Um sonho em decadência

21 Maio

O continente europeu foi ao longo de vários séculos um lugar de intensas disputas e guerras entre povos que se foram sucedendo umas após as outras até à II Guerra Mundial onde morreram cerca de 60 milhões de pessoas no espaço de apenas seis anos.

O conflito – o mais mortífero a que a Humanidade já assistiu – teve a sua origem na política expansionista e nacionalista de uma Alemanha nazi liderada por Adolf Hitler que havia prometido vingar a humilhação imposta pelas potências vencedoras da I Guerra Mundial.

Se há uma lição que podemos retirar desses acontecimentos é a de que nunca devemos humilhar o outro, dado que o tempo prova que o outro se revitaliza com o desejo de vingança criando uma espiral de violência de “olho por olho, dente por dente”.

No meio de toda aquela degradação social e moral, a Europa teve o privilégio de contar com homens de grande visão como Jean Monnet, Robert Schuman e Konrad Adenauer que tiveram a inteligência de compreender que apenas através de uma sincera partilha de soberania e de uma verdadeira solidariedade entre os povos se poderia alcançar o desenvolvimento e um projecto de sociedade que promovesse o crescimento económico respeitando os valores da dignidade humana.

Foi assim que nasceu o projecto europeu que prometeu erradicar a guerra da Europa e inaugurar uma nova era baseada em valores e interesses comuns. Como é natural foi um processo que ao longo dos seus anos de existência teve altos e baixos, avanços e retrocessos, vitórias e derrotas. Mas nunca como hoje estivemos tão próximos de dizer que este é um projecto à beira do falhanço guardado na gaveta por responsáveis governamentais sem qualquer visão de futuro, incapazes de arriscar em nome de um futuro melhor.

A profissionalização da política levou a uma crise de liderança, hoje entregue à chanceler alemã Angela Merkel incapaz de ver para lá das suas fronteiras germânicas, onde as coisas também não andam famosas para o seu partido. Um partido – CDU – que embora tenha uma ideologia conservadora e esteja situado à direita já deu à Europa importantes contributos e grandes líderes como foi sobretudo Helmut Kohl, um homem que teve a coragem de assumir desígnios para lá do horizonte imediato. Não me estranha por isso que Kohl tenha defendido recentemente nos Estados Unidos que era do interesse da Alemanha defender a Grécia e dar-lhe o seu apoio.

A União Europeia é hoje um projecto sem coesão, sem solidariedade e sem a entreajuda que foi fundamental para a edificar. Vai-se enterrando lentamente com os sucessivos pedidos de ajuda dos seus Estados Membros ao FMI, com as propostas de restrição a documentos fundamentais como o Acordo Schengen, com o silêncio cobarde face aos levantamentos democráticos no Médio Oriente e Norte de África. Fica a pergunta: será esta União Europeia ainda reformável? Espero ardentemente que sim pelo bem de todos nós.

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