Uma morte inútil

7 Maio

Há cerca de dois anos aderi à Amnistia Internacional – Portugal por entender que a causa dos Direitos Humanos e da dignidade da pessoa humana merecia o meu empenho e a minha dedicação.

Tenho dito e volto a repetir: muitas das pessoas que tenho defendido com o meu activismo são pessoas das quais eu nunca aceitaria um convite para tomar um café ou para jantar! São pessoas com as quais tenho as mais profundas divergências sobre muitas coisas e cujas ideias e actos não consigo compreender nem aceitar!

Nessa defesa norteiam-me valores e princípios que são indomáveis: a defesa das liberdades, direitos e garantias fundamentais de qualquer pessoa, a oposição total e incondicional à pena de morte e aos desaparecimentos e execuções extra-judiciais, a defesa do fim da impunidade.

Foi isso que levou a Amnistia Internacional a levar a cabo uma acção urgente contra a execução de Saddam Hussein apesar de ao longo dos seus muitos anos de ditadura e opressão ter sido uma das principais organizações a denunciar o regime.

É isso que me leva a defender o caso da Leonor Cipriano (cujo caso está presente no Relatório Anual da Amnistia Internacional de 2010). Consta-se que esta mulher matou a sua filha Joana no Algarve há uns anos atrás, mas a sua confissão foi obtida através de um brutal espancamento, um acto de tortura selvagem.

É isso que me leva em última análise a discordar de Barack Obama quando diz que foi feita justiça com a morte de Osama Bin Laden. Ainda é muito cedo para fazer considerações profundas sobre este acontecimento. Além disso há muito pouca informação sobre a forma como tudo aconteceu.

O que sei é que esta não era nem de perto nem de longe a solução ideal e que acima de tudo não se fez justiça. Osama Bin Laden inaugurou com a Al Qaeda uma nova era de terror e uma nova forma de guerra sem aviso prévio contra os civis com atentados que ferem a Humanidade, levados a cabo por homens cujas mentes, consumidas pelo ódio, pela incompreensão e pelo fundamentalismo, não hesitam na hora de provocar tanto mal.

Mas a Justiça deve ser cega e deve ser aplicada da mesma forma a qualquer pessoa (independentemente do crime, etnia, religião ou condição social). A Justiça não é, nem nunca poderá vir a ser, uma forma de vingança!

A morte de Bin Laden pouco muda. A Al Qaeda sempre foi uma organização muito descentralizada e o saudita neste momento era apenas o seu pai e grande mentor, mas já não o principal operacional. Os mais fundamentalistas ganharam um mártir. Os defensores da Justiça e da Dignidade Humana perderam com a sua morte a possibilidade de o levar a um tribunal internacional onde seria julgado e condenado por todos os crimes que cometeu. É uma pena.

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