Falámos de peixe, venha agora a carne!

27 Jun

Aqueles que me conhecem bem entendem facilmente o regresso ao tópico da alimentação. Aqueles que não me conhecem, perdoem-me se soa a repetição ainda que eu acredite veemente que o não é.

Parece-me ser um tópico que merece atenção. Seja porque a Europa anda num frenesim devido aos alimentos contaminados por estirpes patogénicas de Escherichia coli. Seja pela próxima reunião, terça-feira, dos responsáveis pela Agricultura e Pescas dos 27, na qual se estreia Assunção Cristas, nova ministra portuguesa da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território. Ou simplesmente pelo facto de eu adorar comida.

Sou uma fã tão apaixonada, que o meu conhecimento geográfico é incrivelmente marcado por especialidades gastronómicas. Vejamos, localidades portuguesas que rapidamente me vêm à memória: (clarinhas de) Fão, (cristas de galo de) Vila Real, (rebuçados da) Régua, (leitão de) Negrais, (pastéis de Belém em) Lisboa, (queijadas de) Sintra, (pão-de-ló de) Alfeizerão, (ovos moles de) Aveiro, (francesinhas do) Porto e como não podia deixar de ser os maravilhosos pastéis, alheiras, folar e presunto de Chaves…

Para a confecção dos deliciosos pratos que nos ficam registados na memória, certamente a qualidade dos ingredientes é factor preponderante. E quando falo em qualidade de ingredientes lembro-me imediatamente das idas às compras com a minha mãe. A primeira paragem era no supermercado, mas aí não se comprava peixe, ou carne ou vegetais… Essa paragem era apenas para outro tipo de bens de consumo. Depois no regresso a casa, havia paragem nas pequenas lojas da vizinhança, o talho, a peixaria e a mercearia, para a carne, o peixe e as frutas e vegetais, respectivamente. Porquê ter de parar em tantos sítios se era tão mais fácil comprar tudo na primeira paragem – perguntava eu. Porque aqui a qualidade é muito melhor, garantida pelos fornecedores que são pequenos produtores da região – respondia a minha mãe. E a minha mãe tem sempre razão! Realmente os alimentos eram melhores, podiam não ser redondinhos, nem perfeitinhos, nem sem marcas, mas tinham sabor! E sabiam bem que se fartavam…

Parece-me ser mais que claro que a produção/exploração em quantidade não resulta, muito mais importante é a produção com qualidade. Portugal tem certamente o potencial, que tal focarmo-nos então no parâmetro qualidade? Esta semana, deixo aqui outra apresentação do chefe e académico Dan Barber, desta vez sobre foie gras. Aconselho a todos, principalmente aos que, tal como eu, são contra as crueldades cometidas contra animais.

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2 Respostas to “Falámos de peixe, venha agora a carne!”

  1. Frederico Brandão 28 de Junho de 2011 às 9:13 AM #

    Muito bom. Tem grande classe a crónica culinária!

  2. Diogo Silva 29 de Junho de 2011 às 10:17 AM #

    Não sei onde foste buscar isto ou quem to mostrou mas o vídeo está genial e não podia ser mais verdade. É revelador no sentido em que nos apercebemos do quanto se desperdiça e quão melhor seria se conseguimos tornar a agricultura em algo que vem da natureza e não algo que é imposto à natureza. Claro que já todos sabemos algumas trivialidades que se apontam no vídeo mas não paramos para pensar verdadeiramente nas consequências e no que podemos fazer para travar isto. Obrigado! 😀

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