Depois da folia, o duro regresso à realidade

14 Maio

Durante as últimas semanas os estudantes universitários estiveram em festa com as tradicionais queimas das fitas e semanas académicas recheadas de alegria, entusiasmo e grande diversão. Foram semanas em que as muitas incertezas e anseios relativos ao futuro foram colocados de lado, independentemente de ser “caloiro” ou finalista. O que importa nestes dias é a boa disposição, a música, a amizade e, porque não, alguns excessos.

O regresso à realidade é agora duro. O ensino superior arrisca-se a ser cada mais elitista, dado que são demasiados os casos de abandono por falta de condições sócio económicas. Por outro lado, a entrada no mercado de trabalho é cada vez mais difícil.

No que diz respeito à Acção Social as coisas vão de mal a pior desde o Decreto de Lei 70/2010 com os sucessivos cortes verificados nos valores das bolsas de estudo e no aumento dos preços relativos à acção social indirecta, nomeadamente nas refeições, apesar do seu congelamento previsto no Decreto de Lei 62/2009. Os constantes atrasos no pagamento de bolsas também têm um impacto enorme na vida dos estudantes deslocados que assim se vêm muitas vezes sem dinheiro para pagar as suas despesas.

A má vontade política do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Ensino Superior (MCTES) e a ineficiência técnica da Direcção Geral do Ensino Superior (DGES) atiraram nos últimos tempos muitos jovens para fora do ensino superior e prejudicaram certamente o percurso académico de muitos outros que se viram obrigados a procurar um emprego para suportar as suas despesas.

Aqueles que se conseguem manter no ensino superior deparam-se no final da sua licenciatura com imensas dificuldades: multiplicam-se os estágios não remunerados com prazos demasiado alargados. Por outro lado, o desemprego já afecta, segundo dados recentes, cerca de 300 000 jovens, obrigados a adiar sucessivamente a construção do seu projecto de vida.

Os jovens deste país estão neste momento a braços com uma gritante falta de perspectivas e sabem que terão de pagar uma dívida enorme que não contrariam. Ainda assim não estão condenados. Mas independentemente das suas convicções ideológicas, filosóficas, políticas ou até mesmo religiosas só têm uma solução: deixar o absentismo e começar a criar novos hábitos de intervenção e participação cívica a todos os níveis tomando o futuro pelas suas próprias mãos.

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