Da reentrada política ao fecho do mercado de transferências

31 Ago

O Verão e as suas respectivas férias estão próximas do fim. É tempo de limpar teias de aranha, de desenferrujar as teclas e voltar à actividade bloguística. Aproveito o último dia de Agosto para me antecipar à reentrada política e ao fecho do mercado de transferências. À hora a que escrevo ainda poderá haver surpresas, mas no essencial os dados desta estação já foram lançados.

Para começar, sinal mais para São Pedro que poupou Passos Coelho, Miguel Macedo e claro a natureza nacional a uma época brutal de incêndios. Dizem as más línguas que os deuses do PSD subornaram o santo durante anos a fio para estragar as férias a José Sócrates. Tese que ganha particular interesse tendo em conta que Miguel Macedo reduziu o orçamento para o combate aos incêndios com uma confiança fora do normal para quem arrisca o próprio pêlo.

Tivemos também o lúmpen britânico a sair à rua de forma pouco convencional. Há quem diga que aproveitaram para remodelar as suas habitações com plasmas maiores e encher os bolsos de telemóveis e derivados, mas também houve quem reparasse que muitos centros sociais onde muitos jovens ocupam os seus tempos livre estavam a encerrar por falta de verbas. Mais, houve gente que bateu palmas de entusiasmo infantil, lendo nas entrelinhas do motim uma crítica ao capitalismo global e à sua consequente desigual destribuição da riqueza. Mas como também é hábito nestas paragens houve gente que pediu mão pesada para estes criminosos desordeiros.

Vi imagens desagradáveis de assaltos ao pequeno comércio e até roubos a companheiros de jornada. Como é normal houve de tudo um pouco por aquelas bandas. Li também que a comunidade turca se organizou e conseguiu repelir os aventureiros e defender de forma épica os seus negócios. Uma dúvida me assaltou desde então. Pode um motim ter ética? Lembrei-me então de Émile Zola e do seu Germinal onde fala das terríveis condições de vida dos mineiros no norte de França no séc. XIX. No seguimento de uma greve, Zola recria talvez um dos motins mais desumanos da literatura. Houve de tudo, até arrancar órgãos genitais à mão e exibi-los como troféu da emancipação popular feminina face aos abusos dos terrível Maigrat, armazenista e explorador económico e sexual das dificuldades alheias. Puxei um pouco mais pela memória, a histórica e a literária, e não me ocorreu nenhum tumulto onde os amotinados se tenham portado de forma exemplar. Talvez exista, mas não é fácil, estar de barriga vazia deixa pouco espaço a considerações de carácter filosófico.

Por falar em ética, neste caso mais de palavra, temos o menos da estação: André Villas Boas. É perfeitamente compreensível que um jovem treinador tenha ambições de treinar outras equipas noutros campeonatos mais competitivos, contudo foi claramente escusado falar de cadeiras de sonho e deixar o Porto de calças na mão no início da temporada. Pinto da Costa resolveu o assunto apostando, e bem, em Vitor Pereira, mas mesmo assim faria todo o sentido para o Porto e para o André que se fizesse o assalto à Champions com a mesma estrutura do ano passado. Se há treinador com código genético lendário, esse treinador é Villas Boas. Nem há discussão e nessa matéria goleia Mourinho. A forma como conheceu Robson ao colocar-lhe relatórios na caixa do correio quando tinha 16 anos, o facto de ter mentido sobre a idade para ir treinar as Ilhas Virgens com 21, e mais tarde ter acompanhado Mourinho desde o Porto até ao Inter conhecendo vários campeonatos e ganhando tudo em todo o lado. E claro está, treinar o Porto e ganhar tudo aos 33 anos de idade elevam-no claramente à condição de mito. Sinceramente espero que lhe corra bem a experiência no Chelsea, mas mesmo assim fica um gosto amargo pela saída tão precoce. 

No campo do ciclismo tivemos a desilusão chamada Andy Schleck ao fazer mais um segundo lugar no Tour. O facto de Contador não estar no seu melhor podia ser a oportunidade de ouro para Andy se afirmar, mas tal não ocorreu. Schleck perde a corrida para um medíocre Cadel Evans e faz também um contra-relógio vergonhoso para quem se afirma candidato. Em Portugal foi penoso ver como a Volta se degrada de ano para ano. Ciclistas de segunda e terceira linha, umas miseráveis 4 equipas profissionais portuguesas e meia dúzia de equipas de segunda divisão do pelotão internacional. Talvez um exemplo que demonstra bem o que é a Volta a Portugal foi a participação de uma equipa turca que enviou nada mais nada menos do que 6 corredores muçulmanos que vieram fazer o Ramadão para uma corrida de ciclismo. Claro está que todos desistiram, mas não seria isto óbvio?

Para terminar umas palavras de apreço para Jacques Delors, talvez um dos poucos europeístas digno desse nome, que numa entrevista recente envia um puxão de orelhas a Sarkozy e Merkel pela forma passiva como têm enfrentado a crise actual. Este tema será abordado com mais detalhe numa próxima oportunidade. Para já vamos esperar pelo fecho do mercado para saber se Álvaro Pereira sempre sai e qual é, se é que vem alguém, o avançado que o Porto irá contratar.

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