Portugal é 18 vezes mais Mar do que terra, uma pequena lição de história

26 Jun

– o que é que aconteceu ao Mar

perguntar-se-ão vocês.

 

Começo esta minha primeira intervenção com um texto muito baseado no livro que estou a ler de momento – Pitta e Cunha, Tiago,  Portugal e o Mar, À Redescoberta da Geografia, Fundação Francisco Manuel dos Santos, Abril de 2011. Neste ensaio, o antigo coordenador da Comissão Estratégica para os Oceanos disserta acerca do passado, presente e futuro deste recurso, outrora infindável, mas ainda escassamente aproveitado.

Posso começar a estória (ou será história?) com uma bela época recente do nosso país: o pós-25 de abril. Então aqui vai

– era uma vez um ditador. Este ditador governava um império, dizia ele, e esse império tinha como ponto central de ligação e identidade o mar: aquele oceano imenso que  rodeava o orgulhoso portugal, nos havia feito conquistar províncias além bojador e deter uns quantos molhos de escravos, que graças à nossa superior inteligência (ou terá sido às armas e exércitos colonialistas contra tribos desprotegidas?) estavam subjugados nos nossos territórios ultramarinos

(- novamente a palavra mar, até no nome do território)

– bem dito, caro leitor. Acontece que, um dia, o povo dominado em terras aquém e além mar se cansou do senhor ditador e os seus amigos, lhe deu um chuto no rabo (atalhando na estória) e instalou aquilo a que se chama democracia (o governo do povo). A senhora Democracia restituiu o debate livre à sociedade e trouxe de volta um valor há muito perdido – a liberdade de expressão. Essa mesma, aliada ao cansaço de anos de ditadura, levaram-nos, enquanto povo, a rejeitar o mar e querer europa, uma decisão de ruptura com pelo menos quinhentos anos de história de portugal. A percepção da importância estratégica do Mar havia sido descoberta ainda no decurso da primeira dinastia, quando o desígnio de um país independente recorreu ao mar para se demarcar de leão e castela.

Depois vêem anos e anos de histórias, estórias, lendas, navegadores e a europa desde a época de 80. Esta europa, levou-nos a pensar sermos um país periférico – como tantas vezes se diz e ouve, mas

que país pode ser periférico situando-se  na fronteira entre dois continentes, sendo a porta de entrada para a a mesma europa e o Mar mediterrâneo e com a maior zona económica exclusiva de um continente

pergunto eu. Este abandono era justificável para a época, mas não faz qualquer sentido hoje – e o próprio oceano tem-nos dado motivos para o apoiarmos agora, em época de crise, mais do que nunca. É urgente associar o Mar à inovação, ao futuro e a oportunidades económicas lucrativas e não a um passado, duras condições de vida e ausência de relevo económico. Mar = Império é uma associação que já não existe, apesar de insistimos em fazer perdurar.

Para vos elucidar dou apenas alguns números:

– 60% do pescado consumido em portugal é importado

– portugal é um dos países costeiros da europa com menos barcos de recreio por habitante (num país nórdico são cerca de 150 por mil habitantes, cá são 10)

– portugal gera no Mar um valor três vezes inferior ao da bélgica, que tem menos 100km de costa do que nós, ou seja, menos de um décimo da costa Portuguesa

– a dinamarca, com bastante menos população do que o nosso país, produz seis vezes mais valor no Mar e gera três vezes mais emprego

– somos 18 vezes mais Mar do que terra

chega?

Temos a obrigação de “passar a perspectivar-nos, não como o pequeno país terrestre que somos à escala mundial, mas como a grande nação oceânica mundial que também poderemos ser se soubermos aproveitar o Mar“, facto que nos ajudará a “reconciliarmo-nos com a nossa História, bem como a tirar partido da nossa centralidade e da nossa geografia, em vez de apenas nos lamentarmos dela“, diz-nos tiago pitta e cunha.

No entanto, como diz o mesmo, “saber explorar não significa explorar muito, mas explorar sustentadamente, porque, se a exploração económica não estiver baseada em rigorosos critérios de sustentabilidade, ela não será sequer admitida, muito menos bem sucedida“.

Ainda assim,

– que usos dar ao Mar e que estratégias estamos já a adoptar?

é a essa afirmação que responderei na próxima crónica.

 

Sejamos Mar,

e não mar.

 

Ate lá,

Carpe Diem

 

Diogo

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