“Mais democracia, mais humanidade”

30 Jul

Os atentados do passado dia 22 de Julho na Noruega continuam a ser notícia. Vamos conhecendo a conta gotas os contornos deste ataque inesperado e selvagem idealizado e concretizado por Anders Behring Breivik.

É difícil compreender o ódio manifestado nos documentos escritos pelo norueguês e a sua frieza perante o horror que causou junto de tantas famílias. Sabemos também que Portugal era outro dos alvos de Breivik que certamente terá seguidores dispostos a defender os mesmos ideais racistas e xenófobos deste militante de extrema-direita.

A brutalidade dos atentados e os dados de que agora dispomos sobre aquilo que aconteceu devem-nos chamar a atenção para este tipo de fenómenos que não se podem voltar a repetir. Não podemos permitir que o sangue de inocentes volte a ser derramado em nome de uma “Europa pura”.

A Europa e o mundo, mesmo em tempo de crise e incerteza, não podem recuar nos valores da tolerância, do multi culturalismo e do respeito pelos outros. Daí que seja fundamental erradicar este tipo de movimentos que põem em causa a liberdade. E esse é um combate que é, e deve ser, transversal da Esquerda democrática à Direita democrática.

A resposta tem que passar pela prevenção através da educação para os Direitos Humanos junto dos mais jovens e dos mais velhos e através da implementação de fortes medidas de segurança, sempre no respeito pela justiça e pela lei internacional.

Nestes dias tenho-me lembrado de uma história contada por João Paulo II. O papa polaco contava que na II Guerra Mundial se havia encontrado casualmente com o homem mais sábio que alguma vez conheceu e que vivia num quarto escuro, suspenso entre a vida e a morte.

“E esse homem – disse Wojtyla – não era um filósofo, era um santo!”. Sobre o horror vivido na Polónia e no mundo por essa altura, o velho homem disse-lhe: “Vencereis com o amor, não com as armas.” O jovem polaco não conseguia acreditar em tais palavras e perguntou-lhe: “Como é que consegue dizer isso com os nazis mesmo à porta?”. Como resposta, o ancião disse-lhe: “O nazismo acabará, porque o mal devora-se a si mesmo. Mas se o amor não triunfar, o nazismo voltará com um outro nome qualquer.”

A História provou que o velho homem polaco tinha razão. E sessenta e seis anos depois do final da II Guerra Mundial, a Noruega chora neste momento as vítimas da pior tragédia depois do Holocausto. Tranquiliza-me por isso a lucidez do Primeiro Ministro norueguês, Jens Stoltenberg, que na primeira reacção aos atentados não teve dúvidas em afirmar que “a resposta à violência é mais democracia, até mesmo mais humanidade, mas nunca ingenuidade”.

São esses os valores que têm que prevalecer perante o racismo, a xenofobia e a intolerância que estão por trás destes ataques.

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