Lixo alimentar – uma vénia ao Sr. Bastonário

6 Set

José Manuel Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos propôs ontem uma taxação suplementar do chamado fast-food e outro “lixo alimentar” que, infelizmente, prolifera. Estamos, portanto, a falar de alimentos processados que comportam riscos adicionais para a saúde. Forneceu uma opinião válida e argumentou o porquê.

Antes de qualquer discussão, fica clara a ideia que, novamente, existe alguma confusão sobre o alcance da liberdade de expressão. Isto porque depois de uma ronda pelos principais jornais e a avaliar pelas pérolas produzidas pelos leitores nas caixas de comentários sobre tal notícia, estaremos mesmo no fim da linha. Acreditemos que a larga maioria dos leitores das edições internet não comenta as notícias nesta base e comportam-se com o mínimo de urbanidade. Certo, a verdade é que, ainda assim, para quem tiver um mínimo de bom senso, provavelmente pensa duas vezes antes de emitir uma opinião por cá. Isto simplesmente porque é precisa toda a paciência. De outra forma, será sempre mais confortável simplesmente não dizer nada. Bem, acredito que exista por aí uma catarse colectiva que ande a pôr metade da população maluca com esta coisa da crise servida do pequeno-almoço até ao jantar, com riscos de contágio aos que ainda aparentam alguma sanidade. Ou existe alguma lógica em comentários tão estapafúrdios e coisas tão pessoalizadas? Será assim difícil comentar meramente ideias sem insultar alguém à primeira?

Portanto, na leitura selectiva do “Zé”, o que apareceu em “gordas”? Novo imposto! Mais impostos? Anda tudo doido. Para mais, depois do ministro das finanças ter afirmado que o Estado se mete na santa vidinha do “Zé”, então o caldo está completamente entornado. Então mas será que não posso já comer o meu hambúrguer descansado?

Em termos de racionalidade económica, que hoje é tão considerada, isto da comida rápida tem “n” vantagens. Cria emprego, anima a economia e o Estado cobra o imposto devido, permite refeições teoricamente mais baratas aos consumidores, que ainda são brindados com uma dose extra de felicidade com tais consumos – lembrem-se dos rasgados sorrisos que sempre surgem nas publicidades a estes produtos tóxicos.

O que o Sr. Bastonário tentou fazer ver foi outra coisa, “penso eu de que” e admito estar redondamente enganado, ou quem sou eu para contrariar o “Zé”? O lixo alimentar tem graves consequências para a saúde no médio-longo prazo. Neste momento, por exemplo existe já um grave problema de saúde pública em torno da obesidade e que afecta, desde logo, os mais jovens, numa escala que não se imaginaria há poucos anos atrás e que faz dos mesmos adultos potencialmente doentes – diabéticos, hipertensos e afins. Nesse sentido, deve desincentivar-se o acesso ao lixo alimentar, de qualquer ordem, de qualquer proveniência. Deve, ainda, promover-se a alimentação saudável. Mais, muito sensatamente, o Bastonário referiu que provavelmente não será a indústria alimentar a promover a mudança – temos todos os motivos para assim pensar.

De outra forma, tudo o resto invariável, sem uma mudança neste estilo de vida que passa pela melhoria da alimentação que fazemos, sem mais prática desportiva, há um “imposto” enorme que recai sobre a totalidade dos contribuintes e que diz respeito ao tratamento pelo Serviço Nacional de Saúde das patologias que estão associadas a estas questões alimentares. Somos já campeões nessa matéria, à nossa frente só os EUA. Portanto, se calhar é mesmo boa ideia o Estado meter-se na vida dos portugueses, pelo menos no tocante à comida rápida. No geral, somos levados nas ondas e nem nos perguntamos porquê. Por exemplo, alguém se questiona porque é que nos cinemas se servem colas e pipocas? Tais elementos têm alguma coisa a ver com a nossa cultura? Pensem nisso em vez de simplesmente dizermos porque sim.

Depois, voltando à economia, a indústria alimentar e parte dos seus players, visará, como é expectável e perfeitamente aceitável, obter lucro com a sua actividade. Podemos ser ingénuos e pensar que sim, a saúde dos consumidores é uma prioridade. Contudo, não havendo uma regulação eficaz, se calhar a coisa não funciona mesmo, até porque não são esses players que vão pagar as facturas, nesse dia mudarão simplesmente de mercado. Pelo meio oferecem-nos umas sopas e umas saladas manhosas, a ver se nos enganam. Quanto à racionalidade da carteira, experimentem os tasquinhos que há em todas as cidades e vilas portuguesas para verem se não é possível comer bem e barato, em vez de mal e “barato”.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: