Fernando Nobre, Rui Tavares e Francisco Assis. O que vale é que as férias já estão mesmo aí..

24 Jun

Fernando Nobre, ao aproximar-se do PSD, mesmo como independente, cometeu um perfeito Seppuku Politico. E tudo isto porque após as Presidenciais, não pôs em prática uma coisa que normalmente se apelida de distanciamento político. É uma espécie de coup de théâtre que os intervenientes políticos põem em prática de cada vez que perdem eleições, e que consiste em fazer de conta que se está afastado da vida política activa, para depois voltar num momento de necessidade (normalmente do partido, quase nunca do Pais). Nobre expôs-se demais num jogo perigoso, dominado muitas vezes por rufias e que ele claramente não sabe jogar. Mas o que me deixou mais perplexo em toda esta embrulhada, nem foram as trapalhadas de Fernando Nobre, nem mesmo a sucessão quase surreal de todos estes episódios. São estes contínuos julgamentos de carácter a que tenho vindo a assistir, ainda para mais vindos de indivíduos cuja passagem pela terra poucas marcas deixará, e que me fazem ter vergonha deste estado de espírito mesquinho e recalcado que sinto ser ainda abundante em Portugal. A vontade de criar mitos e de os destruir à pedrada na praça publica, parece ser a contribuição que muito boa gente quer deixar em legado aos seus concidadãos, quase como um convite a abrir bem os pulmões no meio de uma lixeira.

Outro julgamento de carácter foi aquele a que assistimos também esta semana lá para os lados do BE. Mais um célebre diz-que-diz-que, com jornalistas pelo meio, que levou um líder partidário a lançar suspeitas na praça pública, sem consultar previamente os intervenientes de tal imbróglio Francisco Louça continuara de buraco em buraco, até ao dia em que o Bloco se reduzir apenas aos 4 iniciais.
Quanto a todo este episódio e à saída de Rui Tavares do Bloco, que muita celeuma tem vindo a causar, mais uma vez pergunto: alguém gosta de respirar bem fundo, numa lixeira a céu aberto?

E como não podia deixar de ser, no final de uma semana marcada pela crispação política em torno não de ideias, mas sim de ideias preconcebidas que temos de outros, não faltou o outro ingrediente tão comum no nosso quadro político actual – a Demagogia.

Gostei muito de ouvir Francisco de Assis a falar na abertura dos partidos à cidadania. A ideia de que o cidadão comum poderá votar nas primárias para eleger os candidatos do PS às próximas eleições autárquicas ou mesmo legislativas, parece-me excelente, mas absolutamente demagógica no quadro actual. Primeiro porque vem de alguém que será candidato à liderança do seu partido sem ter passado por qualquer espécie de quórum popular; Segundo porque advém de um partido que se lembra da cidadania após obter uma derrota estrondosa, e que durante anos foi o exemplo máximo de clientelismo político; Terceiro porque se há uma coisa em que Assis sempre se destacou foi pela fidelidade inequívoca ao partido e aos seus líderes. Eu pessoalmente duvido que alguém, assim tão partidariamente escolarizado possa comandar essa revolução, que assumo, será mais tarde ou mais cedo necessária

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