A Culpa da Esquerda

10 Jun

Domingo passado fica marcado como um dos maiores desastres eleitorais de sempre da esquerda em Portugal. E os responsáveis são 2: o descaracterizado Partido “Socialista” de José Sócrates e o “não-sei-bem-já-como-o-caracterize” Bloco de Esquerda.
Imagino o quanto angustiante tenha sido esta campanha para qualquer socialista com um Q.I. superior a 65. Ver o candidato do seu partido, que uma vez disse que nunca governaria com o FMI, concorrer a umas eleições que serviriam apenas para escolher quem iria pôr em prática o compromisso assinado com a Troika, deve ter sido difícil. Como se isso não bastasse, teve ainda que bater palmas aos discursos deste mesmo líder, validando assim toda uma teoria Kubrickiana de que se não fora a crise mundial tudo estaria perfeito, e de que o principal partido da oposição (por sinal sociais-democratas) iria privatizar tudo desde a saúde, o ensino, passando pelo ar que respiramos. Não via argumentos de tanta substância desde aquela velha história de que os Comunistas comiam criancinhas…
Lunático, não encontro outra palavra para classificar José Sócrates e os seus assessores. Respiremos por agora um pouco, e lembremo-nos deste jovem político, como o brilhante estadista, nada agarrado ao poder, fluente em Inglês e Espanhol, que nos levaria a um futuro brilhante, não fosse aquilo que já todos sabemos de cor, que começa por “c”, acaba num “e” e tem “ris” lá pelo meio. Descansemos por enquanto, porque ele vai voltar para as Presidenciais, daqui a 10 anos…
Focando novamente a atenção naquele militante Socialista, o tal com mais de 65 de Q.I., está na hora de lhe dizer que já pode voltar a sair de casa, ver os telejornais, ler a imprensa escrita e já pode mesmo resgatar o cartão de militante, o tal que ficou escondido naquela velha arca no sótão Não que a governação do PS tenha sido um acumular de erros, houve momentos positivos. Graves, foram os dois últimos anos, a ausência de ideias, soluções e até mesmo de algum pudor. A falta de diálogo entre o Governo e os partidos à sua esquerda, e a inocência na presunção de que o maior partido da oposição iria continuar a fazer vista grossa a todos os PEC’s que foram sendo sucessivamente apresentados, a ideia de que se a coisa levasse o selo de “interesse nacional” nunca iria ser chumbado, era digamos, qualquer coisa para lá do Naïve…
Defendi na altura que a trapalhada em torno da apresentação e aprovação do último PEC, só poderia ser propositada. Que ninguém era tão politicamente inocente ao fazer as coisas daquela forma, ainda para mais para um calculista tão agarrado ao poder quanto José Sócrates. Disse-o e escrevi que o intuito era a vitimização perante uma situação que supostamente a oposição havia criado (pena que hoje em dia haja tantas estatísticas, e que não é só o Paulo Portas que tem acesso a gráficos). Esta floribelização ou calimerização era a última oportunidade para se manter no poder alguém, que em 2 anos destruiu toda a confiança possível em si para ocupar esse mesmo… Poder.

O Bloco de Esquerda acordou segunda-feira para uma nova realidade: a pura e simples sobrevivência. A estrada agora passa por uma redefinição total do seu campo de acção, ou seja, por uma profunda refundação: ou o Bloco se assume como uma esquerda que possa e queira governar, ou então desce de divisão, futebolisticamente falando.
Um dos grandes azares do Bloco, foi o facto de que à medida que ia ganhando mais deputados eleição após eleição, mais gente começou a ler os seus programas eleitorais. Nacionalização da EDP e da GALP, subjugação da Banca aos interesses do Estado (qualquer coisa como transformar a banca privada em várias Caixas Gerais de Depósitos) entre outros, não assusta apenas banqueiros e grandes capitalistas, assusta-me a mim e a muitos milhares de Portugueses.
Outro factor de desgaste do Bloco, foi a repetição exaustiva daquela ideia de que o Bloco era a “Esquerda”. De um momento para o outro, eu, que sempre me bati pelo sim no referendo ao aborto, defendi o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que sou a favor da escola e de um sistema de saúde públicos, passei a ser de direita, se tivermos em conta a equação: se não és Comunista ou do Bloco, então não és de Esquerda. Muitos destes descriminados revoltaram-se no domingo passado nas urnas!
Vejo agora muitos bloquistas a defenderem que o apoio a Manuel Alegre foi um desastre, que a moção de censura não teve nenhuma lógica de acção ou substância, que a recusa em falar com Troika foi um erro… Eu oiço e leio esta gente e pergunto-me onde é que eles estiveram nos últimos 2 anos, é que toda esta clarividência face ao próprio partido, passou-me ao lado!
É sério o momento para o Bloco. Agora que a verdadeira matriz ideológica foi chegando ao conhecimento do cidadão comum, desde a tasca do bairro ao táxi mais próximo, mesmo apesar dos seus programas eleitorais passarem a ser mais pequeninos e muito discretos, já não foi possível passar por entre as gotas de chuva. Acredito que muita gente no Bloco chegou mesmo a pensar que face aos brilhantes resultados eleitorais passados, Portugal estava cheio de Trotskistas, Marxistas, Maoístas eoutros istas! Não foram precisos 2 anos para demonstrar o contrário.
Cada vez mais me parece que quem anda nas máquinas partidárias se deixa facilmente embriagar com resultados eleitorais, subjugando muitas vezes o próprio pensamento ao chicote disciplinador do partido!
Muito mais poderia escrever acerca do Bloco, mas vou deixar isso a todos aqueles bloquistas que têm vindo a despertar nos últimos dias.

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