Berlusconi, Israel e Passos Coelho

2 Set

retirada do cartoon movement

“Vou-me embora deste País de Merda! “. A frase é de Berlusconi e foi retirada de uma das muitas escutas que incidiram sobre ele. Publicar, e acima de tudo escrever acerca de escutas, é o mesmo que vasculhar no lixo, no entanto exponho-me a tal pela efeméride que esta declaração encerra em si mesma. O indivíduo que mais contribuiu para deixar a Itália na merda, ameaça abandonar a obra-prima. Sempre me chocou caminhar pelas ruas de Florença onde a herança cultural é tão forte e tão concentrada que nos faz parecer demasiado pequenos em contraponto com o espectáculo decadente e funerário a que assistia de cada vez que ligava a televisão – a primeira grande herança pornográfica deixada por si ao País. Berlusconi, ou a “coisa”, como Saramago o apelidou, cavou fundo como nenhum outro havia feito, o buraco onde jaz agora tudo aquilo que os grandes mestres italianos deixaram ao mundo. Prostituiu o País ao sabor dos seus interesses cobrindo de ridículo a memória dos seus antepassados. Deixo-vos com a totalidade da “porcaria” transcrita, desculpando-me deste já pela falta de responsabilidade higiénica, mas penso que se eu próprio quisesse fazer um hino à ironia, não encontraria melhor prefácio:

“Sou transparente, tão limpo com os meus assuntos, que não há nada que me possa perturbar. Não fiz nada que possa ser considerado um delito. Daqui a uns meses, vou-me ocupar dos meus negócios e vou-me embora deste país de merda que me dá vontade de vomitar”.

Silvio “a coisa” Berlusconi.

Ficou prometido para hoje a publicação de um relatório da ONU acerca do massacre perpetrado por Israel em 2010 à “flotilha” oriunda da Turquia que visava romper o bloqueio a Gaza. Pelos vistos são 105 páginas que repreendem a acção do Governo Judaico.

Trocado por miúdos, em 2010 Israel matou indivíduos inocentes (mas isto já não é surpresa para ninguém), e a ONU reage em 2011 com um relatório cheio de reprimendas. Estou já a imaginar o primeiro-ministro Israelita cheio de medo, trancado a sete-chaves no seu gabinete, desfolhando em pânico todas aquelas 105 páginas.

Mas vá lá, vamos pelo menos esperar que no futuro a ONU mantenha o carácter de regulador a nível mundial de toda a política geoestratégica… Excepto quando os Estados Unidos estiverem envolvidos… Ou Israel. Ou mesmo o Irão. Ou a Venezuela… Ou até Cuba… Ou qualquer um outro que ouse desafiar todas aquelas fortes represálias em voga pela ONU, isto é, relatórios com mais de 100 páginas.

Retirado do Cartoon Movement

Ainda em relação à recusa do governo Português em taxar os grandes capitais – cuja carga fiscal no nosso País é metade quando comparada com a carga fiscal incidente sobre os rendimentos do trabalho, Passos Coelho disse o seguinte “se Portugal adoptar medidas fiscais “muito mais agressivas”, os capitais fugiriam para outros países”

Como pelos vistos não basta o que acerca disto escreveu um dos maiores liberais mundiais e que recordei aqui a semana passada, queria deixar apenas uma pequena reflexão. Há uns anos atrás uns gurus defendiam que a grande aposta da economia Portuguesa deveria ser a atracção de investimento baseado na oferta de mão-de-obra barata. Que caso se apostasse no reforço do valor do trabalho e na consequente especialização dos trabalhadores, que os capitais fugiriam de Portugal. A economia cresceu baseada num pressuposto errado – os trabalhadores em geral ganhavam pouco, mas havia muita oferta de trabalho. Produzíamos metade da média europeia, mas todos tinham a possibilidade de produzir. Depois apareceram todas essas mecas do trabalho barato, da Europa de Leste à China, passando pela América do Sul. Estas estavam para esses investimentos estrangeiros, como as offshore estão para o capital.
Desses tempos “áureos”

ficaram apenas de herança os salários baixos, e uma taxa de desemprego brutal.
Caro Passos Coelho, os grandes capitais não vão desertar mesmo que as taxas subam. Quem quer evitar impostos põe o seu dinheiro em offshores. Quem quer investir, olha essencialmente à capacidade da mão-de-obra, aos empecilhos legais e à capacidade da classe política em governar através de períodos de grande dificuldade. Passos, se fosse suficientemente corajoso, respondia de imediato a esta terceira premissa, sendo que as outras duas precisam de algum tempo para serem solucionadas, visto que se tratam de problemas verdadeiramente estruturais do País.

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