Um corte na estação parva

9 Jul

A crise económica financeira que afecta os países do Sul da Europa levou a um corte inesperado neste Verão. Não estou a falar do fim das “borlas” em Agosto na Ponte 25 de Abril que já se tinham tornado numa tradição lá para os lados da capital.

Estou a falar da chamada “silly season” – a estação parva. Por esta altura, em outros anos, era natural darmos algum descanso aos neurónios, apreciarmos nas páginas das revistas cor de rosa as viagens dos nossos políticos enquanto que o Parlamento ia de férias e as polémicas dos grandes jogadores de futebol enquanto se aguardava a tão badalada transferência.

O resto das notícias resumia-se ao combate dos bravos bombeiros aos incêndios que iam assolando as florestas portuguesas, uma ou outra tragédia balnear e mais uns quantos “fait-divers” que iam enchendo as páginas dos jornais.

Eis que chegou o FMI e tudo mudou: o Parlamento já não vai de férias, a chuva e as baixas temperaturas não são muito convidativas para ir a banhos e há que poupar o subsídio de férias até porque o 13º mês vai ser pela metade.

Aos inúmeros cortes previstos no memorando da “troika” juntou-se o corte na “silly season”.

As televisões foram obrigadas a manter a sua grelha de programação, prescindindo da repetição de programas já velhos e gastos que se voltassem mais uma vez para o ar levariam as acções dos grupos económicos que as detém para o nível de lixo, classificado não por uma qualquer agência de rating, mas pelo bom senso do comum dos mortais.

Não estamos habituados a esta situação e ainda nem sabemos bem como reagir. “É o chamado murro no estômago” diz o Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho. E quantos não temos levado nos últimos tempos. Já nem umas férias a sério nos são permitidas.

“Vocês são lixo!” dizem-nos “escandalosamente” uns mercados mal dispostos e traiçoeiros a quem nem sequer reconhecemos o rosto. É algo que dá cabo do equilíbrio de qualquer um. Pusemo-nos a jeito, e é bem verdade. Reconhecer isso é uma prova de humildade e só nos faz bem depois de anos em que nos endividamos envoltos num “novo riquismo” a quem agora conhecemos a outra face.

Não gastamos nas necessidades, o que seria legítimo, mas nos desejos. E como quem tudo quer, tudo perde, eis que chegamos a este momento em que parecemos marionetas das agências de rating. Agências sem o mínimo de credibilidade, mas com as quais temos que levar. Afinal entramos no jogo delas.

Prometem-nos agora uma agência de rating europeia e falam-nos da necessidade de fazermos o trabalho de casa de modo a realizar as necessárias mudanças que o país já deveria ter feito sem recurso a qualquer resgate.

E eu, que tal como o Jorge Palma, me tornei num “optimista céptico”, só espero que este corte inesperado na estação parva não nos deixe ainda mais parvos. Veremos.

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