Razões para um sub-desenvolvimento – A Mentalidade

15 Jul

Queria começar aqui uma série de reflexões em torno de todas as razões que nos fazem continuar com patamares de desenvolvimento quase em tudo inferiores aos nossos restantes vizinhos europeus. Não pretendo fazer diagnósticos exaustivos, nem fazer sermões aos peixes. Pretendo apenas que cada desgraçado que opte por ler isto, ainda por cima em plenos dias de férias e com um sol extraordinário lá fora, faça apenas uma pequena reflexão individual e uma espécie de auto-análise.

A mentalidade. Por norma temos uma atitude de desculpabilização face ao nefasto destino que parece estar sempre associado a Portugal. Quando confrontados por alguém que não viva no nosso País acerca das razões para esta profunda crise, que dura já desde, digamos por exemplo 2001 (e estou a ser generoso), começamos imediatamente por dizer que a culpa é dos nossos políticos, que são muito maus. Ora meus caros, esse argumento não colhe, porque em geral os políticos são maus. Perguntem a um Finlandês, ou a um Sueco o que é que eles pensam acerca da sua classe política, e a resposta será a mesma que a de um Italiano ou a de um Grego. Quero eu dizer que não são os políticos na sua totalidade que condicionam o desenvolvimento de um país. É o povo que faz o País. Se um povo não produz o suficiente, se se deixa engendrar por interesses corporativistas de algumas classes profissionais, se os patrões em geral são menos qualificados que os empregados e têm uma visão estratégica e de expansão de negócio igual à de um fabricante de piscinas em pleno deserto, não se pode esperar que o milagre do crescimento económico aconteça. Tragamos o ministro da educação Finlandês, o ministro Sueco das obras públicas ou o ministro da economia Japonês, e não mudemos a nossa mentalidade face ao rigor, à pequena corrupção, à tolerância do mercado negro de trabalho, e vejamos que reformas poderiam ser levadas a cabo… ZERO!
Continuemos a tolerar a delapidação dos recursos públicos pelos corporativismos do ensino, da justiça, da construção e da saúde, e quem sabe um dia deixaremos de fazer sacrifícios para salvar o País, pois este provavelmente deixará de existir.

Está na hora de deixar de fazer vista grossa à pequena corrupção que nos rodeia, à cunha e a esse círculo vicioso de favores como pagamento de outros favores.

Está na hora de deixarmos de ter orgulho na nossa capacidade de “desenrascanço”, que mais não é que um sinónimo de atraso, próprio de quem não tem a capacidade de organizar o próprio trabalho e consequentemente a própria vida. “Desenrascar” significa fazer algo mais-ou-menos bem num curto espaço de tempo, que poderia ter sido feito melhor, com mais tempo se “organização” não fosse apenas um termo estranho que se encontra no dicionário.

No fundo, ou mudamos de mentalidade, ou qualquer governo ou troika do futuro, não será nada mais do que um prestador de cuidados paliativos.

P.S: António José Seguro, com os seus discursos altamente demagógicos e a sua prestação no debate, conseguiu aos meus olhos uma coisa extraordinária e que eu nunca pensei ser possível: transformar Francisco Assis num candidato de valor à liderança do PS!

Continua assim em aberto a luta pelo cargo oficial de futuro-prospector-de-água-no-deserto de Portugal

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