Vencer a ameaça com a justiça

23 Jul

Na semana passada escrevi sobre o contributo de Mandela para um mundo melhor. Falei da importância do perdão que ele defendeu e pôs em prática sem esquecer um forte sentido de justiça, que nos interpela a recusar a vingança nos juízos que fazemos, por muito que à partida esse seja um sentimento compreensível.

Ontem assistimos a um duplo atentado terrorista que roubou a vida a cerca de noventa pessoas na Noruega. Nada o fazia prever. No país que anualmente entrega os Prémios Nobel da Paz reina, pelo menos aparentemente, uma paz social onde os valores da tolerância e do pacifismo tinham e têm um papel central na sua política interna e externa.

É certo que não será uma política isenta de erros e defeitos. Mas como escreve Manuel Tavares no editorial do Jornal de Notícias de hoje “o que é que correu mal para não termos sido capazes de erradicar este fenómeno de desprezo pela vida humana?!”

A brutalidade das imagens e do número de vítimas faz-nos ter dúvidas. Estaremos a ser demasiado tolerantes para com aqueles que não partilham os valores da democracia e dos direitos humanos? Ou por outro lado, não estaremos nós desatentos perante os problemas sociais de que padecem as nossas sociedades?

Tanto uma como outra são dúvidas legítimas perante actos que nos mostram o quão frágeis podemos ser. Mas mesmo sabendo que não há sociedades perfeitas, nada justifica a cobardia e a barbárie que consiste em roubar vidas inocentes. Pois a democracia, tal como afirmou Winston Churchill, “é o pior sistema de governo… excepto todos os outros.”

Se acreditamos nisto, só temos uma solução: reforçar a democracia, responder à injustiça com a justiça e resistir ao apelo de trocar a liberdade pela segurança.

Ao longo dos tempos, o mundo e os desafios que se colocam à democracia têm mudado. Cabe aos eleitos pelos povos encontrar a cada momento a melhor resposta para defender as populações e corresponder às suas aspirações. O que não deve mudar são os valores que devem guiar essas respostas.

Recusar a chantagem dos terroristas deverá ser o primeiro passo a tomar. Isto sem esquecer a dor das vítimas e a segurança dos demais cidadãos. Julgando quem deve ser julgado e condenando quem deve ser condenado por ofensa a valores tão fundamentais como são inviolabilidade da vida humana e o respeito pelos outros.

Combatendo as causas e os meios do terrorismo será possível prevenir o mesmo. Sempre no cumprimento da lei. Caso não o façamos, apenas estaremos a legitimar e a aumentar os danos desses actos de terror. Estou certo de que a Noruega e o mundo, dez anos depois do 11 de Setembro, já terão aprendido que essa não é a melhor resposta a este fenómeno.

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