Parte 2 – E a Pluralidade, Pá?

20 Maio

Olhando para o título, é clara e notória a minha insistência neste tema, não porque vos queira maçar, mas apenas porque vos quero fazer realmente sofrer um pouco mais. E perguntam-me vocês: e porquê oh orlando és tão mau para nós? Já não bastava o texto da semana passada em que prognosticaste (não sei se esta palavra existe…) uma vitória de 3-0 do Porto sobre o Braga e onde também não explicaste como é que se faz risotto com cogumelos!!! Apesar de não gostar que me façam perguntas compridas, ainda para mais vindas de uma audiência virtual que eu acabei de inventar, eu respondo com muito gosto porque vos quero massacrar com isto: é que ano-após-ano vocês têm vindo a votar constantemente nos mesmos partidos políticos! Os tais que nos trouxeram a esta situação calamitosa!

Não que eu seja santo, afinal de contas durante vários anos, também fui pondo a cruzinha nos mesmos quadrados que vocês, mas depois do erro realizado, os meus dez “pai-nosso” e vinte “avé-marias” são essencialmente escrever textos purgatoriais (outra palavra que não sei se existe…) até que a minha alma esteja totalmente conspurcada. A vossa penitência meus caros é que reflectiam apenas acerca disto: Não existem apenas 5 partidos políticos!!!

Ora, porque é que vos peço esta reflexão?

Para além das motivações religiosas atrás referidas, eu chamo a vossa atenção para o facto de que não existe “voto útil”! assim como não há “sofrimento útil”. O discurso de que PS e PSD são iguais, que governam muitas vezes segundo uma série de interesses obscuros, deve ser tantas vezes repetida por esses cafés e salões de beleza, quanto a usual conversa acerca do estado do tempo. No entanto, estes partidos serão sempre os mais votados. Parece-me que dadas as circunstâncias, esta tendência de voto revela que há um pouco de Sado-maso dentro de cada português….

Pode ser que o nosso grande background católico ajude também a explicar esta teimosia. Todas aquelas noites eleitorais, em que os resultados são divulgados, assemelham-se de uma forma estranha aquela passagem Bíblica que nos diz que quando nos batem, devemos estar prontos a dar a outra face…

Bem, agora que já consegui introduzir “pai-nosso”, “avé-maria”, purgatório e sado-maso no mesmo texto, resta-me apenas explicar aos três leitores que sobram porque está na hora de mudar o paradigma de voto.

Então dizem-me vocês que não votam nos pequenos partidos, porque estes são-vos desconhecidos! Por isso é que vão votando naqueles que bem conhecem e que reconhecem como os responsáveis pelo incumprimento de quase todas as promessas eleitorais feitas até hoje.

Ou então dizem-me que não querem ninguém inexperiente no Parlamento. Eu compreendo, é sempre preferível ter lá alguém incompetentemente experienciado.

Ou mesmo até há quem diga que não vota nos pequenos partidos porque desconhece que ideologias defendem. Bem meus caros, há muitas escolhas desde um partido monárquico que concorre a eleições a um partido totalmente pelos animais! A variedade é muita, mas não chega até nós.

As televisões gastam demasiado tempo de antena com os cinco partidos representados no Parlamento, e ignoram todos os outros partidos. Ora, fazendo um cálculo básico pode-se concluir (e penso que sem leviandade) que a falta de tempo de antena leva a escassez de votos. Escassez de votos não permite o acesso ao Parlamento. A falta de acesso ao Parlamento leva á falta de tempo de antena e ao desinteresse dos órgãos de comunicação social.

Há quem diga que em Portugal é impossível governar sem maioria absoluta. Ora esse mito nasceu precisamente com Cavaco Silva e foi aprofundado por José Sócrates, dois indivíduos reconhecidamente tolerantes, plurais e habituados ao diálogo com os seus adversários políticos…

Se a política portuguesa fosse menos histérica e se o Parlamento servisse, sei lá vou dizer uma coisa maluca, para que houvesse diálogo entre todos os intervenientes políticos, seria possível governar sempre com coligações alargadas não só de direita, como também de esquerda. Com mais partidos representados na Assembleia da República, haveria menos lugares para toda aquela “tralha” que os grandes partidos normalmente trazem agarrada ás costas. Não sei se o número dos que “vivem da política” (como o Francisco explica no seu texto) iria reduzir drasticamente, mas essa escolha pertenceria unicamente aos grandes partidos, que incomodados e ameaçados pela entrada de outras forças políticas no parlamento, teriam uma boa oportunidade para se repensarem.

Por isso meus amigos agora que o campeonato acabou, e o tempo começa a melhorar, a escolha não deverá ser entre votar ou não votar! O tempo que vivemos é drástico demais para que deixemos que outros decidam por nós. Se muitos nos sentimos órfãos politicamente, passemos a olhar um pouco para as pequenas forças políticas e arrisquemo-nos a votar em alguém que, seguramente não nos decepcionará mais do que os tradicionais partidos já nos decepcionaram.

P.S: Risotto com Cogumelos

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