Ainda há heróis

14 Jul

Yasuteru Yamada

De que a condição humana é capaz do melhor e do pior, ninguém tem dúvidas. Exemplos na história não faltam, desde Hitler, Estaline, Pinochet, a Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King ou Nelson Mandela, pessoas de campos bem opostos se de um espectro de humanidade pudéssemos falar. Nesta dicotomia entre heróis e vilões, todos têm o seu lugar na história, todos devem ser recordados, os heróis obviamente pelo seu bom exemplo e os vilões para que a humanidade jamais esqueça a sua mais miserável condição.

O sismo ocorrido há quatro meses no Japão deixou um mar de destruição, e o perigo nuclear na central de Fukushima assustou milhões de pessoas e deixou alguns governos a repensar a sua estratégia de energia nuclear. Foram impressionantes as imagens que diariamente deram a volta ao mundo, dando a conhecer o rasto de devastação e a força com que a natureza roubou milhares de vidas e atirou outras tantas para abrigos improvisados. Ao ocidente era louvado o civismo com que os japoneses esperavam a sua vez nas filas dos supermercados, e como conseguiam minimizar todas as consequências que uma catástrofe daquela natureza pode ter.

Passado o sismo e o tsunami as atenções voltavam-se agora para o reactor da central nuclear de Fukushima. A prioridade era o seu arrefecimento e posterior desmantelamento da central, para evitar danos que fariam lembrar o mais negro acidente nuclear em Chernobyl. A necessidade de evitar um desastre nuclear de maiores proporções obrigou a que os trabalhadores da central, ainda que protegidos, ficassem expostos a uma radiação extremamente perigosa, com consequências para a saúde imprevisíveis no futuro.

É a pensar nos trabalhadores da central que Yasuteru Yamada, um pensionista de 72 anos lança a ideia de angariar voluntários pensionistas para substituir os trabalhadores mais jovens que operam na central. A ideia ganhou corpo e o são duas centenas os pensionistas, na sua maioria engenheiros, que se voluntariaram com a justificação de que a sua esperança média de vida é reduzida comparativamente com o tempo que uma doença cancerígena provocada pela exposição à radiação demoraria a desenvolver-se, poupando assim os trabalhadores mais jovens de futuras complicações de saúde.

O que para alguns pode parecer suicídio ou um acto frio, revestido de um certo estoicismo, paradoxalmente, considero que é um acto de grande amor e respeito pelo próximo. Só alguém com um grande amor pelo ser humano, com enorme inteligência e racionalidade se voluntaria para esta missão.

Nem sequer considero que seja um acto de desprezo pelas próprias vidas, bem pelo contrário, ao terem a coragem para tomar tal decisão, conseguiram compreender que a fase da vida em que se encontram, poderá ser a quimera para resolver o problema e isso dá às suas vidas toda a razão de ser.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: