormente dedicou às vítimas dos atentados traduz quase na perfeição o sentimento de milhões de cidadãos comuns que passaram a temer a ameaça do terrorismo no seu dia a dia.

“Nous Sommes Touts Americans” escrevia o Le Monde na sua capa no dia que se seguiu aos atentados. O mundo unia-se contra a barbárie que causara mais de três milhares de vítimas mortais.

Mas se os atentados trataram de unir as nações e os povos, o presidente norte-americano George W. Bush, por sua vez, preferiu lançar a “guerra contra o terror” numa atitude de retaliação e vingança sem olhar a meios para atingir os fins.

Dessa forma, Bush aliou-se verdadeiramente à Al Qaeda e aos fundamentalistas islâmicos, dado que ambos defenderam a ideia da inevitabilidade de um “choque de civilizações”, ideia proposta por Samuel Huntigton e que tem tanto de cega como de injusta.

Ao 11 de Setembro, ao 11 de Março e ao 7 de Julho, os norte-americanos e os seus aliados responderam com uma invasão ao Iraque e os tratamentos degradantes e inadmissíveis em Abu Ghraib e Guantanamo numa espiral de “olho por olho, dente por dente”.

Felizmente, dez anos depois, verificamos que esta forma de ver o mundo não prevaleceu e que o 11 de Setembro, expoente máximo desse tal “choque”, não foi suficiente para que se começasse a olhar para as religiões e para as diferentes culturas como um obstáculo intransponível.

Não poderia ser de outra forma! Porque se olharmos atentamente para o que se passou ao longo dos anos percebemos que os valores que estão em causa não são exclusivos de nenhum povo.

O terrorismo continua a ser um fenómeno global como provam os recentes atentados de Oslo e a persistência de organizações como a ETA na nossa vizinha Espanha.

A invasão ao Iraque , sem o aval do Conselho de Segurança da ONU, contou com a forte oposição da França e da Alemanha, para além da Igreja Católica, que recentemente, foi também uma voz crítica da intervenção da NATO na Líbia.

As recentes manifestações no mundo árabe, que emergiram do interior dos próprios países, provam efectivamente que a justiça, a liberdade e a democracia são desejos universais.

Finalmente, a tão ansiada execução de Osama Bin Laden não tornou, de todo, o mundo mais livre ou mais seguro.

Por isso, vendo o 11 de Setembro com o distanciamento de uma década, podemos dizer que existe uma resposta face a este tipo de atentados cobardes e desumanos: a Justiça!

E felizmente, há lideres mundiais que já tiveram a capacidade de perceber que essa é a reposta. Prova disso, foi a reacção do Primeiro Ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, aos atentados do passado dia 22 de Julho quando afirmou que “esta violência não irá reduzir a nossa capacidade de ser uma sociedade aberta, livre e democrática”.

Só assim podemos enfrentar a ameaça de frente e prevalecer sobre ela.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: