O exemplo de Mandela

16 Jul

Nelson Mandela festejará na próxima segunda-feira, dia 18 de Julho, o seu 93º aniversário, certamente com o sentimento de dever cumprido por ter sido um dos homens que mais contribuiu para um dos maiores avanços que a Humanidade conheceu no final do séc. XX: o fim do apartheid.

O preço a pagar por essa conquista foi duro: sessenta e sete anos de dedicação a um mundo melhor, vinte e sete deles passados na cadeia. Clint Eastwood no filme Invictus retrata o momento em que François Piennar, capitão da selecção sul africana de Rugby, na véspera da tão aguardada final do Campeonato do Mundo de 1995, se pergunta a si próprio “como é possível passar quase trinta anos numa prisão e sair pronto a perdoar aqueles o puseram lá dentro?”.

Nelson Mandela foi juntamente com João Paulo II um dos homens que introduziu o conceito do perdão na política dos Estados e nas Relações Internacionais. Estes dois homens foram capazes de nos mostrar que desde que haja vontade política é possível ultrapassar aquilo que nos divide, movidos pelo bem comum e pela ideia de um mundo habitado e habitável por seres humanos que têm o direito à felicidade.

“Não há paz sem perdão!” disse um dia o Papa polaco. A vida de Nelson Mandela é a prova viva dessa afirmação. Correndo o risco de ir contra os sectores mais fundamentalistas do ANC e da grande maioria da população negra, Nelson Mandela procurou a reconciliação que impediu que o país entrasse numa guerra civil.

A nação “arco-íris” que Madiba teorizou e concretizou não é nenhum oásis no deserto, nem sequer uma sociedade mais perfeita do que as outras. Tem os seus problemas e luta para superar os seus desafios num tempo de grandes mudanças. Mas conseguiu ultrapassar o critério da cor da pele para avaliar o carácter de uma pessoa.

Pode isso parecer-nos algo de banal nos dias de hoje, sobretudo quando temos um afro-americano como Chefe de Estado dos Estados Unidos da América. Mas o caminho percorrido até aqui foi doloroso e deixou muitas marcas. Nesta fase de grande crise mundial, económica e de valores, é bom não esquecer isso. Não podemos permitir que se recue nesta área.

Ainda não tive a oportunidade de acabar de ler o livro “Arquivo Íntimo” que a Fundação Nelson Mandela lançou no ano passado com as cartas e conversas trocadas por Madiba com os seus ente queridos mais próximos. Neste livro, Mandela revela-se como homem entre os homens, com todas as suas dúvidas, tristezas e hesitações. O seu auto-reconhecimento nesta fase avançada da sua vida, quando é provavelmente a pessoa mais consensual à face da Terra, é uma prova de grande humildade.

Uma humildade que confirma a sua santidade, no contexto que ele próprio teorizou: “um santo não passa de um pecador que simplesmente não desiste de tentar melhorar”.

Não esqueçamos que Mandela, defendeu em tempos a luta armada em detrimento da não violência e preparou sabotagens contra alvos “inimigos” do ANC. Foi capaz de perceber que esse não era o caminho, procurou o perdão e foi capaz de perdoar.

A sua história é uma lição. Para a vida e para a política.

Sejam então os nossos políticos capazes de defender os princípios pelos quais deverão desejar viver, mas pelos quais não deverão ter nenhuma hesitação em morrer, tal como afirmou Mandela no julgamento que o condenou a prisão perpétua.

Parabéns Madiba!

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