Há vida para lá da Economia

30 Abr

Nas últimas décadas, a acção dos governos e dos líderes mundiais passou a ser avaliada sobretudo em função dos níveis de crescimento económico atingidos. Nada mais errado. É certo que este é um factor a ter em conta. Um factor importantíssimo. Mas está longe de ser o único.

Há tempos estive presente numa tertúlia com o Padre Jardim Moreira, salvo erro, Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal. Nessa tertúlia também ele falou dessa necessidade de mudança que tantos de nós sentimos ao dizer “que quem nos trouxe a esta crise não nos vai tirar dela, porque eles pensam que esta crise é de dinheiro, mas esta crise é de Humanidade”.

Depois disse outra coisa que me fez reflectir. Está hoje visto que comunismo e capitalismo falharam. E falharam pelo ênfase que deram em exclusivo à economia. A diferença era na primazia que davam a diferentes factores de produção. No caso do comunismo, é dada primazia ao factor trabalho (aliás, o discurso do PCP, anda sempre à volta dos direitos dos trabalhadores, não dos direitos da pessoa humana, como se na Sociedade só houvessem trabalhadores). No caso do capitalismo, é dada primazia ao factor capital, esquecendo os seres humanos, deixando milhões e milhões de seres humanos para trás neste processo de desenvolvimento sem regras, insustentável e injusto. Quantos planetas Terra seriam necessário se todos tivéssemos um nível de vida igual ao nível médio do cidadão americano?

O erro destas duas ideologias foi sem dúvida a primazia que deram à economia. As pessoas não nasceram só para produzir ou para trabalhar. Nasceram para ser felizes e para se realizarem pessoalmente. É essa a mais alta aspiração do ser humano, reconhecida na Declaração de independência dos Estados Unidos da América quando refere que todos os seres humanos são dotados pelo Criador do direito à vida e do direito à felicidade!

Os resultados estão à vista. O comunismo caiu por ser um sistema que oprimia e espezinhava as liberdades individuais mais elementares do ser humano (liberdade de associação, liberdade religiosa, etc.). A favor do marxismo fica a luta pelo reconhecimento da igualdade e dos direitos sociais. O capitalismo só ainda não faliu porque para o salvarem tiveram que o pôr na gaveta recorrendo a nacionalizações, por exemplo. A seu favor fica a preservação da democracia e das liberdades, direitos e garantias q. b.!

Não obstante, a China, principal país emergente, conjuga o pior destes dois sistemas: opressão de liberdades individuais e capitalismo selvagem desenfreado (há tempos havia até quem referisse que era melhor ser desempregado na Europa do que ter um emprego na China sem direitos laborais).

Está talvez na altura de surgirem novos líderes que, em vez de seguirem apenas a voz daqueles a quem devem favores, preocupados em manter o seu lugar, sejam eles próprios a demonstrar novos caminhos baseados num desenvolvimento sustentável que não exclua ninguém. De todos e para todos.

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