Parem de mimar os super ricos.pt

28 Ago

“Eu não me considero rico. Sou trabalhador”

Foi esta a declaração proferida por Américo Amorim quando interrogado acerca da disponibilidade em aceitar um imposto extraordinário sobre grandes fortunas.
Américo Amorim foi considerado este ano pela revista Forbes como o homem mais rico de Portugal, ocupando a 200a posição a nível mundial, com uma fortuna avaliada em 3,6 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 791 milhões de euros em relação ao valor de 2010 (2,8 mil milhões de Euros).

Patrick Monteiro de Barros, esquivou-se a fazer qualquer comentário acerca do pagamento do imposto. De notar que Patrick é detentor de uma casa desenhada por Thomas Jefferson, o 3° presidente dos EUA, na Virginia onde passa apenas 3 meses no ano.

Já Joe Berardo mostrou disponibilidade em abraçar a medida, embora com algumas reticências “se houver uma taxa especial todos devemos contribuir”. Mas “mais importante do que essa contribuição é que os empresários que têm riqueza criem postos de trabalho no País”.  Acrescentando ainda que “mesmo que todos ajudassem um pouco não se resolvia o problema da dívida”. Esta responsabilidade social repentina não apaga porém o recente escândalo do incumprimento fiscal da Fundaçao Berardo relativo a 2009.

Aparentemente, no mundo dos milionários e bilionários portugueses, há algo bem mais latente do que este repentino acesso de consciência social dos congéneres americanos e franceses, o chico-espertismo. Esse sim é um fenómeno que unifica e trespassa transversalmente a sociedade portuguesa.

Num artigo de opinião, no i online, Nuno Ramos de Almeida escreve o seguinte:
‘Os teóricos de dar mais dinheiro aos ricos defendem que apesar de isso criar alguns problemas de desigualdade criaria uma sociedade mais competitiva e no final ter-se-á mais riqueza e mesmo os mais pobres viverão melhor. “Quando a maré sobe, todos os barcos sobem com ela”, garantem. Infelizmente, como nos mostra o economista da Universidade de Cambridge Ha-Joon Chang, o resultado é precisamente o inverso: aumentaram as desigualdades, diminuiu a taxa de crescimento das economias no mundo desenvolvido e de facto a maré subiu, mas apenas para alguns. A maioria está prestes a afogar-se nesta crise. Pode mesmo dizer-se que estas políticas que privilegiaram o lucro fácil e não taxaram devidamente a especulação financeira conduziram o mundo à crise em que se encontra. Segundo o economista francês Michel Husson, a crise de 2008 custou uma perda de mais de 900 mil milhões de euros ao PIB europeu. Para provar que não há coincidências, a este valor corresponde grosso modo o crescimento da dívida pública dos países do continente. Foram 980 mil milhões de euros entre 2008 e 2010. Depois de os estados e os contribuintes terem pago os resultados da especulação financeira dos mais ricos, vendem-nos como solução que paguemos tudo, uma segunda vez, em cortes sociais.’

Mas as cartadas da ‘fuga de investidores e capitais’ e da ‘impossibilidade de tributar os bens devido aos actuais moldes legais’, entre outras, continuam a ser jogadas por economistas e políticos que procuram, a todo o custo, manter um sistema financeiro caduco e insustentável.
À celeridade na aprovação de um imposto extraordinário sobre o subsídio de natal contrapõe-se a declaração de Luiz Menezes, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, no seguimento do chumbo, por parte do PSD e CDS, do projecto de lei do BE relativo ao imposto sobre grandes fortunas.
“O governo já disse que está a estudar a situação. Não podemos fazer a lei mal feita, à pressa. É preciso ter cabeça, tronco e membros.”
Parece-me que se fala muito e no final os resultados serão escassos. Afinal, basta dar uma vista de olhos às declarações de rendimento dos membros do governo para nos apercebermos que, muito possivelmente, estes também seriam chamados a contribuir para o novo imposto. Paralelamente os grupos de pressão começam a alinhar-se e a pedir explicações.Tanto dinheiro investido em campanhas terá certamente direito a respostas e a um empurrãozinho na protecção dos seus interesses.

Medida simbólica ou não, todos deverão ser chamados a participar na estabilização e recuperação da economia nacional. Não podemos continuar a sobrecarregar as famílias portuguesas e depois dizer que, de qualquer das formas, o imposto sobre as grandes fortunas não resolveria o problema do défice. Até porque, segundo o i online  o ‘imposto sobre as 100 maiores fortunas portuguesas permitiria ao Estado um encaixe de 576 milhões de euros. É pouco menos que os 630 milhões de euros que o governo vai retirar aos trabalhadores em Portugal este ano à conta do corte de 50% no subsídio de Natal.’

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