Inicio a minha publicação com um gigante pedido de desculpas pela minha ausência nas últimas semanas.
Slutwalk em Lisboa dia 25 de Junho às 17h30, Largo de Camões
O que é a Slutwalk? A slutwalk é uma marcha que começou em Toronto a 3 de Abril deste ano e desde então corre as cidades de todo o mundo contra a ideia de culpabilidade que é apontada às vítimas de agressão sexual pela maneira de se vestirem e consequente desresponsabilização do agressor. Tudo despoletou com as alegações de Constable Michael Sanguinetti, um polícia de Toronto, onde, num fórum sobre segurança na Universidade de York , teve a semelhante paragem cerebral ao proferir a seguinte frase: “Women should avoid dressing like sluts in order not to be victimized”. Que é como quem diz: As mulheres devem evitar vestir-se como badalhocas, fáceis, putas, galdérias e desavergonhadas na medida de deixarem de ser vítimas.
Sou slut se sou uma mulher que decide sobre o seu corpo, sou slut se me visto da maneira que me agrada ou apetece, sou slut se quiser colocar um baton vermelho porque realmente gosto da cor e acho que me fica bem, sou slut se não quero ser agredida sexualmente porque sempre achei que tinha uma palavra a dizer se quisesse envolver-me com alguém, e sou slut se não gosto de piropos sexistas e heteronormativos. Então, saiu de casa com a minha pouca vergonha e saia curta para reivindicar o meu direito a ser como eu quiser no sábado à tarde.
Transcrevendo do manifesto da Slutwalk Lisboa:
Se ponho um decote… Não é Não!
Se pus aquelas calças de que tanto gostas… Não é Não!
Se uso burqa… Não é Não!
Se durmo com quem me apetece… Não é Não!
Se sou virgem… Não é Não!
Se passo naquela rua… Não é Não!
Se vamos para os copos… Não é Não!
Se me sinto vulnerável… Não é Não!
Se sou deficiente… Não é Não!
Se saio com xs maiores galdérixs…Não é Não!
Se ontem dormi contigo… Não é Não!
Se sou trabalhadora sexual… Não é Não!
Se és meu chefe… Não é Não!
Se somos casadxs, companheirxs, namoradxs… Não é Não!
Se sou tua paciente… Não é Não!
Se sou tua parente… Não é Não!
Se sou imigrante ilegal… Não é Não!
Se tenho relações poliamorosas… Não é Não!
Se sou empregada de hotel… Não é Não!
Se tens dúvidas se aquilo foi um sim, então… Não é Não!
Se és padre, imam, rabi ou poojary… Não é Não!
Se beijo outra mulher no meio da rua… Não é Não!
Se sou brasileira, cabo-verdiana, angolana ou de outro país que sofreu colonização… Não é Não!
Se tenho mamas e pila… Não é Não!
Se disse sim e já não me apetece… Não é Não!
Se sou empregada doméstica… Não é Não!
Se adoro ver pornografia… Não é Não!
Se ando à boleia… Não é Não!
Se estamos numa festa swing, numa sex party ou numa cena BDSM… Não é Não!
Se já abrimos o preservativo… Não é Não!
Como dizia o artigo do Público, tudo isto revela o preconceito ainda existente. Eu próprio percebo a ideia do sor polícia quando disse aquilo e parece mais inocente do que o que é, mas através dessa aparente inocência deixou transparecer da forma mais evidente uma ideia generalizada de que as vítimas de violação se podem “pôr a jeito”, quando sabemos sem sombra de dúvida que os homens que violam é que são uns perfeitos anormais e não merecem qualquer vitimização, sob o risco de o repetirem se forem perdoados. Eu próprio nem percebo como é que um homem pode conseguir violar uma mulher, é preciso ser muito perverso… Quando abri o Público parecias-me tu mas como só tinha visto fotografia tua não tinha a certeza. No entanto, aqui ficam os meus parabéns pelo empenho na equidade de género! 😀